31/12/2021 às 11h30min - Atualizada em 31/12/2021 às 11h28min

QUE O ANO NOVO CHEGUE PRÓSPERO E QUE O AMOR CONTINUE SENDO FORTE!

PASCHOALETTO[1], Alberto C.

Gênese paradoxal para a virada do ano
Nobre leitor, mais um ano se passou, e, incluímos neste texto a obrigação moral de agradecer ao Grande Arquiteto do Universo pela graça da vida em pleno ano de pandemia que se estendeu por todos os dias de 2021; paradoxalmente vivemos o sentido da vida com intensidade e chegamos aqui com um desejo universal de irmos ao encontro da felicidade – e, no entanto, poucos indivíduos são felizes. Distopia delegarmos a felicidade à Deus, que do ponto de vista filosófico balizaremos em dois grandes expoentes sobre o Bem e o Mal. Estamos falando do Trilema Paradoxal de Epicuro e a Resolução de Santo Agostinho, que negando a existência substancial do Mal, invalida o Trilema de Epicuro. Já por sua vez Epicuro afirma a existência real do Mal, o que exclui o argumento resolutivo de Santo Agostinho para o problema do Mal.
Para saber mais:
Eis o dilema: Se Deus é bom, por que existe o mal?
 Esta questão levantou fortes dúvidas contra os cristãos dos primeiros séculos da Igreja Católica, incluindo Santo Agostinho. O famoso e ainda estudado paradoxo epicurista exacerba essa suspeita. Epicuro foi um filósofo grego do período helenístico que agiu séculos antes do nascimento de Jesus em Nazaré, mas deixou um paradoxo, que se tornou um dos maiores problemas do cristianismo. O paradoxo epicurista nada mais é do que uma série de deduções lógicas, provando que não pode haver Deus, como uma personificação do bom, frente ao mau, sendo ao mesmo tempo onipotente, onisciente e onibenevolente para intervir na realidade do Mundo a favor de cada criatura.
 
Descomplicando o Paradoxo de Epicuro:
A primeira questão provocativa do paradoxo epicurista é que Deus se interpreta como um arquétipo formado pela tríade: Onibenevolência (bondade absoluta e infinitamente cuidadoso com cada criatura); Onisciência (conhecimento absoluto de tudo e todos que estão no mundo) e Onipotência (poder absoluto, irrestrito e ilimitado).  
Do ponto de vista filosófico o paradoxo epicurista nada mais é do que uma série de deduções lógicas onde para provar que Deus existe, em sua infinita Glória de Bondade, mas que também existe um correspondente Deus do lado oposto. No entanto, ao aplicar o paradoxo epicurista ao pensamento cristão, a primeira informação a considerar é que o Deus usado na premissa epicurista possui a série dos 3 predicados acima mencionados, derivados da crença cristã em Deus como um indivíduo, ou seja, reduz a divindade do Cristianismo e a complexidade do conceito de Deus a alguns aspectos da lógica criando uma imagem de seu clássico espantalho conceitual, ou arquétipo. É justo lembrar que Epicuro não criticou o Cristianismo porque ele morreu antes do nascimento de Jesus em Nazaré.
 
Por uma questão de Projeto de Vida e Livre Arbítrio
A imensa maioria da humanidade tem o potencial ou possibilidade de ser feliz – poucos têm a felicidade contemporânea ou alcançada. Poder ou querer ser feliz é uma felicidade incubada, porém não nascida, já ser-feliz é uma felicidade desabrochada e florescida.
Qual a razão última por que muitos homens não são felizes, quando o poderiam ser?
Muitos passam a vida inteira marcando passo no plano horizontal do seu ego externo e ilusório – nunca mergulharam nas profundezas verticais do seu Eu interior e verdadeiramente autêntico. E, quando a sua infelicidade se torna insuportável, procuram atordoar, esquecer, narcotizar temporariamente esse sentimento e seu revés a infelicidade, por meio de diversos expedientes da própria linha horizontal, onde a infelicidade surgiu inesperada. Não compreendem o seu erro de lógica e disciplina: horizontal não se compatibiliza a si mesma – assim como as águas do rio não movem as turbinas se colocadas ao mesmo nível da água corrente. Vivemos um mundo de completudes dicotômicas, ou seja, os labirintos que percorrem a jornada em busca da felicidade são assimétricos, mas, o encaixe é perfeito. Somente o vertical pode mover o horizontal – assim como somente as águas duma cachoeira podem mover uma turbina.
Para saber mais: https://portaltribunadoguacu.com.br/coluna/33/a-literatura-e-seu-papel-de-construtora-de-juizos-esteticos-e-intercessora-da-totalidade-do-humano
 
A constituição do conceito de ego e do superego
Quem procura curar os males do ego pelo próprio ego, comete um erro fatal de lógica filosófica. Não há cura de igual a igual – mas tão-somente de superior para inferior, de vertical para horizontal.
Camuflar a si mesmo e esconder-se em sombras dos estereótipos hedonistas, através de derivativos e escapismos aproxima cada vez mais o indivíduo a infelicidade. Procurar a felicidade através da prática do prazer a qualquer preço não é o sentido da vida que orienta solucionar o problema; é apenas mascará-lo e transferir a infelicidade para outro tempo – quando a infelicidade torna a se manifestar com dobrada violência.
Remediar é remendar – não é curar, erradicar o mal. A cura e erradicação dos males da vida contemporânea consistem unicamente na entrada numa nova dimensão de consciência e experiência do desapego. Não consiste numa espécie de continuísmo e achismo – mas sim num novo início, numa iniciativa inédita, numa verdadeira iniciação.
Não se trata de “pôr remendo novo em roupa velha”, na linguagem do senso comum; trata-se de realizar uma nova ordem social, começando pela transformação de si mesmo, através da transição da consciência do ego horizontal e ilusório para a consciência do Eu vertical e verdadeiro. Somente assim o indivíduo encontrará os possíveis caminhos que levam ao encontro, através do desencontro, com a Paz!
Para saber mais: https://portaltribunadoguacu.com.br/coluna/57/por-uma-etica-da-autenticidade-um-enfoque-do-ego-ismo-e-da-fogueira-de-vaidades-em-pleno-deserto-das-coisas-humanizadas
 
Como identificar a verdadeira Felicidade:
O mestre Jesus Cristo afirmou que a verdadeira felicidade do homem consiste em “amar o próximo como a si mesmo”. Ou então em “fazer aos outros o que queremos que os outros nos façam”. Pergunta disparadora do pensamento reflexivo: - Existe essa possibilidade de eu amar meu semelhante assim como me amo a mim mesmo?
Em teoria, muitos o afirmam – na prática poucos o fazem. Pois então, é chegado o momento de pensarmos a origem dessa dificuldade. Seria, então, da falta de verdadeiro autoconhecimento? Pouquíssimos homens têm uma visão nítida da sua genuína realidade interior; quase todos se identificam com alguma fatalidade externa, o outro é motivo da infelicidade, colidindo com o seu ego físico, seu ego mental ou seu ego emocional. E por esta razão não conseguem realizar o amor-alheio igual ao amor-próprio, não conseguem amar o seu próximo como se amam a si mesmo, pois não conseguem abrir-se para um relacionamento que leva ao caminho da Paz e consequentemente do Estar Bem! Alguns indivíduos se perdem em seu próprio ego, num acesso de estupidez, tenta amar o próximo em vez de si mesmos, o que é flagrantemente antinatural como também contrário a todos os mandamentos dos mestres da humanidade. Cabe aqui destacar as ideias de HUBERTO ROHDEN, através de sua filosofia de vida, onde deixa claro que todos sabem que o amor-próprio de todo o ser vivo é a quintessência do seu ser; nenhum ser vivo pode existir por um só momento sem se amar a si mesmo; esse amor-próprio é idêntico à sua própria existência.
Para saber mais: https://portaltribunadoguacu.com.br/coluna/33/a-literatura-e-seu-papel-de-construtora-de-juizos-esteticos-e-intercessora-da-totalidade-do-humano
Por uma questão de Ordem: Para amar o próximo, ame-se primeiro!
Ainda seguindo as linhas da filosofia univérsica podemos admitir que amor-próprio não fosse necessariamente egoísmo. Egoísmo é um amor-próprio exclusivista, ao passo que o verdadeiro amor-próprio é inclusivista, inclui todos os amores-alheios no seu amor-próprio, obedecendo assim ao imperativo da natureza e à voz de todos os mestres espirituais da humanidade.
Enquanto o homem marca passo no plano horizontal do seu ego, pode haver em sua vida guerra e armistício – mas nunca haverá paz. Armistício é uma trégua entre duas guerras; é uma guerra fria do ego, que amanhã pode explodir em guerra quente. O ego ignora totalmente o que seja paz. O ego de boa vontade assina armistícios temporários, o ego de má vontade declara guerra de maior ou menor duração – mas nem este nem aquele sabe o que seja paz.
Em vésperas da sua morte, disse o Nazareno a seus discípulos: “Eu vos dou a paz, eu vos deixo a minha paz.” E, para evitar qualquer confusão entre paz e armistício, logo acrescentou: “Não dou a paz assim como o mundo a dá. Eu vos dou a paz para que minha alegria esteja em voz, seja perfeita a vossa alegria, e nunca ninguém tire de vós a vossa alegria”.
Paz e alegria duradoura nada têm que ver com guerra e armistício, que são do ego, de boa ou má vontade; a paz e a alegria permanentes são unicamente do Eu divino no homem.
Para saber mais: https://portaltribunadoguacu.com.br/coluna/21/movimento-dos-componentes-que-se-completam-na-harmonia-do-ser-por-inteiro-paradoxo-de-sorites-
Considerações finais
E finalmente conclui-se que a lógica de Agostinho é tão válida quanto a de Epicuro, e vice-versa, a questão filosófica do debate lógico está no juízo da premissa “existência do Mal” e a justificativa de escolha pela sua validação ou invalidação como verdade. Enfim, o importante é compreendermos que a felicidade é uma questão de autoconhecimento para compreender que a vida e morte caminham de mãos dadas nas duas únicas certezas de que possuímos ligando essas duas extremidades. Que nesta virada estejamos, todos, em Paz e Bem e comemoremos a passagem de 2021, já velhinho e que logo mais dará passagem para um ano novo, pois então: 2022 – Que chegue, chegando... afinal “o tempo é a grande mentira dos homens” conforme nos ensinou Immanuel Kant (1724 – 1804).
 
REFERÊNCIAS
LAENDER, Nadja Ribeiro. A construção do conceito de superego em Freud. Reverso,  Belo Horizonte ,  v. 27, n. 52, p. 63-68, set.  2005 .   Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-73952005000100009&lng=pt&nrm=iso>. acessos em  30  dez.  2021.
MARTINS, Rafael Ferreira. O Trilema Paradoxal de Epicuro e a Resolução de Santo Agostinho. Canal colaborativo Brasil Escola. Disponível em https://meuartigo.brasilescola.uol.com.br/filosofia/o-trilema-paradoxal-epicuro-resolucao-agostiniana.htm. Acessos em 28 e 29 Dez. 2021
ROHDEN, Huberto. Escalando o Himalaia – Colóquios com Deus e solilóquios com minha Alma. São Paulo, Martin Claret, 2010.
_________________. O caminho da Felicidade - Curso de Filosofia da Vida. São Paulo, Martin Claret, 2005.
Alberto Carlos Paschoaletto
Coluna: (CONS)CIÊNCIA & VIDA
                                                                                                            Caminho Livre pelo Pensar Filosófico.
                                                                                                                Jornal Tribuna do Guaçu
 

[1] Professor Universitário, com graduação em Ciências Jurídicas e Sociais; pós-graduação em Gestão Empresarial, Psicologia Organizacional e do Trabalho; Mestrando em Desenvolvimento Sustentável e Qualidade de Vida.
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(CONS)CIÊNCIA & VIDA

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Alberto Carlos Paschoaletto é Professor Universitário, graduado em Ciências Jurídicas e Sociais; pós-graduação em Gestão Empresarial, Psicologia.

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