12/03/2022 às 08h28min - Atualizada em 12/03/2022 às 08h26min

BRAÇOS E ABRAÇOS NO MAR DOS AFOGADOS : DESCOBRINDO OS SEGREDOS DA HARMONIA.

(CONS)CIÊNCIA & VIDA

(CONS)CIÊNCIA & VIDA

Alberto Carlos Paschoaletto é Professor Universitário, graduado em Ciências Jurídicas e Sociais; pós-graduação em Gestão Empresarial, Psicologia.

Muito se fala sobre os Alphas serem a geração mais inteligente de todas, e esta percepção se deve em parte por essas crianças estarem inseridas em um ambiente com estímulos constantes
PASCHOALETTO[1], Alberto C.
Explorando atitudes reflexivas em Tempos de intensas mudanças
 
Para pensarmos uma educação que atenda a realidade da Industria 4.0 ou também conhecida como Quarta Revolução Industrial, juntando uma ampla gama de sistemas tecnológicos avançados, como inteligência artificial, robótica, Internet das Coisas e computação em nuvem como vetores de sinalização aos novos padrões de produção e dos modelos de negócios no Brasil e no mundo no momento de intensa e profunda necessidade de inovação disruptiva.
 
Mas, até onde estamos conscientes do que é a nossa realidade, hoje e no próximo ano? Sabemos, hoje, como é o mundo atual, agora BANI, onde nossas vidas acontecem numa nova ordem de transição planetária para explicar pelo acrônimo em inglês e aportuguesado para FANI (Frágil, Ansioso, Não-linear e Incompreensível).
 
Somos habitantes do Planeta, e, do ponto de vista amplo, coletivamente formamos um mar de fogueiras, tais como a figura de imagem de que somos seres de luz, pois cada qual possui sua luz própria brilhando, única, em sua identidade. Como neste lindo poema de Eduardo Galeano:
 
“ Um homem da aldeia de Neguá, no litoral da Colômbia, conseguiu subir aos céus. Quando voltou, contou. Disse que tinha contemplado, lá do alto, a vida humana. E disse que somos um mar de fogueirinhas. O mundo é isso: Um montão de gente, um mar de fogueirinhas. Cada pessoa brilha com luz própria entre todas as outras. Não existem duas fogueiras iguais. Existem fogueiras grandes e fogueiras pequenas e fogueiras de todas as cores. Existe gente de fogo sereno, que nem percebe o vento, e gente de fogo louco, que enche o ar de chispas. Alguns fogos, fogos bobos, não alumiam nem queimam; mas outros incendeiam a vida com tamanha vontade que é impossível olhar para eles sem pestanejar, e quem chegar perto pega fogo”. (O Livro dos Abraços, 2002).
 
 
A Educação como um direito universal do indivíduo e alicerce social
 
No mundo atual, mais do que nunca fica indispensável para o exercício da cidadania, uma educação transformadora a ponto de despertar nos indivíduos uma consciência local e global. Na Educação Básica, é formidável considerar as práticas do educar e a ética do cuidar, sem as quais perderá ela, educação, sua função social, como exercício de cidadania e, preferencialmente sua abordagem deve ser Centrada na pessoa do educando que em formação na sua própria dignidade da essência humana para alçar voo (como disse Rubem Alves) para ganhar os céus e se integrar como uma partícula do coletivo planetário ao mesmo tempo em que será chamado futuramente a colaborar para o bem estar da própria coletividade humana.
 
Faz, então, sentido que a educação deve estar fundamentada como prática social através do estímulo do exercício consciente da cidadania e na dignidade da pessoa, o que pressupõe despertar uma consciência no educando para valores como igualdade, liberdade, pluralidade, diversidade, respeito, justiça social, solidariedade e sustentabilidade, para que assim também possa ser uma fogueirinha que vista na ampla dimensão planetária, despertar-se-á como luz em sua própria identidade global e local. Cabe, ainda, destacar que esses valores se tornam questão basilar da educação como prática social onde a riqueza dos valores e das diferenças é manifestada pelos sujeitos do processo educativo, em seus diversos segmentos, de acordo com o tempo e o contexto no espaço sociocultural numa relação de plena confiança e respeito.
 
E, para que cada pessoa tenha sua identidade é importante destacar o direito de toda pessoa ao seu pleno desenvolvimento, à preparação para o exercício da cidadania e à qualificação para o trabalho, enfim, para tornar-se fogueirinha é preciso reconhecer o direito de toda pessoa ao seu pleno desenvolvimento e sua preparação para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho.
 
Assim, as palavras-chave da educação transformadora centrada na pessoa, em nosso ponto de vista são:
 
Revelação: A motivação do comportamento não está dentro do corpo, mas no ambiente onde vive. Pode até mesmo que seja no ambiente interno do próprio organismo, pois o organismo é considerado parte do ambiente, mas podem existir comportamentos provocados por uma doença;
Transformação: Nessa abordagem, o comportamento como a relação de um organismo saudável e pleno das complexas partes que formam o todo do indivíduo (abordagem complexa do Ser biopsicossocial) na sua relação com o ambiente onde se estrutura sua história de vida. Nas diversas fases da vida passamos do comportamento inconsciente da infância, para o pré-consciente da adolescência e juventude para o consciente da maturidade;
Enfrentamento: Através de processos cognitivos produtores de comportamentos que requeiram uma densidade maior de reforçadores positivos, tais como: Esporte, Cultura, Literatura, Artes e Letras na vida do adolescente aumentando sentimentos de bem estar e a redução de contingências aversivas e o desenvolvimento de habilidades de enfrentamento de situações adversas inevitáveis;
Desenvolvimento: Ao longo da história de vida e através dos estímulos exteriores em uma série de relacionamentos, onde a identidade é construída como um pano que é tecido em suas diversas tramas (família, escola, mundo) e que se entrelaçam entre elas onde o comportamento é regulado e modelado pela convivência.
 
 
Como educar em meio as incertezas do mundo BANI?
 
Para isso é sucinto reconhecer que o conjunto de valores e práticas que ajustam a produção, a socialização de significados no espaço social e cooperam fortemente para a construção de identidades socioculturais dos educandos, para assim abastecer as ditas fogueirinhas.
 
Isto posto, salvo melhor opinião do leitor, o currículo escolar precisa difundir os valores fundamentais do interesse social, dos direitos e deveres dos cidadãos, do respeito ao bem comum e à ordem democrática, considerando as condições de escolaridade dos estudantes em cada estabelecimento, a orientação para o trabalho, à promoção de práticas educativas formais e os nãos formais. É importante também garantir padrão de qualidade, com pleno ingresso, inserção e conservação dos sujeitos das aprendizagens na escola. Para desenvolver uma identidade que seja fogueirinha, a escola deve ter qualidade social e adotar como centralidade o estudante e a aprendizagem.
 
Integram-se para esforços em conjunto, o poder público, a família, a sociedade e a escola pela garantia a todos os educandos de um ensino ministrado de acordo com os princípios de: igualdade de condições de acesso, inclusão, permanência e sucesso na escola; liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber; pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas.
 
Assim, no ponto de vista pretendido ao longo dessa série as etapas e as modalidades do processo de escolarização estruturam-se de modo orgânico, sequencial e articulado, de maneira complexa, embora permanecendo individualizadas ao longo do percurso do estudante, apesar das mudanças por que passam sem perder o que lhes é comum: as semelhanças e as identidades que lhe são inerentes, visto que o projeto político-pedagógico deve ser elaborado e executado pela comunidade educacional para respeitar nos educandos seus tempos mentais, sócios emocionais, culturais e identitários e garantir que tenham a oportunidade de receber uma formação que corresponda à idade própria de percurso escolar. Consequentemente, os vínculos de família, dos laços de solidariedade humana e do respeito mútuo em que se assenta a vida social devem iniciar-se na Educação Infantil e sua intensificação deve ocorrer ao longo da Educação Básica.
 
Assim, espera-se que os sistemas educativos devam empenhar esforços para promover ações a partir das quais as unidades de Educação Infantil sejam dotadas de condições para acolher as crianças da geração Alpha, futuras fogueirinhas, em estreita relação com a família, com agentes sociais e com a sociedade. As crianças nascidas a partir de 2010 formam a mais nova geração, chamada Geração Alpha que são os filhos da geração Millenials e conhecida como Y.  
 
As crianças Alpha já pertencem a um mundo tecnológico e conectado desde os primeiros meses de vida, sendo conhecidos como nativos digitais. Para eles não existe mais separação entre o digital e a “vida real”.
 
 
As diferentes gerações e suas  principais características
 
Isso faz com que tenham novas formas de se relacionar, de aprender e de experimentar o mundo à sua volta. Suas principais Características são: É a mais influenciada pela tecnologia até agora: seu marco de início em 2010 se deve ao lançamento do primeiro iPad, e desde então os pequenos interagem com o mundo através da tecnologia praticamente desde seu nascimento. Essas crianças se sentem mais confortáveis navegando com um tablet ou falando com um assistente de voz do que a maioria dos adultos de hoje. Outra característica da Geração Alpha é ter nascido de pais mais velhos, em geral em unidades familiares menores, com lares com somente um filho. Com a rotina corrida, aproveitar cada momento juntos é essencial e por isso estão se fortalecendo as relações de troca entre pais e filhos. Na verdade, os Alphas valorizam muito mais as experiências do que os objetos e bens materiais. Eles querem inventar, interagir e se conectar sempre. Em geral, são crianças atentas e observadoras. Muito se fala sobre os Alphas serem a geração mais inteligente de todas, e esta percepção se deve em parte por essas crianças estarem inseridas em um ambiente com estímulos constantes. Mais livres, versáteis, questionadores e hiperconectados: Estudos apontam que a Geração Alpha chegará aos 2 bilhões de pessoas no mundo até 2025 e promete trazer mudanças ainda mais profundas para a sociedade. Outro ponto relevante é que os Alphas aprendem fazendo: para eles, o conhecimento é adquirido através da experiência e as escolas precisam oferecer ambientes que estimulem esse tipo de aprendizagem. É essencial incentivar na geração Alpha o pensamento crítico e a habilidade de resolução de problemas, para que eles consigam compreender e transformar uma realidade tão complexa em inovações disruptivas. Tudo indica que essa geração vai conviver com tecnologias cada vez mais avançadas de inteligência artificial, e o seu papel no mundo será justamente trazer o diferencial humano diante das máquinas. Portanto, habilidades como a criatividade, a empatia e a inteligência socioemocional se tornarão cada vez mais valiosas, devendo ser estimuladas desde a infância. Assim, a geração Alpha será capaz de trazer o melhor de si mesma para a construção de um futuro que nenhuma outra geração conseguiria imaginar. Cabe aqui ressaltar que todas as outras gerações foram baseadas na competição, onde é (ou era) imperativo a famosa lei de que os mais fortes sobrevivem, quiçá os Alphas inverterão essas regras do jogo, agora totalmente colaborativo e os competitivos, cada vez mais jurássicos, demonstram toda a inconsistência de uma sociedade escrava do ego e das coisas. Pois bem, nobre leitor, deixemos agora que os meninos e meninas Alpha desconstruam os 7 (sete) templos dos pecados capitais, um a um. Vejo que essas crianças serão nossos mestres, e, darão um show em relação a baixeza com a qual as gerações anteriores construíram seus impérios da vaidade e da competição, feito gladiadores em arena de guerra. 
 
Conclusão
 
Somente assim os alfas (as fogueirinhas de Galeano) serão luzes percebidas enquanto a lua brilha formosa sem ofuscar cada qual seu brilho.
 
Cabe, finalmente, concluir esse trabalho citando uma frase de Huberto Rohden “Todo o segredo da harmonia está na integração, em saber adaptar o seu próprio caráter e gênio ao caráter e gênio do outro, fazer de si um complemento do outro. Integrar não quer dizer identificar, como não quer dizer destruir; é completar”.
 
Lembre-se: Em terra de cego quem tem um olho é Rei! Pensemos nisso enquanto refletimos o texto.
 
 
REFERÊNCIAS
 
BLOG IEEP - Os melhores artigos em Gestão Ágil e Liderança:  Artigo> Mundo BANI: o que é e como pode impactar sua rotina? Disponível em https://www.ieepeducacao.com.br :  Acesso em 06/03/22
 
CÁSCIO, Jamais. Enfrentando a Era do Caos. Original: Facing the Age of Chaos. Site: https://medium.com/ disponível em https://medium.com/@cascio/facing-the-age-of-chaos-b00687b1f51d acesso em 20 fev. 22
 
GALEANO, Eduardo. O livro dos abraços. Tradução de Eric Nepomuceno; - 9. ed. – Porto Alegre: L&PM, 2002.
 
ROHDEN, Huberto. A Nova Humanidade. Estágios evolutivos do homem, desde o homem animal, através do homem hominal até o homem Crístico. Martin Claret; 3ª edição, São Paulo, 2002.
 
SANTOS, B. P., Alberto, A., Lima, T. D. F. M., & Charrua-Santos, F. M. B. (2018). Industry 4.0: Challenges and opportunitiesRevista Produção E Desenvolvimento. https://doi.org/10.32358/rpd.2018.v4.316 acesso em 06/03/22
 
  
Alberto Carlos Paschoaletto
Coluna: (CONS)CIÊNCIA & VIDA
                                                                                                        Caminho Livre pelo Pensar Filosófico.
                                                                                                           Jornal Tribuna do Guaçu
 
[1] Professor Universitário, com graduação em Ciências Jurídicas e Sociais; pós-graduação em Gestão Empresarial, Psicologia Organizacional e do Trabalho; Mestrando em Desenvolvimento Sustentável e Qualidade de Vida.
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