25/10/2021 às 08h54min - Atualizada em 25/10/2021 às 08h38min

Educação centrada na pessoa: De braços e abraços com a Criança na realidade contemporânea para congratular o seu dia.

PASCHOALETTO[1], Alberto C.
DESCORTINANDO A INTRODUÇÃO
      O tema reflexivo desse fim de semana, ainda em continuidade ao da semana anterior, onde falamos do Professor, e hoje falaremos das crianças (alunos, eu prefiro o termo educando) e abrange os novos rumos para pensarmos uma concepção de educação tomando como análise a abordagem da educação centrada na pessoa, e, consequentemente no amor e que compreenda a realidade e a irrealidade, enfim, lucidez para compreender o mundo (cosmovisão) sem alienar-se na realidade virtual, mas, até onde estamos conscientes do que é a nossa realidade material? O mundo atual, globalizado, nos dá uma dimensão planetária da vida, enfim, somos cidadãos do Planeta, e, do ponto de vista amplo, coletivamente formamos um mar de fogueiras, tais como somos seres de luz, pois cada qual possui sua luz própria brilhando, única, em sua identidade.
 
A EDUCAÇÃO COMO BASE DO DIREITO UNIVERSAL AO AMOR
     Nesse sentido, faz-se necessário articular a Educação como um direito universal do indivíduo e como alicerce social indispensável para o exercício da cidadania, despertando uma consciência local e global. Na Educação Básica, é necessário considerar as práticas do educar e a ética do cuidar, para recuperar nela, educação, sua função social, pois como prática social a sua abordagem deve ser baseada na pessoa do educando, pessoa em formação na sua essência humana que precisa ganhar sua luz própria, por fazer parte de um coletivo planetário e local, ao mesmo tempo em que será chamado futuramente a colaborar para o bem estar da própria coletividade humana. Educar com respeito é sempre mostrar à criança o que se espera dela. Além disso, devemos incentivá-la a ser ela mesma em todos os momentos e ser livre para explorar o mundo com segurança ao nosso redor. Para educar com amor não é obrigatório gritar, mas sim um argumento que podemos apresentar com uma voz descontraída, clara e amiga. Se você quer educar com amor e tornar seus filhos obedientes, você deve saber ouvir. Entenda o pensamento da criança e faça sugestões, esclarecimentos e orientações sobre o assunto. Eu não quero um filho perfeito. O ideal é cultivar filhos felizes que conheçam as normas da família e da própria sociedade. Para educar, é necessário que as crianças tenham uma palavra a dizer. Se nos concentrarmos nas sanções, na culpa e apenas mostrarmos o que eles fizeram de errado, traremos ao mundo pessoas inseguras: Cara feia nem para perguntar nome de rua! Não use rigidez quando eles se comportarem mal. Explique o que eles fizeram de errado e como podem melhorar o comportamento.
 
OBS.: Para se aprofundar mais, click no link e leia esse outro texto:
https://portaltribunadoguacu.com.br/coluna/18/abordagem-da-educacao-e-cultura-no-conjunto-das-partes-que-formam-o-todo-sistemico-da-hipermodernidade
 
MAIS FIRMEZA, MENOS DUREZA: ASAS SÃO LIVRES PARA O VOO
     Na verdade, é estranho como, em nossa própria língua, "filhos submissos e meigos" estão ligados ao que a maioria dos pais esperam e desejam. No entanto, às vezes por trás das crianças mansas está a inferioridade e a infelicidade. Ele é uma criatura que tem tantos muros impostos que entende sua vida como uma prisão.  Escreveu Rubem Alves um verdadeiro poema para explicar a essência da educação centrada na pessoa:
"Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas. Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do voo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o voo. Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em voo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o voo, isso elas não podem fazer, porque o voo já nasce dentro dos pássaros. O voo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado".
     Garantir que as mentes das crianças não sejam aprisionadas é um grande desafio, porque as pessoas devem lutar com o sistema estabelecido de prisão, mas não libertar. As pessoas não estão interessadas em pensar livremente. O sistema nos empurra para a popularização do espírito, e tudo deve ser controlado por ele. Quando houver controle, haverá prisão. O papel da escola é garantir que nenhuma popularização ocorra, estabelecendo assim a liberdade de pensamento. Como fazer isso? Aproveite ao máximo todas as oportunidades que seu filho tem dentro e fora da escola. Existe uma maneira de liberar a mente, o que só é possível quando você realmente entende o que é liberdade.
 
OBS.: Para se aprofundar mais, click no link e leia esse outro texto:
https://portaltribunadoguacu.com.br/coluna/39/a-vida-como-obra-de-arte-e-o-espiritualismo-como-batuta-de-regencia-do-amor
 
LIBERDADE NÃO É LIBERTINAGEM
     Já ouvi pessoas dizerem que devemos ser livres, mesmo sem entender a natureza da palavra. Liberdade não é fazer o que você quer, mas fazer o que é melhor para todos. Vivemos em sociedade, portanto nossas atitudes devem estar relacionadas ao bem-estar comum, não a atitudes egoístas. Além disso, moldamos ideias que não podem tomar a iniciativa porque desejam que os outros sempre lhes digam o que podem e o que não podem fazer em todos os momentos. Uma criança feliz é uma pessoa que explora, toca, ri e se comunica. Porque o medo e a rigidez matam as asas do crescimento e da autoestima. Portanto, quando escolhemos que tipo de métodos parentais para nossos filhos, devemos escolher um método que permita que eles cresçam em pé. Aquele que lhes permite viver com dignidade neste mundo, ser felizes e proporcionar felicidade. Todos nós esperamos ter um filho obediente, É claro.
     Faz, então, sentido que a educação deve estar fundamentada como prática social através do estímulo do exercício consciente da cidadania e na dignidade da pessoa, o que pressupõe despertar uma consciência no educando para valores como igualdade, liberdade, pluralidade, diversidade, respeito, justiça social, solidariedade e sustentabilidade, para que assim também possa ser uma fogueirinha que vista na ampla dimensão planetária, despertar-se-á como luz em sua própria identidade global e local.
 
DEIXANDO O LEGADO
     Nascemos com a essência do voo, mas também temos um certo tempo de espera, isso é maturidade, e é aí que desempenha o papel das escolas e das famílias como patrocinadores de voos. Uma vez que a criança pertence a uma família, uma parceria deve ser estabelecida aqui. A presença da família como parceira e não como vigilante na escola e uma educação completa e não fragmentada são essenciais. Um modelo positivo é a melhor maneira de garantir uma fuga responsável, mas se não houver um bom modelo exemplar na minha educação básica, é difícil para mim ser um modelo positivo para as crianças, então a ação a ser tomada é mudar a mim mesmo primeiro, então é claro que posso me tornar um exemplo. Este é o ponto central e basilar para fechamento da nossa questão: dos nossos adultos atuais aos adultos das crianças que queremos ser, precisamos refletir e transformar.
As crianças são os homens do futuro. Quer dizer que elas existirão um dia, mas por enquanto é como se ainda não existissem. Ora, nós existimos; estamos vivos, sentimos, sofremos. Nossos anos de infância são anos de uma vida verdadeira. Por que nos mandam aguardar, e o quê? E eles, os adultos, será que se preparam para a velhice? Não desperdiçam levianamente as suas forças? Gostam, acaso, de ouvir as advertências de velhos ranzinzas? Na cinzenta monotonia da minha vida de adulto, lembrei-me das vivas cores dos anos da infância. Voltei atrás, deixei iludir-me pelas reminiscências. E eis que ingressei na cinzenta monotonia dos dias e das semanas de criança. Nada lucrei, mas perdi o tempero da resignação. Estou triste. Sinto-me mal. Estou terminando o meu estranho relato" (p. 152).

CONCLUSÃO: ENSINO SUSTENTADO NO AFETO
    A linguagem de Korczak é poética e literária, em nítido contraste com a linguagem atual de predominância técnica. Citou entre suas obras mais poetas e romancistas do que educadores, não pensava em produção literária para a cátedra. Embora Influenciado pela "Ciência da Educação" seu foco maior foi orientado para transformar educadores em exemplos amorosos centrados na criança, destacando sempre o aspecto que os descrevem como profissionais especiais, e genuinamente uma profissão humana. Ele não teve medo de dizer que amava as Crianças e confessou abertamente esse seu amor por elas. Korczak se definia como educador que amava as crianças. Em suas próprias palavras “não basta amá-las, é preciso respeitá-las, compreendê-las a partir do seu referencial e não em nome de um futuro hipotético que elas não compreendem ainda”. Estava preocupado com o fato de o adulto mentir muito para as crianças, mesmo que para poupá-las das dores da guerra, quando mente em nome do amor que tem por elas. Quando falamos em liberdade, estamos nos referindo ao caráter, por isso devemos lembrar que a formação de um bom caráter depende da ação que dispensamos aos nossos filhos, ainda enquanto crianças. Eis a questão para encerrar nossa proposta reflexiva: E você, qual é o legado que está deixando aos seus filhos?
 
OBS.: Para se aprofundar mais, click no link e leia esse outro texto:
https://portaltribunadoguacu.com.br/coluna/53/reflexoes-sobre-educacao-na-realidade-contemporanea-uma-abordagem-filosofica-do-professor
 
REFERÊNCIAS
ABRAHAM, Ben. Janusz Korczak (1878-1942): Coletânea de Pensamentos. São Paulo, Associação Janusz Korczak do Brasil, 1986.
DALLARI, Dalmo de Abreu e Janusz Korczak. O direito da criança ao respeito. São Paulo, Summus, 1986.
KORCZAK, Janusz. Quando eu voltar a ser criança. São Paulo, Summus, 1981.
------------. O Direito da Criança ao Respeito. São Paulo, Perspectiva, 1984.
------------. Como amar uma criança. Prefácio de Bruno Bettelheim. São Paulo, Paz e Terra, 1986.
------------. Diário do Gueto. São Paulo, Perspectiva, 1986.
 WASSERTZUG, Zalman. Janusz Korczak, Mestre e Mártir. Tradução de Bluma Sahm Paves. São Paulo, Distribuição Summus, 1983.
 
  Alberto Carlos Paschoaletto
Coluna: (CONS)CIÊNCIA & VIDA
Caminho Livre pelo Pensar Filosófico.
Jornal Tribuna do Guaçu
 
[1] Professor Universitário, com graduação em Ciências Jurídicas e Sociais; pós-graduação em Gestão Empresarial, Psicologia Organizacional e do Trabalho; Mestrando em Desenvolvimento Sustentável e Qualidade de Vida.
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Alberto Carlos Paschoaletto é Professor Universitário, graduado em Ciências Jurídicas e Sociais; pós-graduação em Gestão Empresarial, Psicologia.

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