Mistura E32 pode elevar demanda por quase 1 bilhão de litros de etanol por ano

Novo percentual obrigatório de etanol na gasolina deve impulsionar a produção nacional, fortalecer o etanol de milho e reduzir a dependência da importação de combustíveis fósseis.

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Foto: Divulgação / Magnific

O que aconteceu

A adoção da nova mistura E32, que aumenta de 30% para 32% o teor obrigatório de etanol anidro na gasolina, poderá acrescentar cerca de 954 milhões de litros à demanda anual pelo biocombustível no Brasil.

A estimativa é do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) e considera um ciclo completo de 12 meses com a nova mistura, aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).

A medida entra em vigor em 1º de agosto, inicialmente por 180 dias, podendo ser prorrogada por mais seis meses.

Por que importa

O aumento da mistura amplia o mercado para o etanol brasileiro, estimula investimentos na cadeia produtiva e reduz a dependência da importação de gasolina.

Segundo o Ministério de Minas e Energia, a adoção do E32 poderá reduzir em aproximadamente 900 milhões de litros por ano a necessidade de importação do combustível fóssil.

Para Mato Grosso, principal produtor nacional de etanol de milho, a expectativa é de crescimento ainda maior da atividade. O Imea estima que, somente entre agosto e dezembro deste ano, a nova mistura gere demanda adicional de cerca de 409 mil metros cúbicos de etanol anidro.

Em um período de 12 meses, parte desse crescimento poderá ser atendida pelo etanol produzido a partir do milho, reforçando o papel do cereal como matéria-prima estratégica para a transição energética.

Especialistas também destacam que a medida oferece maior previsibilidade para produtores e indústrias, favorecendo novos investimentos e fortalecendo a agroindustrialização brasileira.

O que vem agora

A produção nacional de etanol deve continuar em expansão. Em Mato Grosso, a safra 2026/2027 tem previsão de atingir 8,44 milhões de metros cúbicos, alta superior a 16% em relação ao ciclo anterior, impulsionada principalmente pelo etanol de milho e pela entrada de novas usinas.

Além do abastecimento de veículos, o setor aposta no crescimento da demanda por combustíveis sustentáveis para a aviação (SAF) e para o transporte marítimo, ampliando as oportunidades para o mercado brasileiro de biocombustíveis.

Redação Tribuna do Guaçu
Com informações da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) e do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).