24/01/2022 às 08h37min - Atualizada em 24/01/2022 às 08h34min

Janeiro: Transição polarizada (guerra/paz) e alegria ressignificada diante do Templo!

 
PASCHOALETTO[1], Alberto C.
 
O templo com as portas abertas
 
Janeiro traz em sua genealogia etimológica, do latim Januarius, mês dedicado a Janus, divindade de duas faces que olhava para frente e para trás na mitologia greco-romana e protetor dos Portais Entrada/Saída e da trajetória de ligação desses dois pontos opostos: Começo e Fim! No mito romano simbolizava os términos e os começos, o passado e o futuro, o dualismo relativo das coisas. Seu templo tinha as portas principais abertas em tempos de guerra e fechadas em tempos de paz. Portanto, podemos refletir em  dar um sentido para Janeiro suas duas faces, uma voltada para o futuro e outra voltada para o passado . Então, janeiro é o mês para olhar o ano final e se preparar para ultrapassar o portal, do ano novo. Antes de mais nada, se a porta esteve aberta é porque lá dentro os doze meses estão em campo de batalha. Assim, é tempo de iniciar  buscando ampliar as emoções positivas para fazer frente aos desafios de um ano novo, onde para tanto buscaremos trilhar nosso texto pelos caminhos da prática filosófica do sucesso, do qual cabe ressaltar a importância do desenvolvimento das forças e virtudes para que produzam ou reproduzam prazer, e, portanto que possibilite o pensamento reflexivo necessário para transcender significativamente a vida, através da felicidade autêntica, em diferentes segmentos dela, a vida, tais como trabalho – como desenvolver as suas forças pessoais nas rotinas profissionais, e, assim, recriá-las, tornando-se uma vocação – no amor, mais especificamente no casamento, afirmando-se que esse é tanto melhor quanto mais se torna um veículo para uso diário de nossas forças pessoais – e na criação de filhos, com orientações práticas de como desenvolver emoções positivas.
 
Os contornos literários e as significações filosóficas da metafísica ontológica: Um atributo ao Ser! - PORTAL TRIBUNA DO GUAÇU (portaltribunadoguacu.com.br)
 
Alegria ressignificada lembra Felicidade autêntica
 
De acordo com Seligman, pesquisador da psicologia positiva e autor dos livros Felicidade autêntica e Florescer, suas principais obras sobre o que estamos discorrendo no texto de hoje, e, para esse autor são quatro tipos de vida que podemos escolher: a agradável, a boa, a significativa e a plena. Vejamos cada um destes tipos, a seguir:
  • A vida agradável - é a que busca os sentimentos positivos, bem como o desenvolvimento de habilidades para aumentar essas emoções;
  • A vida boa - vai além dos sentimentos, e visa utilizar as forças pessoas para produção de gratificação abundante;
  • A vida significativa - constitui igualmente um passo a mais, e define-se pela busca de alguma coisa maior que nós mesmos, tal como encontrar um significado da nossa própria existência, enfim, a realização. Quem não encontra esse nível na vida, está arriscado a “morrer de velhice antes dos trinta e de emboscada antes dos vinte” como já nos disse João Cabral em Morte e Vida Severina;
  • A vida plena - por sua vez, é viver todas essas três vidas, de forma integrada e harmoniosa consciente que as portas do Templo de Janus estavam abertas e sua passagem por ela será marcada por uma trajetória onde cada dia do ano novo será transcorrido em campo de batalha o que implicará em sua capacidade de resiliência.   
 
Para saber mais: https://portaltribunadoguacu.com.br/coluna/33/a-literatura-e-seu-papel-de-construtora-de-juizos-esteticos-e-intercessora-da-totalidade-do-humano
 
A felicidade implica coragem, resiliência e propósito
 
Coragem do ponto de vista ontológico significa agir pelo coração, ou seja, deixar-se guiar pelos juízos estéticos e  por sua vez acolhe uma nova compreensão de valores onde os conflitos são mediados pela abordagem amorosa. Podemos entender que a felicidade se alcança do ponto de vista da subjetivação sem a necessidade de discursos éticos, pois a ética pertence ao mundo das objetividades, onde não existindo o amor, os conflitos entre são mediados por regras claras e objetivas. Resumindo: O território da ética tem seu portal no templo de Janus, onde termina o caminho do amor.
 
O texto de Seligman serve ao propósito de mudar a forma tradicional como as pessoas veem a psicologia. De fato, a chamada psicologia positiva tem sido descrita como um movimento revolucionário. Ajuda a entender as emoções coletivas, desenvolver força e vitalidade pessoal, níveis sustentáveis ​​de felicidade, satisfação e verdadeiro significado em nossas vidas.
 
O nosso autor de hoje nos assegura que quando a felicidade é o resultado de uma combinação de nossas forças e virtudes, a vida é cheia de autenticidade. Os autores se concentram em identificar os pontos fortes pessoais típicos de cada personalidade e entender como esses pontos fortes marcam o caminho para um maior sucesso na vida e uma realização emocional mais profunda. O trabalho de Seligman permite uma profunda reflexão pessoal e científica sobre a natureza da felicidade. É a psicologia de levar a sério o prazer, o prazer e o bem-estar, a dimensão do esquecimento na pesquisa clássica.
Para saber mais: QUE O ANO NOVO CHEGUE PRÓSPERO E QUE O AMOR CONTINUE SENDO FORTE! - PORTAL TRIBUNA DO GUAÇU (portaltribunadoguacu.com.br)
 
Além da ilusão: A felicidade convive bem nos altos e baixos  
 
Na primeira parte do livro, o autor aborda as emoções positivas transitórias e busca responder às perguntas ao longo do seu livro:
 
"Por que a evolução nos dotou de emoções positivas? Além de nos fazer sentir bem, quais são os papéis e consequências dessas emoções? Abundância de emoções positivas, quem não tem? O que as permite e as impede? Como as emoções mais positivas e estáveis ​​podem ser incorporadas à vida?"
 
Nesse conjunto de respostas Seligman mostra o quanto a psicologia clássica descuidou dos aspectos positivos da personalidade, ou seja, a felicidade como inerente ao juízo estético e atributo do humano. Ele articula que para cada 100 artigos publicados tratando do luto, apenas um trata da felicidade. Portanto, o objetivo de seu livro é preencher essa lacuna incentivando o campo da pesquisa científica em psicológica positiva que segundo ele acumulou conhecimento sobre dor, doença e tristeza como nuances de uma vida que para complementá-lo com novos conhecimentos sobre emoções positivas, virtudes e forças pessoais admite a felicidade, mesmo em meio as questões do cotidiano e sua palavra-chave: Resiliência!
 
Como já se tornou práxis em nossos textos pensatas CONSCIÊNCIA & VIDA, em discorrer sobre autores consagrados e suas obras e pensamentos que merecem a qualificação de excelentes para nossa Coluna Filosófica.
Para saber mais: https://portaltribunadoguacu.com.br/coluna/57/por-uma-etica-da-autenticidade-um-enfoque-do-ego-ismo-e-da-fogueira-de-vaidades-em-pleno-deserto-das-coisas-humanizadas
 
Uma visão essencial do positivismo de Seligman
 
 
As ideias da psicologia positiva de Seligman são fios condutores da Filosofia existencialista e humanismo que reverberam além dos anais e práticas da psicologia, pesquisadores ou filósofos, para alcançar o cidadão comum. E, confesso que mais me impressionou ao estudar essas obras foi a metodologia científica com a qual foram elaborados os argumentos que levaram à fundação dessa nova área da Psicologia – a Psicologia Positiva – inclusive, a última parte do livro FELICIDADE AUTÊNTICA revela as origens e os bastidores da criação dessa nova área. Enfim, dentre tantas novidades que estão contidas nessa obra, uma das mais úteis e interessantes, sem dúvida, é a distinção que se estabelece entre prazeres e gratificações, como requisitos para manutenção e abastecimento dos reservatórios de felicidade no momento presente. Seligman não descarta a importância dos prazeres como componentes da felicidade, mas lhes ressignifica a função, dando dicas úteis de como amplificá-los, bem como reforça o papel vital que as gratificações desempenham na construção de uma felicidade autêntica baseada no desenvolvimento de nossas forças e virtudes.
Para saber mais: https://portaltribunadoguacu.com.br/coluna/33/a-literatura-e-seu-papel-de-construtora-de-juizos-esteticos-e-intercessora-da-totalidade-do-humano
 
 
Conclusão: PESSOAS MAIS FELIZES SÃO MAIS QUERIDAS
 
Por fim não é um livro que fica só na teoria, pois dá exemplos práticos de como fatos que poderiam passar despercebidos – como o sorriso em fotografias antigas – pode revelar muito se a pessoa teve uma vida de felicidade autêntica ou não. São muito engraçadas as situações que o autor narra ter vivido com seus filhos pequenos, já que essas mesmas situações despertaram nele o momento “eureca” para diversas teorias que procurava explicitar.
 
Esse foi outro livro recheado de sublinhados e asteriscos, cujas ideias – diga-se profundas, brilhantes e incrivelmente simples merecem ser escritas e discutidas não só em artigos aqui da nossa coluna filosófica como também que seja uma orientação... Bom, é isso aí gente! Um grande abraço e pensemos nisso durante a próxima semana.
 
 
REFERÊNCIAS
 
ALVARENGA, Maria Zélia de. Mitologia Simbólica; São Paulo: Casa do Psicólogo, 2010.
 
BULFINCH, Thomas. O Livro da Mitologia. São Paulo: Martin Claret, 2013.
 
 
OLIVEIRA, Adilson de. O ESSENCIAL É INVISÍVEL AOS OLHOS – Departamento de Física, Universidade Federal de São Carlos. Texto publicado em 20.09.2013 e disponível em: https://cienciahoje.org.br/ acesso em 19/01/22
 
ROHDEN, Huberto. Rumo à Consciência Cósmica: Diretrizes para o autoconhecimento e autorrealização. Editora: Martin Claret, 2011 – 1ª edição.  
 
SELIGMAN, M. E. P.  Florescer - uma nova e visionária interpretação da felicidade e do bem-estar. Rio de Janeiro: Objetiva, 2011.
 
__________________. Felicidade Autêntica : usando a nova psicologia positiva para a realização permanente. Rio de Janeiro: Objetiva, 2004. 
 
 
Alberto Carlos Paschoaletto
Coluna: (CONS)CIÊNCIA & VIDA
                                                                                                         Caminho Livre pelo Pensar Filosófico.
                                                                                                           Jornal Tribuna do Guaçu
 

[1] Professor Universitário, com graduação em Ciências Jurídicas e Sociais; pós-graduação em Gestão Empresarial, Psicologia Organizacional e do Trabalho; Mestrando em Desenvolvimento Sustentável e Qualidade de Vida.
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(CONS)CIÊNCIA & VIDA

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Alberto Carlos Paschoaletto é Professor Universitário, graduado em Ciências Jurídicas e Sociais; pós-graduação em Gestão Empresarial, Psicologia.

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