Cristália e Instituto Bairral firmam parceria para desenvolver tecnologia inédita contra overdose por drogas

Pesquisa brasileira utiliza lipossomas para capturar substâncias tóxicas no sangue e pode representar um avanço no tratamento de intoxicações graves.

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Cristália e Instituto Bairral firmam parceria para desenvolver tecnologia inédita contra overdose por drogas
Foto: Reprodução / Assessoria de Imprensa do Laboratório Cristália.

O que aconteceu?

O Laboratório Cristália e o Instituto Bairral de Psiquiatria, de Itapira (SP), anunciaram uma parceria para conduzir os estudos clínicos de uma tecnologia inédita voltada ao tratamento de casos de overdose por drogas. Batizado provisoriamente de Lipossoma de Resgate, o projeto foi desenvolvido pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e está em fase de escalonamento para produção do lote-piloto, etapa que antecede os testes clínicos em humanos.

A tecnologia ainda não possui aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e segue em desenvolvimento.

Como funciona

Diferentemente dos lipossomas tradicionais, utilizados para transportar medicamentos até as células, o Lipossoma de Resgate foi projetado para agir de forma inversa.

A proposta é que essas nanoestruturas capturem substâncias tóxicas presentes na corrente sanguínea antes que elas atinjam órgãos sensíveis, como cérebro e coração, reduzindo os efeitos da intoxicação.

Segundo os pesquisadores, trata-se da primeira aplicação desse tipo de tecnologia voltada especificamente ao tratamento de overdoses por drogas.

Resultados iniciais

Nos estudos pré-clínicos realizados até o momento, o novo lipossoma apresentou desempenho superior ao Intralipid®, solução atualmente utilizada de forma "off-label" em alguns casos de intoxicação grave, embora não exista hoje um medicamento aprovado especificamente para reverter overdoses.

Os pesquisadores destacam que os resultados ainda precisam ser confirmados nas próximas fases de desenvolvimento.

Parceria reúne universidade, indústria e hospital especializado

A pesquisa teve início em 2018, sob liderança da professora Eliana Martins Lima, da Universidade Federal de Goiás, referência em estudos com lipossomas desde a década de 1990.

Em 2024, o Cristália assumiu o codesenvolvimento da tecnologia junto à universidade. Agora, o Instituto Bairral será responsável pela etapa de pesquisa clínica, por ser uma instituição especializada no atendimento de pacientes com dependência química e saúde mental.

Por que importa

Se os estudos confirmarem sua eficácia e segurança, o Lipossoma de Resgate poderá representar um avanço importante no atendimento de emergências médicas relacionadas à overdose, oferecendo uma alternativa inédita para reduzir a ação de substâncias tóxicas no organismo.

No entanto, os pesquisadores reforçam que o produto ainda está em fase experimental, sem autorização para uso clínico ou previsão de chegada ao mercado.

O que vem agora

A próxima etapa será a produção do lote-piloto e o avanço para os estudos clínicos.

Os detalhes do projeto serão apresentados em uma coletiva de imprensa marcada para o dia 30 de julho, em Campinas (SP), organizada pelo Laboratório Cristália e pelo Instituto Bairral.

Redação Tribuna do Guaçu
Com informações da Assessoria de Imprensa do Laboratório Cristália.


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