22/05/2021 às 10h42min - Atualizada em 22/05/2021 às 10h33min

O imperativo do diferente nos constructos identitários – Ser autêntico!

Alberto Carlos Paschoaletto
      Em nossa temática filosófica dessa semana, abordaremos a dimensão da insignificância do ser em relação ao tamanho do Universo e a importância do Outro nos processos identitários. Para sintonizar as expectativas abordaremos, como já fiz outras vezes, a necessidade de um projeto de vida edificado em terra firme, e, isso significa uma família, uma comunidade e uma crença de que existe uma causa primária, inteligência suprema do Universo que nos faz crer numa subjetivação do ser para uma essência (corpo espiritual. Perder essa referência espiritual é expor-se ao mundo de forma alienada e seduzidos pela ótica do consumo onde impera a Humanização das coisas, e, para atenuar tamanho caos nossa sociedade coisifica o Humano, através da compensação material dos hábitos consumistas financiados pelas bandeiras dos cartões de crédito para humanizar a coisa (o objeto de consumo). Parece-nos que o sentido do nosso dialogo, logo de começo, é uma provocação para pensarmos e repensarmos as metas e objetivos que projetamos para esse ano, e, nesse sentido proponho percorrermos, ao longo dessa nova série, nos labirintos da objetividade com que Ricoeur pensou o problema da alteridade e do reconhecimento do outro, e, dialogarmos projeto de vida através das ideias de H. ROHDEN, em sua clássica abordagem filosófica univérsica, para então, a partir daí possamos compreender alguns conceitos que buscam analisar a questão central da campanha da Fraternidade desse ano, através de uma abordagem filosófica. Muita calma nessa hora, e, vamos lá. Como vejo o outro? O que podemos analisar nesse tema? Para começo de conversa, é preciso entender o alcance entre o moral e a moral. Vejamos: Enquanto o respeito ao moral alcança o mal que poderia ser feito ao outro, a partir de uma convenção social vigente, para punir o outro, a moral (atende que é no feminino) abrange a solicitude que permite ir ao encontro do outro, por uma luz interior que ilumina a visão para suas necessidades e dá o impulso em auxiliá-lo. Pois então, existe uma diferente concepção entre o moral (no masculino) e a moral (no feminino). Fiquemos atentos nisso e ainda mais, segundo Ricoeur, o respeito a moral desperta a questão do reconhecimento, pois contribui para que a “não violência” faça parte da nossa história de vida. Descortinaremos ao longo do tema que a casa pode ser o planeta, e o próprio Universo em sua concepção infinita, como também pode ser o próprio pensamento. É preciso então, analisar nossa responsabilidade e as consequências das ações que impactarão ambas quando não agimos com respeito e moderação. Fazendo um contraponto em Ricoeur que vão garantir uma forma autêntica de reconhecimento do outro e que foge às alternativas da luta e da violência.
Paul Ricoeur, que notoriamente foi um grande filósofo e pensador que desenvolveu suas ideias no período que se seguiu à Segunda Guerra Mundial (nasceu em 27 de fevereiro de 1913 em Valence, França e faleceu em 20 de maio de 2005, em Châtenay, França).  Após essas considerações iniciais concentraremos nosso foco no estudo de duas obras de sua autoria: “O si mesmo como um outro” com Tradução de Lucy Moreira Cesar. Campinas: Papirus, 1991 e “Percurso do reconhecimento”, obra com Tradução de Nicolás Nyimi Campanário. São Paulo: Loyola, 2006. Pois bem, uma vez esclarecido as referências que seja, então, o nosso grande desafio: - Tomar como partida que todas as pessoas são regidas por algo que faça sentido em suas vidas, isto é, buscam conhecer a si mesmas e o mundo ao seu redor o tempo todo e, buscando o autocontrole alternam em ciclos, ansiedade e depressão, enfim, não conseguem a plenitude da Paz e Bem e a vida é rebaixada para um nível inferior e simplesmente sobrevivem! Nesse caso, mesmo com a prosperidade, o simbólico da queda é inevitável, do tipo: Para subir, ele desceu! Ou, ainda “Ele caiu pra cima” Um ótimo exemplo do que estou explicando é o pensamento oriental expresso na fábula do cultivar os jardins: “Se queres borboletas, ocupe-se em não as perseguir, pois se assim o fizer serão rivais em sua “caça”. A grande sabedoria, nesse caso, está em ocupar-se lavrando a terra e cultivando o jardim, pois assim sua alma encontrará a Paz e Bem, e, neste contexto as borboletas lhe serão amigas, marcarão presença habitual e costumeira neste jardim”. É preciso deixar que a casa floresça, seja ela na dimensão do Planeta ou do Pensamento.
Caro leitor: Temos o livre arbítrio e a vida é feita de escolhas, porém, para fazer escolhas é preciso aprender a lidar com as incertezas do verbo viver. A vida caminha de braços e abraços com a morte, sua única companheira em todos os momentos. Nossa única certeza, graças a Deus! A única coisa que sabemos, desde quando nascemos, é que a morte um dia chegará, e, simbolicamente cada ser carrega em si o berço e o caixão, numa andança semelhante ao povo na fuga do Egito que sobre os ombros, carregavam o fardo do berço/caixão, assim como no mito de Sísifo, carregando o peso do mundo em seus ombros e escalando eternamente a montanha dos problemas com a pedra que teima em rolar ladeira abaixo. Assim, como Sísifo, muitos de nós quando não encontram paz na religião vivem sua eterna lavra penosa, em vão olham as pedras que rolam.
Pensemos, todos nisso!
 
Pensemos, todos nisso!

Alberto Carlos Paschoaletto
Coluna: (CONS)CIÊNCIA & VIDA
Caminho Livre pelo Pensar Filosófico.
 
 
 
 
 
[1] Educador!
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Alberto Carlos Paschoaletto é Professor Universitário, graduado em Ciências Jurídicas e Sociais; pós-graduação em Gestão Empresarial, Psicologia.

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