28/03/2022 às 13h56min - Atualizada em 28/03/2022 às 13h52min

FEIURA DO BELO E BELEZA DA FEIURA – PARADOXOS DE VALORES PRÁTICOS E SIGNIFICATIVOS DA FELICIDADE AUTÊNTICA

(CONS)CIÊNCIA & VIDA

(CONS)CIÊNCIA & VIDA

Alberto Carlos Paschoaletto é Professor Universitário, graduado em Ciências Jurídicas e Sociais; pós-graduação em Gestão Empresarial, Psicologia.

PASCHOALETTO[1], Alberto C.
 
Alvorecer do juízo estético: Uma abordagem humana do belo
Nobre leitor de CONSCIÊNCIA & VIDA, uma pergunta para instigar o pensamento crítico rumo ao desafio do propósito dessa pensata: A beleza importa? Se sim, ainda assim: Por que a beleza importa? Por outro lado: A feiura incomoda? Se sim, por que e a partir de quando ela incomoda?
A proposta é pensarmos que a beleza se forma na penumbra das sombras.  Inclui deixar transparecer todos os nossos sentimentos sombrios tais como melancolia, tristeza, desespero, e tantos outros. Esses sentimentos nos definem apesar de nossos melhores esforços para evitá-los: - faz parte do humano. Embora a beleza esteja sempre associada à simetria em nossa noção lógico espacial mas quase nunca amamos alguém por causa dessa relação harmônica. Assim como nós, é noção de Justa e Perfeita Ordem que as pessoas também tenham seus sentimentos sombrios, especialmente suas verdades.
Revelar essa verdade é o melhor caminho de tornar possível e acessível, para nós mesmos e para os outros. E, para chegarmos à nossa verdade pessoal organizada, e ao que consideramos belo, é necessário, portanto, que criemos a intimidade, que é onde a nossa solidão encontra a verdade nua. Chamamos isso de "equilíbrio dos débitos e créditos da conta do nosso lado escuro".
Pense nisso: Só podemos ganhar intimidade pela comparação, e sua magia acontece quando duas pessoas se encontram e sentem a necessidade de mergulhar nos detalhes, que é afinal o fundador da beleza que nos fascina.
Para saber mais: https://portaltribunadoguacu.com.br/coluna/33/a-literatura-e-seu-papel-de-construtora-de-juizos-esteticos-e-intercessora-da-totalidade-do-humano
 
O belo é genuinamente humano
Evitamos como se fosse um ato feio expor a mente (racional) à emoção, mas lamentamos lembrar que sem emoção ou intimidade é impossível descobrir a beleza da verdade. Assim, procuramos as peculiaridades e especialidades que nos impressionam. A intimidade e a beleza vêm através do esforço e não como consequência do fluxo natural da razão.
Quanto mais trabalhamos para evidenciar nossas sombras,  maior será a beleza. Então, quanto mais tentamos, mais perto chegamos da verdade. As oportunidades do dia a dia que nos preocupam são poucas e distantes entre si. E a beleza simplesmente não importa. Quando não importamos, nos tornamos livres e poderosos. Quando personalizamos nossas experiências, nos tornamos mais autênticos e, em geral, saímos dos padrões mundanos e clichês.
Essa particularidade também traz a beleza em sua simplicidade mais aberta, pois é tão especial que não pode ser caracterizada dentro de um padrão ou caixa de texto.
Para saber mais: https://portaltribunadoguacu.com.br/coluna/57/por-uma-etica-da-autenticidade-um-enfoque-do-ego-ismo-e-da-fogueira-de-vaidades-em-pleno-deserto-das-coisas-humanizadas
 
Quiçá melhor não dar ouvido aos blábláblás
Muito provavelmente já nos demos conta que muitas vezes somos expostos e alvo de olhares tanto admirados quanto espantados em relação ao que vestimos, calçamos, comemos e blábláblá... Mas, é justamente a proposta desse texto: Inserir você, caro leitor, numa discussão estética da beleza como valor universal para propositadamente colocá-lo na contramão dos estereótipos de beleza como critério indispensável e eliminatório, quase sempre inerente ao senso comum. Você pode me perguntar o que é discutir estética da beleza como valor universal? Vamos então, quebrar o primeiro tabu: Profanar o culto enraizado da beleza e da confusão da estética e noção de valor prático e útil das coisas: Da beleza objeto do desejo, que nesse caso se transforma na cobiça e num jogo de sedução e competição, seja através do culto ao corpo ou ao consumo. 
Será que a beleza tem alguma utilidade? "Sim, tanto Beleza e Feiura relacionam-se com espaço e tempo, e cristalizam-se na cultura em dado momento local determinado." (“A FEIURA DO BELO E A BELEZA DO FEIO - Blogger”)  Embora seja de a natureza humana racional buscar o belo e afastar o feio, não podemos fugir do subjetivismo estético característico de nossa cultura pós-moderna onde nenhum gosto pode ser criticado e precisamos acolher o diferente. Discutir o belo e o feio a partir dos juízos estéticos tem uma fundamentação racional quando entendemos que todos os gostos são equivalentes, pois não estão em jogo as qualidades do bem e do mal, do certo e do errado. Simplesmente a beleza não deve ser relacionada com a bondade, que por sua vez não deve entrar em competição com a feiura.
OBS.: Para se aprofundar mais, click no link e leia esse outro texto: https://portaltribunadoguacu.com.br/coluna/60/os-contornos-literarios-e-as-significacoes-filosoficas-da-metafisica-ontologica-um-atributo-ao-ser
 
Anatomia da Estética: Dissecando o belo
"Analisando o belo do ponto de vista do valor prático a beleza então está firmemente enraizada no esquema das coisas que devemos fazer, porque a natureza humana requisita, muito mais do que aquilo que desejamos e cobiçamos." (“A FEIURA DO BELO E A BELEZA DO FEIO - Blogger”) Assim, a beleza pode ser vista como uma característica que nos define como sujeitos racionais, capazes de compreender o mundo e acolher o diferente. E, pensar diferente implica sair fora da moldura das convenções sociais delimitadoras as controladoras do indivíduo através do moralismo. Pense bem, nobre leitor: Todos os discursos éticos vêm do moralismo e não da Moral. A Moral (feminino) pertence ao amor, à luz das subjetividades e sentimentos. Já o moral (masculino) pertence a ética e essa nas sombras das objetividades e do racionalismo. Resumindo: A ética serve para mediar relacionamentos e convivência onde não existe amor, pois o amor dispensa a proteção da ética. Senão vejamos o texto sublime de Paulo em sua carta aos coríntios 13:
Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o sino que ressoa ou como o prato que retine; Ainda que eu tenha o dom de profecia, saiba todos os mistérios e todo o conhecimento e tenha uma fé capaz de mover montanhas, se não tiver amor, nada serei; Ainda que eu dê aos pobres tudo o que possuo e entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me valerá; O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha; Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor; O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade; Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta; O amor nunca perece, mas as profecias desaparecerão, as línguas cessarão, o conhecimento passará; Pois em parte conhecemos e em parte profetizamos; quando, porém, vier o que é perfeito, o que é imperfeito desaparecerá; Quando eu era menino, falava como menino, pensava como menino e raciocinava como menino. (“1 Coríntios 13 NVI-PT - Ainda que eu fale as línguas dos ...”) Quando me tornei homem, abandonei as coisas de menino; Agora, pois, vemos apenas um reflexo obscuro, como em espelho; mas, então, veremos face a face; Agora conheço em parte; então, conhecerei plenamente, da mesma forma com que sou plenamente conhecido; Assim, permanecem agora estes três: a fé, a esperança e o amor. O maior deles, porém, é o amor.
 
 
Considerações finais: Humildade e perdão na trilha da felicidade
Temos medo de compartilhar nossos erros e falhas com os outros porque imaginamos que eles reagirão negativamente a essa revelação. Na verdade, ao revelar as falhas, criamos maneiras de reduzir a distância e aumentar a empatia, criando assim uma corrente emocional onde as pessoas tendem a ser mais gentis e se importar com a dor e as falhas dos outros. Reconhecer os sentimentos dolorosos dos outros nos coloca em um círculo de confiança onde nos sentimos mais seguros e aceitos. Humildade: Muitas vezes não percebemos que é mais difícil aceitar um pedido de desculpas do que pedir. Quando aceitamos um pedido de desculpas honestamente, também estamos lidando com aquelas emoções e sentimentos que estão no lado negro, o lado negro do poder. Portanto, nossa capacidade de nos abrir e aceitar as imperfeições dos outros é empatia, porque também somos falhos.
A proposta filosófica desse texto é que somos feios quando competimos com o semelhante, quando desejamos ser o primeiro para simplesmente para se distanciar pela (in) diferença. Faz sentido então perceber a beleza do feio quando praticamos nossos juízos de valores e nos colocamos colaborativos com a sociedade, enfim, quando saímos do mundo fashion das modelos e nos colocamos a serviço do semelhante, e, principalmente quando somos orientados por um projeto de vida significativo e que traz uma beleza universal ao significado, independente da qualidade do signo e do padrão de beleza do significante, enfim, quando aceitamos sair do ostracismo egoístico de uma vida desperdiçada em consumo e vaidade egoísta sem acrescentar nada para a comunidade... afinal como canta Nei Matogrosso “Se eles são bonitos, sou Alain Delon; Se eles são famosos, sou Napoleão”...pensemos todos um pouco mais sobre isso!
OBS.: Para se aprofundar mais, click no link e leia esse outro texto: https://portaltribunadoguacu.com.br/coluna/36/a-busca-de-si-mesmo-no-caminho-estetico-da-prosperidade-existem-sistema-de-sinais
 
 

REFERÊNCIAS
BETTO, Frei. Fonte: “Ética, mera questão de estética?” : Rede Voltaire, 25 de Julho de 2006, www.voltairenet.org/article142382.html acesso em 20/03/2022
CARPINEJAR, Fabrício. "Todos estamos carentes. Tudo é o mínimo para compensar as privações da pandemia" Entrevista concedida Marco Fávero / Agência RBS. Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/ acesso em 24/03/22
____________________. Depois é nunca. e-book Kindle. Editora: Bertrand, 2021. Disponível em https://www.amazon.com.br/dp/B09GPQZP8Q/ref=dp-kindle-redirect?_encoding=UTF8&btkr=1
CARPINEJAR, Fabrício. RONEL, Alberti da Rosa. Estética: A beleza do mundo explicada. Livro da disciplina. Programa de Pós Graduação da PUC-RS da Pós Graduação em Filosofia e Autoconhecimento: Uso pessoal e Profissional.
HERMAN, Nadja. RAJOBAC, Raimundo. (Org) – A questão do Estético: ensaios. Editora PUCRS, 2019. Edição 1, 2019.
OLIVEIRA, Leonardo Araújo. Questões Fundamentais da Reflexão Filosófica acerca da Arte: resenha de Os Problemas da Estética de Luigi Pareyson. Revista Anagrama: Revista Científica Interdisciplinar da Graduação; Ano 6 - Edição 3 – Março-Maio de 2013. Disponível em: https://www.revistas.usp.br  acesso em 25/03/22
SELIGMAN, M. E. P.  Florescer - uma nova e visionária interpretação da felicidade e do bem-estar. Rio de Janeiro: Objetiva, 2011.
Alberto Carlos Paschoaletto
Coluna: (CONS)CIÊNCIA & VIDA
                                                                       Caminho Livre pelo Pensar Filosófico.
                                                       Jornal Tribuna do Guaçu
 
[1] Professor Universitário, com graduação em Ciências Jurídicas e Sociais; pós-graduação em Gestão Empresarial, Psicologia Organizacional e do Trabalho; Mestrando em Desenvolvimento Sustentável e Qualidade de Vida.
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