13/02/2022 às 08h33min - Atualizada em 13/02/2022 às 08h27min

Literatura por excelência: leitores esclarecidos compreendem a influência entre o Ser, signo e significante e são livres intelectualmente.

PASCHOALETTO[1], Alberto C.

Procurando a gênese filosófica
Em primeiro lugar, é importante dizer que não existe uma filosofia única e fronteira entre filosofia, ciência e cultura. A filosofia é a origem da ciência como a conhecemos hoje no apoio espiritual do axioma crítico e esclarecido que afronta a tolice do pensamento dogmático, e, consequentemente do moralismo (por favor, não confundir o moralismo com a moral se for o caso, consulte essa diferença dialética que estou articulando aqui para não entender errado) e idealismo, que juntos são “grades” e “muralhas” negacionistas da essência da consciência.
Esta é uma diferença fundamental da esperança tola ou da esperança que enfrenta a tolice, em que se propõe pelo título o alcance e amplitude deste texto, pois estou mencionando a fonte em Nietzsche quando distingue entre a filosofia de negar a vida e a filosofia de confirmar a vida. Mas: Qual é a filosofia que nega a vida?
Para ele são aqueles que dizem que o mundo em que vivemos é errado, é mau, e no céu há outro mundo que será um mundo melhor ou então que devemos esperar um salvador para o mundo surgindo para socorrer os desafortunados do pensamento aclarado do saber.
 
Mesmo sob o sol tem muitos tons de cinza
Essa forma de avaliar o mundo em que vivemos são os resquícios de uma cultura de desperdício, e os resquícios de pessoas ainda com essa forma de pensamento, cuja vontade de vida, seu próprio pensamento sobre a vida e sobre si mesmas foram enfraquecidos frente ao conhecimento que está lá fora da caverna (Mito da caverna de Platão que no livro A República, narra o diálogo entre Glauco, seu Irmão e Sócrates, Mentor de Platão) e, quem pensa que o mundo é um equívoco, que é um mal, ou que a vida é um equívoco, também vive dessa forma fragilizada na escuridão dessa caverna mitológica.
Toda a tolice de um pensamento sem cultura, é o fermento que serve para a exploração do homem, pelo sistema cultural (do próprio homem) e que também funcionará assim, enfraquecendo os indivíduos subservientes desse ciclo restrito em trabalho/consumo sem qualquer outra percepção do que está do lado de fora da caverna.
Deixam sua liberdade intelectual e espiritual por uma vida miserável em um sentido bio-psico-social massa de manobra da indústria de massificação, e sem acesso a visão crítica de mundo vivem em negação da vida e do mundo, sua energia e força tornam-se fracas pois foram resumidas em viver para trabalhar, e, consumindo dinheiro para solver as contas e assim passam os anos e vidas sem sentido, em muitos tons de cinza.
Quando a esperança encontra a filosofia, os corações, mesmo de um adulto se assemelham ao Sol que está lá longe e a imaginação ganha alento para o equilíbrio de forças assim como as asas do avião em pleno voo no firmamento e que se perdem ao longe, lá no horizonte de rubro arrebol, fenômeno esse onde a noite trava uma batalha com o astro rei, o Sol. Sim, caríssimo leitor, uma mente aberta para a luz do pensamento (livre e esclarecido) é quase como um filme de ficção científica pois a própria mente abre "as portas" para diferentes "mundos" e que estão lá no horizonte fronteiriço entre o dueto dicotômico objetivação/subjetivação. Além de ajudar a formar pensamentos críticos e iluminados, também ajuda a refinar as visões sobre todas as condições que existem e se tornam o mundo, ou seja, olhamos com mais sensibilidade para tudo ao nosso redor. Outra questão relacionada é que cria possibilidades para ficcionistas e admite que eles possam "experimentar" muitas biografias e histórias em uma única experiência de leitura. Se uma criança não lê também não lerá quando adulta e trará apenas sua própria história como cosmovisão e leitura crítica da realidade do mundo exterior, escasseará o contexto de qualquer texto que se puser a ler, sem relação sistêmica com nada; triste, mas real o analfabetismo funcional o que implica na perda da autonomia uma vez que embora saibam reconhecer letras e números, são incapazes de compreender textos simples, bem como realizar operações matemáticas para problemas do dia a dia.
BS.: Para se aprofundar mais, click no link e leia esse outro texto: https://portaltribunadoguacu.com.br/coluna/51/em-busca-da-genese-filosofica-para-elucidar-o-inevitavel-acaso-do-ser
 
A inversão esquerda-direita é apenas ilusória...
Pois bem, agora imagine o contrário, se essa criança cresce ao lado da literatura, ela será capaz de visualizar muitas outras possibilidades para ela e para o mundo ao seu redor. Assim, com a ideia em contribuir para agregar elos de valor através da reflexão que cada tema de nossos textos possibilita, e, selecionar criteriosamente as obras literárias que serão base referencial que embora sejam eternas, pois são clássicos, mas cabe ao articulista trazer para uma abordagem atual e que sejam acompanhados pelas mudanças no contexto social, cultural e histórico em que estamos vivendo. Nossos textos, sempre são oportunidades de uma pausa para a leitura, sim, nobre leitor, você não pode querer um texto filosófico como se estivesse lendo uma revista de curiosidades ou assuntos do cotidiano. Textos filosóficos são para ser lidos, compreendidos e analisados como um constructo de pensamento, e, deve provocar a reflexão e o incômodo de sair da zona de conforto, então, se for para ler nossos textos, é bom que saiba que o ideal é reservar 30 minutos do seu tempo, ler e se for o caso, reler e depois abrir a mente para esvaziar dos modelos mentais ou pelo menos enfrentá-los, pois somente assim sairemos da mesmice de uma vida insossa. Pois então, que sejamos o sal da terra. Eis aí o que melhor define quem são apreciadores da filosofia. E, quando falamos de sal, lembramos de duas principais propriedades principais, a saber: ele ressalta o sabor e preserva os alimentos. Quando a Sagrada Escritura nos fala para sermos sal da terra, está falando para nós “condimentarmos” o ambiente no qual estamos.
Nossos textos são únicos e cabem em seu próprio começo, meio e fim, mas também queremos discorrer cada enredo articulado como possibilidade que nos propicia o conhecimento para pensar ou repensar costumes, características, gostos e noção de beleza (Juízos éticos e estéticos) de épocas ou linhas de pensamentos de seus respectivos autores, distantes e ao mesmo tempo, próximos de nós como uma obra de vários volumes. A nossa Obra se chama: CONSCIÊNCIA & VIDA e cada artigo desta nossa coluna são como capítulos da Literatura do nosso acervo de LAVRA LITERÁRIA FILOSÓFICA onde a terra é solo fértil do pensamento que busca ampliar horizontes do conhecimento através dos livros e, afinal o espelho plano reflete, ponto a ponto, exatamente a imagem que está voltada para ele e quem tem olhos que veja e ouvidos que ouça.
OBS.: Para se aprofundar mais, click no link e leia esse outro texto: https://portaltribunadoguacu.com.br/coluna/60/os-contornos-literarios-e-as-significacoes-filosoficas-da-metafisica-ontologica-um-atributo-ao-ser
 
Cada letra germina a palavra que floresce o texto
Embora os conteúdos filosóficos são como as sementes que esperam pelas mãos daqueles que se dispõe lavrar os rincões do pensamento, através da difícil tarefa da leitura em conteúdos densos e complexos como um martelo capaz de quebrar as barreiras da ignorância para alcançar a compreensão do processo de refração e influência mútua entre o ser e signo, significado e significante que embora sejam mais profundos da norma culta, com a devida e respeitosa licença, meu caro leitor: - Uma leitura difícil, mas não pela intencionalidade de fazê-lo, mas pela própria profundidade do pensamento em articulação através dos recursos semânticos.
Então, uma dica: Sempre ao ler um texto, consulte uma palavra que não está parecendo fazer sentido, investigue e busque o significado (hoje é muito simples, basta digitar a palavra no google). A leitura de quem não está simplesmente fazendo hora ou mantando o tempo (não que seja errado, mas não é o nosso caso) apura a visão crítica e leitura de mundo e enfrenta a estupidez dos atos praticados sem o equilíbrio entre Razão e Sensações e isso pode ser altamente crítico sobre todas as situações; ou seja, olhamos de forma mais sensível para tudo o que nos cerca e que nomeamos de COSMOVISÃO.
 
A Literatura é a chave de acesso do Universo Interior
Ademais, a leitura, admite “experienciar” muitas vidas numa ÚNICA essência. Se o cidadão não lê, ele só traz consigo sua própria história como parâmetro de vida e, através da Leitura (nossos textos dessa coluna, preferencialmente) ele, cidadão, poderá conjecturar muitas outras possibilidades para si mesmo pois ampliará a sua percepção de mundo e a consciência de si mesmo diante do universo de possibilidades que estão aí no mundão.
Ao estimular leitura em CLÁSSICOS, visto que os textos desta coluna são sempre elaborados com uma base referencial Literária e “estimula” autonomia e “valoriza” a NORMA CULTA DA NOSSA LÍNGUA, e estando lado a lado com a norma culta, tornemo-nos menos vulneráveis perante a indústria de massificação cultural pois agrega valores através das reflexões que ela admite. Como bem sabemos, a produção literária abraça as mudanças dos contextos social, cultural e histórico além disso, os enredos literários nos propicia o conhecimento de culturas, características, anseios que se expressam nas Belas Artes ou nas narrativas ficcionais de épocas distantes ou próximas de nós.
OBS.: Para se aprofundar mais, click no link e leia esse outro texto: https://portaltribunadoguacu.com.br/coluna/36/a-busca-de-si-mesmo-no-caminho-estetico-da-prosperidade-existem-sistema-de-sinais
 
Impressões epistemológicas do Amor ao saber
A Literatura é um instrumento de empoderamento pois ressoa como a voz do enfrentamento que ANUNCIA e DENUNCIA para a mobilização na dinâmica social. A Literatura enriquece VOCABULÁRIO de quem escreve, lê ou fala e quando nos apropriamos de uma gama cada vez maior de vocábulos, o que faz com que tenhamos mais opções para formular hipóteses e para defender diferentes pontos de vista e comunicação fluída e assertiva. Se de um lado, quanto mais se estuda obras literárias, melhor se escreve e melhor se fala, de outro lado o olhar da Literatura é TERAPÊUTICO, pois permite a abstração da nossa realidade e, ao mesmo tempo dá a oportunidade de “retornar” desigual ao status quo após cada leitura. Literatura é definida no campo do conhecimento como arte, sustento d´alma. Quando lemos ou dialogamos um bom livro, frações MARCANTES desenvolvem constructos cognitivos, não apenas na memória, mas no contexto da própria vida considerando as características dos personagens e as tramas que os envolvem, enfim, gera conhecimento.
 
Conclusão
A realidade é que um leitor alcança o que está atrás da parede da ignorância, seu pensamento está iluminado pela luz do sol que está fora da caverna, pleno em sua autonomia pela luz do conhecimento mas a pessoa que está acorrentada na caverna (signo da ignorância) vê isso de forma muito diferente, pois as imagens são reflexos na sombra do objeto da realidade que está lá fora. No livro referenciado, Glauco pergunta como esse caso se aplica ao nosso mundo e Sócrates continua explicando que algumas pessoas podem começar a perceber que as sombras não constituem a realidade em sua verdadeira forma pois não passa de sombra projetada na parede. Se lhes fosse dito, eles nem seriam capazes de entender, porque não conheciam a forma humana, e não conheciam o som do ser humano.
Pensando assim, posso propor que o melhor começo para se aproximar dos textos filosóficos da nossa coluna filosófica, onde cada tema conversa uma intimidade com obras Literárias em profusão com um propósito relacionado ao tema, onde cada texto discorre diferentes amarrações entre texto/Contexto ou como diz O Teatro Mágico na música “Sintaxe à Vontade”, de autoria de Fernando Anitelli. É só pesquisar no youtube, ou no google. Por isso, fica o meu convite: Aproprie essa ideia, venha e “sintaxe à vontade” uma vez que ... leitores esclarecidos compreendem a influência entre o Ser, signo e significante e são livres intelectualmente, ponto final.
 
 
REFERÊNCIAS
 
JOSÉ V. DE QUEIRÓS, Antônio. Os bastidores da caverna de Platão (entrelinhas de uma alegoria). O que nos faz pensar, [S.l.], v. 17, n. 24, p. 95-115, oct. 2008. ISSN 0104-6675. Disponível em: <http://oquenosfazpensar.fil.puc-rio.br/index.php/oqnfp/article/view/263>. Acesso em: 09 fev. 2022.

O TEATRO MÁGICO - Sintaxe à vontade [ÁUDIO OFICIAL]. Disponível em:  https://www.youtube.com/watch?v=x71Oy7bH6o8 . Acesso em: 08 fev. 2022.
 
PLATÃOA República. (trad. Enrico Corvisieri) São Paulo: Nova Cultural, 1999. (Col. Os Pensadores).
 
VIEIRA, M.A. Signo e significante. Scilicet - Sinthoma e Semblantes, São Paulo, EBP, 2009, pp. 336-340.
 
 
 Alberto Carlos Paschoaletto
Coluna: (CONS)CIÊNCIA & VIDA
                                                                                                   Caminho Livre pelo Pensar Filosófico.
                                                                                                      Jornal Tribuna do Guaçu
 

[1] Professor Universitário, com graduação em Ciências Jurídicas e Sociais; pós-graduação em Gestão Empresarial, Psicologia Organizacional e do Trabalho; Mestrando em Desenvolvimento Sustentável e Qualidade de Vida.
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(CONS)CIÊNCIA & VIDA

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Alberto Carlos Paschoaletto é Professor Universitário, graduado em Ciências Jurídicas e Sociais; pós-graduação em Gestão Empresarial, Psicologia.

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