Mais da metade dos universitários com filhos já interrompeu os estudos para cuidar da família

Levantamento do MEC aponta alta vulnerabilidade social entre estudantes que conciliam maternidade, paternidade e vida acadêmica.

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© Marcello Casal jr/Agência Brasil

Mais da metade dos estudantes de graduação com filhos já precisou interromper ou abandonar temporariamente a faculdade para cuidar das crianças. O dado faz parte de um levantamento de um grupo de trabalho vinculado ao Ministério da Educação (MEC), que revela os desafios enfrentados por quem tenta conciliar a formação acadêmica com a parentalidade.

O que aconteceu

A pesquisa mostra que 54,4% dos alunos de graduação já trancaram a matrícula ou desistiram do curso em algum momento para dar conta dos cuidados com os filhos. Na pós-graduação, esse percentual chega a 36,4%.

Entre os mais de 7,4 mil participantes, 86,5% são mães. A maioria estuda em universidades públicas federais, frequenta cursos presenciais e possui apenas um filho.

Por que importa

O estudo evidencia um cenário de vulnerabilidade social que vai além da permanência na universidade.

Os dados mostram que:

  • 60,2% dos estudantes de graduação com filhos são negros (pretos e pardos);
  • 24,6% vivem com renda de até um salário mínimo;
  • 16,1% não possuem qualquer rendimento;
  • 32,9% afirmam não contar com nenhuma rede de apoio para cuidar das crianças.

Outro ponto de preocupação é a alimentação. Mais da metade dos estudantes informou que seus filhos não têm acesso aos restaurantes universitários, enquanto muitos sequer sabem se esse direito existe.

Segundo os pesquisadores, a falta de informação e de políticas de permanência contribui para aumentar as dificuldades enfrentadas por esse público.

O que vem agora

O grupo responsável pelo levantamento defende a ampliação de políticas públicas voltadas aos estudantes com filhos, incluindo acesso à alimentação, creches, auxílio permanência e redes de apoio.

A expectativa é que os dados sirvam de base para o desenvolvimento de ações que reduzam a evasão universitária e garantam melhores condições para que pais e mães consigam concluir a formação acadêmica.

Redação Tribuna do Guaçu
Com informações da Agência Brasil.