15/10/2021 às 15h12min - Atualizada em 15/10/2021 às 15h11min

Reflexões sobre educação na realidade contemporânea: Uma abordagem filosófica do Professor

AO MESTRE, COM CARINHO!
PASCHOALETTO[1], Alberto C.

INTRODUÇÃO: AO MESTRE, COM CARINHO!
 
Nosso tema reflexivo deste dia 15 de Outubro, Dia do Professor, é uma proposta para pensar realidades e realizações no cotidiano da prática educacional do professor como o “provocador” de espantos e “causador” de curiosidades epistemológicas. Enfim, homenagear todos aqueles que assumiram a vocação de ser Professor, e como tal obreiros da prática educacional que a tomam como experiências de natureza da vida escolar nutridas por conhecimentos que procuram recriá-los no contexto do dia a dia do senso comum, buscando provocar o aluno em sua curiosidade para alcançar uma gama mais ampla na trajetória do saber letrado em ruptura ao senso comum. Dessa forma, a práxis escolar visa não apenas o letramento, mas a ruptura da ignorância e direção para papéis e funções sociais, desenvolvendo os indivíduos para a formação de uma existência plena, entrelaçando razão/intuição, corpo/emoção e pensamento/espírito.
 
É uma profissão que alcança muito mais do que produção de saberes e, celebram com paixão cada degrau na evolução do aprendizado alcançado de seus educandos. Os professores são obreiros, como as formiguinhas, na busca global pela existência, dignidade e beleza humana; isso leva a uma missão, a uma voz interior “SER EDUCADOR”, que assumem o papel de duplicadores de conhecimento, promovendo a autonomia do cidadão.
 
 
SE TU ME ENVOLVES, EU APRENDO!
 
Os professores têm a função de transmitir conhecimentos, enquanto os educadores se dedicam à formação integral do ser humano e à sua interação com a família e a sociedade. Os professores saem de casa para continuar as aulas, enquanto os educadores procuram maneiras de promover a mudança nos alunos. Os professores consideram os erros dos alunos como erros, enquanto os educadores os consideram um estágio de transição no processo de aprendizagem. O professor assume o ideal como centro do conhecimento, e o educador é o mediador da relação entre ensino e aprendizagem. “Tu me dizes, eu esqueço; Tu me ensinas, eu lembro; Tu me envolves, eu aprendo”. (Benjamim Franklin)  
 
Por fim, na transcendência da imagem do professor para a imagem do educador, são necessários humildade, discernimento, relacionamento, atitude e compromisso. Dessa forma, o educador receberá a formação necessária para não só exercer sua carreira, mas também realizar seus ideais de vida. Cabe aqui o reconhecimento a todos os Profissionais da Educação, que no dia a dia da sala de aula aceitam as tarefas desafiadoras em meio a precarização das relações humanas, onde cada vez mais enfrentamos desafios que transcendem a produção do conhecimento. Ser professor, hoje, é ser um obreiro incansável da Paz e do Bem, pois nossos educandos são frutos de uma sociedade que cada vez mais ausente em suas obrigações familiares, e que depositam na escola um mar de  gente carente de tantas coisas, sabe-se lá quais, mas que estão  lá para aprender e desenvolver-se como gente em sua cidadania. Dessa forma o Professor assume o papel não só de transmissão do conhecimento mas também de um repositor de afetos e atenção aos seus educandos, como exemplo de experiências da natureza da vida teórica e cultivada pelo conhecimento de tantos outros saberes, de tudo um pouco, para dar conta sobre os novos rumos que caminha a humanidade. Então, nesse Dia do Professor queremos propor pensarmos, cada um de nós, uma educação que atenda a realidade, mas, até onde estamos conscientes do que é a nossa realidade?
OBS.: Para se aprofundar mais, click no link e leia esse outro texto:
https://portaltribunadoguacu.com.br/coluna/7/covid-19-a-operacao-disruptiva-da-natureza-na-consciencia-individual-com-impacto-no-coletivo-universal
 
 
EDUCAR: ÉTICA DO CUIDADO
 
O mundo (BANI) atual, globalizado, nos dá uma dimensão planetária da vida, enfim, somos cidadãos do Planeta, e, do ponto de vista amplo, coletivamente formamos um mar de fogueiras, tais como somos seres de luz, pois cada qual possui sua luz própria brilhando, única, em sua identidade. Nesse sentido, faz-se necessário articular a Educação como um direito universal do indivíduo e como alicerce social indispensável para o exercício da cidadania, despertando uma consciência local e global. Na Educação Básica, é necessário considerar as práticas do educar e a ética do cuidar, para recuperar nela, educação, sua função social, pois como prática social a sua abordagem deve ser baseada na pessoa do educando, pessoa em formação na sua essência humana que precisa ganhar sua luz própria, por fazer parte de um coletivo planetário e local, ao mesmo tempo em que será chamado futuramente a colaborar para o bem estar da própria coletividade humana.
 
Faz, então, sentido que a educação deve estar fundamentada como prática social através do estímulo do exercício consciente da cidadania e na dignidade da pessoa, o que pressupõe despertar uma consciência no educando para valores como igualdade, liberdade, pluralidade, diversidade, respeito, justiça social, solidariedade e sustentabilidade, para que assim também possa ser uma fogueirinha que vista na ampla dimensão planetária, despertar-se-á como luz em sua própria identidade global e local. Cabe, ainda, destacar que esses valores tornam-se questão basilar da educação como prática social onde a riqueza dos valores e das diferenças é manifestada pelos sujeitos do processo educativo, em seus diversos segmentos, de acordo com o tempo e o contexto no espaço sociocultural numa relação de plena confiança e respeito. E, para que cada pessoa tenha sua identidade é importante destacar o direito de toda pessoa ao seu pleno desenvolvimento, à preparação para o exercício da cidadania e à qualificação para o trabalho, enfim, para tornar-se fogueirinha é preciso reconhecer o direito de toda pessoa ao seu pleno desenvolvimento e sua preparação para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho.
 
Assim, as palavras-chave da educação formadora, centrada na pessoa, são: Revelação; Transformação; Enfrentamento; Desenvolvimento; para isso é sucinto reconhecer que o conjunto de valores e práticas que ajustam a produção, a socialização de significados no espaço social e cooperam fortemente para a construção de identidades socioculturais dos educandos, para assim abastecer as ditas fogueirinhas. Isto posto, salvo melhor opinião do leitor, o currículo escolar precisa difundir os valores fundamentais do interesse social, dos direitos e deveres dos cidadãos, do respeito ao bem comum e à ordem democrática, considerando as condições de escolaridade dos estudantes em cada estabelecimento, a orientação para o trabalho, à promoção de práticas educativas formais e os nãos formais. É importante também garantir padrão de qualidade, com pleno ingresso, inserção e conservação dos sujeitos das aprendizagens na escola.
OBS.: Para se aprofundar mais, click no link e leia esse outro texto:
https://portaltribunadoguacu.com.br/coluna/18/abordagem-da-educacao-e-cultura-no-conjunto-das-partes-que-formam-o-todo-sistemico-da-hipermodernidade
 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS – CUIDO, LOGO SOU!
 
Acrescenta-se a Eduardo Galeano e Huberto Rohden as reflexões e lições do livro POR UMA ÉTICA DO CUIDADO, de Marisa Schargel Maia (ORG.) do qual enfatizo  este parágrafo “O homem só existe porque foi cuidado, é “devedor” das relações de cuidado, mas o cuidado lhe antecede, é existência prévia. Cuidar implica debruçar-se sobre algo ou alguém; mesmo que a referência seja o cuidado de si, nos debruçamos sobre nós mesmos!" (p. 368), até porque ele deu o significado em que sempre acreditei: a importância do comportamento atencioso nos processos educacionais!
 
Em considerações finais, tomamos como ponto de vista a fusão da linha do pensamento destes três autores articulados neste texto que em síntese corroboram com a crença de que a existência antecede a nossa própria essência. Em convergência ao existencialismo de Sartre, de que a existência precede a essência, pensamento desenvolvido em O ser e o nada. Como em suas próprias palavras: “Não somos aquilo que fizeram de nós, mas o que fazemos com o que fizeram de nós”.  
 
Assumir um projeto de vida Educador é pensar que antes de podermos vir para o mundo já estava “escrito nas estrelas” porque somos parte do mundo, somos também cuidados e cuidadores, e precisamos dar continuidade a essa prática pelo resto de nossas vidas, nos orientando a compreender que “cuidar” é “ser”.
Assim, discorrer um texto para ressaltar a importância do PROFESSOR me coloca como “suspeito”, mas por sua vez se optei escrever por meio de metáforas, mitos e situações cotidianas é porque considero importante que esse texto seja uma proposta para pensar a prática da educação como construtora de ações verdadeiramente firmes com a ética do cuidado!
OBS.: Para se aprofundar mais, click no link e leia esse outro
texto:https://portaltribunadoguacu.com.br/coluna/39/a-vida-como-obra-de-arte-e-o-espiritualismo-como-batuta-de-regencia-do-amor
 
 
CONCLUSÃO AFETUOSA
 
Para desenvolver uma identidade que seja fogueirinha, a escola deve ter qualidade social e adotar como centralidade o estudante e a aprendizagem. Integram-se para esforços em conjunto, o poder público, a família, a sociedade e a escola pela garantia a todos os educandos de um ensino ministrado de acordo com os princípios de: igualdade de condições de acesso, inclusão, permanência e sucesso na escola; liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber; pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas. Assim, no ponto de vista pretendido ao longo dessa série as etapas e as modalidades do processo de escolarização estruturam-se de modo orgânico, sequencial e articulado, de maneira complexa, embora permanecendo individualizadas ao longo do percurso do estudante, apesar das mudanças por que passam sem perder o que lhes é comum: as semelhanças e as identidades que lhe são inerentes, visto que o projeto político-pedagógico deve ser elaborado e executado pela comunidade educacional para respeitar nos educandos seus tempos mentais, sócios emocionais, culturais e identitários e garantir que tenham a oportunidade de receber uma formação que corresponda à idade própria de percurso escolar.
 
Consequentemente, os vínculos de família, dos laços de solidariedade humana e do respeito mútuo em que se assenta a vida social devem iniciar-se na Educação Infantil e sua intensificação deve ocorrer ao longo da Educação Básica. Assim, espera-se que os sistemas educativos empenhem  esforços para promover ações a partir das quais as unidades de Educação Infantil sejam dotadas de condições para acolher as crianças, futuras fogueirinhas, em estreita relação com a família, com agentes sociais e com a sociedade. Somente assim as fogueirinhas serão luzes percebidas enquanto a lua brilha formosa sem ofuscar cada qual seu brilho.
 
Cabe, finalmente, concluir esse trabalho citando uma frase de Huberto Rohden “Todo o segredo da harmonia está na integração, em saber adaptar o seu próprio caráter e gênio ao caráter e gênio do outro, fazer de si um complemento do outro. Integrar não quer dizer identificar, como não quer dizer destruir; é completar”.
 
Pensemos, todos, nisso!
REFERÊNCIAS
 
DIFERENÇAS ENTRE PROFESSOR E EDUCADOR. Pedagogia ao Pé da Letra, 2014. Disponível em: <https://pedagogiaaopedaletra.com/diferencas-entre-professor-e-educador/>. Acesso em: 14 de outubro de 2021.
 
GALEANO, Eduardo. O livro dos abraços / tradução de Eric Nepomuceno. - 9. ed. – Porto Alegre: L&PM, 2002.
 
ROHDEN, Huberto. O Caminho da Felicidade / Coleção Filosofia da Vida. São Paulo, Editora :‎ Martin Claret; 3ª edição (13 julho 2014)
 
MARISA SCHARGEL MAIA (ORG).  POR UMA ÉTICA DO CUIDADO. Edição: 1 - Rio de Janeiro. Editora: Garamond Ano: 2009
 
SARTRE, Jean Paul. O Ser e o nada: Ensaio de ontologia fenomenológica. Tradução e notas de Paulo Perdigão. Editora Vozes: Petrópolis, RJ. Ano: 2007
 
Alberto Carlos Paschoaletto
Coluna: (CONS)CIÊNCIA & VIDA
                                                                                                  Caminho Livre pelo Pensar Filosófico.
                                                                                                     Jornal Tribuna do Guaçu
 
[1] Professor Universitário, com graduação em Ciências Jurídicas e Sociais; pós-graduação em Gestão Empresarial, Psicologia Organizacional e do Trabalho; Mestrando em Desenvolvimento Sustentável e Qualidade de Vida.
Link
(CONS)CIÊNCIA & VIDA

(CONS)CIÊNCIA & VIDA

Alberto Carlos Paschoaletto é Professor Universitário, graduado em Ciências Jurídicas e Sociais; pós-graduação em Gestão Empresarial, Psicologia.

Relacionadas »
Fale pelo Whatsapp
Atendimento
Precisa de ajuda? fale conosco pelo Whatsapp