17/06/2021 às 09h14min - Atualizada em 17/06/2021 às 12h20min

Agências de viagens de turismo se adaptam às novas tendências por mudanças de hábitos dos consumidores

Segundo Conselho Mundial de Viagem e Turismo, as principais tendências são a valorização do turismo local e o crescimento do uso de meios virtuais para consumo de viagens

DINO


A chegada da pandemia da covid-19 afetou diversos setores da economia, incluindo o turismo, que ainda enfrenta diversas mudanças em face da nova realidade, segundo o Conselho Mundial de Viagem e Turismo (WTTC). De acordo com uma pesquisa realizada pela Booking.com, com uma amostra de cerca de 20 mil pessoas que viajaram a lazer ou a trabalho em 2020, a tendência é que haverá um aumento na demanda de viagens rápidas, já que 3 em cada 4 brasileiros (73%) devem optar por deslocamentos mais curtos, e 30% revelam que preferem viagens de fim de semana. O Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking global de 28 países que demonstraram esse mesmo interesse.

No cenário pandêmico, muitas pessoas aguardam o dia em que farão o voo tranquilo e descontraído como antes, em locais como a Flórida nos Estados Unidos, por exemplo, onde a vacinação está avançada, já se pode observar esse efeito de demanda reprimida acontecendo de forma forte, movimentando a volta da economia, afirma Maria Carolina Asencio, agente de viagens, administradora de negócios e master franqueada da CVC turismo, empresa operadora de turismo das Américas.

“Às vezes fico imaginando como serão as viagens quando tudo isso passar. Será que teremos passaportes ou carteirinhas digitais internacionais de vacinação? O fato é que hoje temos uma demanda reprimida, absurda, de pessoas aguardando a reabertura de fronteiras e a vacinação, para assim poderem remarcar seus bilhetes e fazer novas compras”, afirma Carolina.

Atualmente, o mercado de locação de casas veraneio e viagens para lugares próximos estão em alta, diz a agente de viagens, e o setor está se adaptando para atender essa demanda, observando as mudanças no comportamento do novo consumidor. Uma das fortes tendências que vêm crescendo no Brasil são as viagens em grupos de amigos ou familiares, com foco em aluguel de casa ou flat no destino escolhido (nacional ou internacional), de preferência próximos.

Conforme a especialista, o novo formato do turismo é reforçado pelo sentimento de viajar e poder ficar com o próprio grupo, afastados somente dos estranhos. Isso passa a sensação de mais segurança e até mesmo conforto emocional pelo convívio mais próximo dos amigos e família. “Vivemos tanto tempo em afastamento social que poder viajar com quem amamos e temos afeto se torna algo indescritível”, menciona Asencio, que é membro-fundadora da Associação Brasileira dos Distribuidores de Turismo – ABDTUR, membro do Sindicato das Empresas de Turismo – Sindetur/SE e da Associação Brasileira de Agentes de Viagem – ABAV/SE.

A pesquisa da Booking.com também identificou que para muitas pessoas a distância dos familiares fez crescer a saudade. Para dois terços (66%) dos viajantes brasileiros, um dos planos de viagem para o futuro é se reconectar com os entes queridos. Na verdade, enquanto estiveram separados durante a pandemia, 46% deles revelaram que falar com os amigos e a família sobre viagens se tornou uma das principais inspirações para viajar novamente.

Segundo o Conselho Mundial de Viagem e Turismo (WTTC), as preferências e comportamentos dos viajantes se voltaram para aquilo que é familiar, previsível e confiável. Viagens domésticas, planejamento extensivo e atividades ao ar livre irão reinar no curto prazo, com empreendimentos turísticos e destinos já adaptados. 

A administradora de negócios também explica que a aceleração tecnológica veio de forma antecipada nesse último ano, e quem ainda não estava totalmente preparado de forma digital no mercado teve que correr atrás para não ficar no prejuízo.  

Consoante o WTTC, o consumidor antes de viajar deseja ter todas as informações em mãos para efetuar a compra e acesso virtual ao destino, assim tem mais confiança para executar a viagem. O uso da internet no Brasil cresceu durante a quarentena: o aumento foi entre 40% e 50%, segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), e a alta foi ainda maior para servidores internacionais e a tendência é de aumentar cada vez mais. Com acesso mais facilitado, a decisão do consumidor passa a ser tomada em sua própria casa, antes de partir para a viagem. 

“Curiosamente e de forma antagônica ao digital, o papel do agente de viagem se tornou ainda mais importante, pois a sensação de ter com quem falar ficou muito mais necessária para facilitar a experiência dos consumidores. Entendo que nesses novos tempos, o relacionamento entre agente de viagem e consumidor será o grande diferencial”, finaliza Maria Carolina Asencio, com 30 anos de experiência desenvolvida nas áreas comercial, de vendas, marketing, planejamento estratégico e gestão de pessoas, no setor de turismo.

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