Câncer causa mais de 26 mil mortes por dia no mundo e OMS alerta para desigualdade no acesso ao tratamento

Relatório aponta aumento dos casos até 2050 e destaca que prevenção e diagnóstico precoce podem salvar milhões de vidas.

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Todos os anos, o SUS diagnostica cerca de 704 mil novos casos de câncer no Brasil (Agência Brasil)

O que aconteceu

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou o Relatório Global sobre o Estado do Câncer 2026, revelando que a doença registra cerca de 20,6 milhões de novos casos e quase 10 milhões de mortes por ano em todo o mundo — o equivalente a mais de 26 mil óbitos por dia.

A projeção é preocupante: sem medidas mais eficazes de prevenção e tratamento, o número de novos casos poderá chegar a 35 milhões por ano até 2050.

Por que importa

O relatório mostra que o maior desafio não é apenas o crescimento dos casos, mas também a desigualdade no acesso aos serviços de saúde.

Em países de alta renda, 87% das mulheres com câncer de mama sobrevivem pelo menos cinco anos após o diagnóstico. Já nos países de baixa renda, esse índice cai para cerca de 42%.

Segundo a OMS, fatores como renda, local de residência e acesso ao tratamento ainda influenciam diretamente as chances de sobrevivência.

Brasil

No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima cerca de:

  • 704,1 mil novos casos por ano;
  • 225,8 mil mortes anuais pela doença.

Entre os casos mais preocupantes está o câncer de pulmão. Dados mostram que 88% dos pacientes iniciam o tratamento em estágio avançado, reduzindo significativamente as possibilidades de cura.

Além disso:

  • Entre 80% e 90% dos casos estão relacionados ao tabagismo;
  • Mais da metade dos pacientes precisa viajar para outro município para receber tratamento.
Fatores de risco

A OMS destaca que quase quatro em cada dez casos de câncer poderiam ser evitados.

Os principais fatores de risco são:

  • Tabagismo;
  • Consumo excessivo de álcool;
  • Obesidade;
  • Sedentarismo;
  • Infecções como HPV e hepatites B e C;
  • Poluição do ar.
O que vem pela frente

A OMS defende investimentos em prevenção, diagnóstico precoce, ampliação do acesso aos medicamentos e fortalecimento dos sistemas públicos de saúde.

O relatório também alerta para os impactos sociais da doença: quase metade dos pacientes enfrenta dificuldades financeiras durante o tratamento, enquanto familiares e cuidadores relatam sobrecarga física e emocional.

Redação Tribuna do Guaçu, com informações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Instituto Nacional de Câncer (INCA).