08/10/2021 às 07h21min - Atualizada em 08/10/2021 às 07h12min

EM BUSCA DA GÊNESE FILOSOFICA PARA ELUCIDAR O INEVITÁVEL ACASO DO SER

Precisamos, primeiro levar luz na escuridão que habita em nossos corações... Foto internet
PASCHOALETTO[1], Alberto C.

    Em nosso texto de hoje discorreremos sobre Ludwig Andreas Feuerbach (1804 - 1872), e, para começar vamos conhecer nosso filósofo desta semana: Ludwig nasceu em 28 de julho de 1804, em Landshut, Alemanha. Sua família era protestante e carregava os valores progressistas do pai, o famoso jurista Paul Johann Anselm von Feuerbach. Teve sete irmãos, sendo vários deles bem-sucedidos em suas áreas de atuação: havia um arqueólogo, um matemático, um jurista, um linguista e um filósofo, de modo que os Feuerbach eram praticamente uma sociedade científica em família. De forma geral podemos dizer que Feuerbach, em sua filosofia, converte a teologia e a religião em uma antropologia, seja ela na ótica cultural ou social. Nesse contexto, podemos entender que o papel da filosofia não é o de zombar ou desprezar a religião ou a teologia, pois ambas são um grande e importante fenômeno humano, e como tal tem que ser respeitadas. Mas mais que respeitadas a religião e a teologia tem que ser compreendidas à luz de uma lógica fenomenológica.
    Tomando como ponto de partida a crença dos homens em um Deus temos que compreender que a consciência que o homem tem de Deus é a consciência que o homem tem de si mesmo. Deus é a expressão do que mais de profundo existe no ser humano, e somente isso. Filosoficamente, para nosso autor, Teologia é Antropologia e todos os discursos sobre os Deuses são discursos sobre o ser humano, suas capacidades, frustrações e projeções. Isto posto, a natureza é dura com os humanos e os nossos sofrimentos não são ouvidos pela natureza, e necessitamos ser ouvidos, acalentados, compreendidos, e como a natureza não nos ouve, acalenta o compreende, nós buscamos tudo isso em algo fora de nós e fora da natureza, em um Deus. Assim, se de um lado construímos Deuses para que eles sejam o que não somos, do outro lado também construímos Deuses para explicar o que não explicamos, ser o que não somos e poder o que não podemos. Complexo, porém legitimamente profundo pois que na relação com esse Deus, que é o que não somos, podemos, de alguma forma, também ser o que percebemos não poder ser.
    OBS.: Para se aprofundar mais, click no link e leia esse outro texto: 
https://portaltribunadoguacu.com.br/coluna/43/perdas-e-ganhos-no-caminho-para-dentro-de-si-proposito-de-vida-e-trabalho
 
    A COMPLEXA TRINDADE DO ENTE: ABORDAGEM BIO/PSICO/SOCIAL
    Nesse conceito, existem tantos erros quanto palavras. Nem é preciso dizer que sobre um fundamento tão incerto não se pode estabelecer uma educação sólida que resista ao impacto da razão e do pensamento espiritual. O fato é que nem o corpo nem a alma podem pecar. É a própria inteligência, seu Lúcifer e sua cobra que pecam no próprio homem, não sua alma uma vez que esta é o "espírito de Deus que vive no homem". A Inteligência é revelada por si mesmo ou pela personalidade da pessoa (personalidade) e compreender o Homem em sua complexidade é aceitar sua completude pelas partes que formam o todo em forças de equilíbrio dessas partes Bio (físico) Psico (espiritual/emocional) e Social (necessidades básicas: segurança, amor e gregária). Podemos então propor que a razão (intelecto ou alma) é manifestada pelo eu, ou seja, pela personalidade individual que representa essa divina trindade Bio/Psico/Social. Ainda nesta linha de raciocínio as palavras latinas "persona" e "individual" significam: "Persona" do latim "máscara". As "Personagens" eram as máscaras usadas por atores durante o Império Romano, com orifício na boca  para soar a fala do intérprete no palco. Atrás do "personagem" está o "indivíduo", ou seja, aquele que desempenha o papel da máscara. "Indivíduo" significa "menor unidade" do Todo da Universalidade. A personalidade do homem o torna indivisível em si mesmo (em grego, átomo) e inseparável ou inseparável do grande todo, a alma do universo. Como indivíduo, o homem é uma unidade em sentido estrito, por isso o homem é uma parte inseparável do universo. O homem não está separado de Deus, nem é igual a tudo isso, mas diferente dele. Os dualistas separam o homem de tudo o que é grande; os panteístas identificam você como ele; mas os verdadeiros universalistas sabem que o homem nunca pode ser separado do grande tudo, nem pode ser completamente o mesmo. A separação equivalerá à inexistência, pois sem a causa principal não pode haver resultado; a identificação será uma espécie de eutanásia branda, caso em que o finito estará completamente diluído no infinito, preenchendo sua existência individual na existência universal vitalidade.
    OBS.: Para se aprofundar mais, click no link e leia esse outro texto: 
https://portaltribunadoguacu.com.br/coluna/21/movimento-dos-componentes-que-se-completam-na-harmonia-do-ser-por-inteiro-paradoxo-de-sorites-
 
    FAÇA-SE A LUZ: uma para reger o dia e outra para conduzir a noite.
    É a sua essência que unifica o homem e todas as coisas, e esta é a essência de todas as coisas, a diferença entre o homem e todas as coisas está em sua existência. Se o homem é apenas a essência do universo (sagrado), ele é o próprio Deus, o universo; se é apenas uma existência individual (humana), então é nada, ilusão e nada, porque se a existência individual não está combinada com a essência do universo, então ele não tem realidade em si mesmo o sexo. Portanto, por analogia, se uma pessoa viva não estiver combinada com a Vida Universal, ela não viverá. A única razão da existência é porque ela participa da formação da essência universal da realidade, e a existência é a  realidade materializada da essência. O ingênuo acredita que os objetos existentes são reais em si mesmos; mas a realidade do mundo objetivo não é autônoma, porque eles não têm realidade absoluta, mas apenas relativa, como a lua reflete o que toma emprestado da luz do sol, como um espelho. Os personagens que representamos no “palco da vida” também possui a mesma realidade derivada da imagem do objeto que ela reflete. Afirmar que os objetos são irreais, nada além de ilusões simples, como afirmam alguns sistemas metafísicos modernos e antigos, são conclusões ilógicas; os objetos não são reais nem irreais, pois que eles são realizados do campo metafísico para o campo físico. Em outras palavras, eles têm uma realidade derivada do reflexo assim como a Lua que brilha, mas que desaparece quando é para refletir sobre si mesma. Portanto, se uma pessoa não está combinada com a universalidade essencial, ela não pode existir por um momento sequer. 
No entanto, a inteligência humana, devido à sua relativa imperfeição, cria a ilusão de que pode existir independentemente da existência absoluta; pode até desejar essa existência autônoma porque a inteligência é profundamente narcisista e egocêntrica. E, é exatamente nessa tendência “egocêntrica” que se baseia a ideia do pecado. Para provocar o pensamento: Quem peca no homem é a inteligência, pois é a matéria prima do ego, que por sua vez assume a persona. Em sua essência, a inteligência é ignorante rebelde e dispersiva e que vive na ilusão de poder existir e agir isoladamente da sua essência universal. Pare e pense: O pecado não é possível sem a ilusão, e essa nasce da ignorância.
     OBS.: Para se aprofundar mais, click no link e leia esse outro texto: 
https://portaltribunadoguacu.com.br/coluna/9/o-imperativo-do-diferente-nos-constructos-identitarios-ser-autentico
     
E descobriu O Criador tudo quanto tinha feito

    Mas daí vem a pergunta: A inteligência pode ser ignorante? Pensemos que se as ondas do mar pudessem existir sem o mar, ou então se a luz da Lua pudesse existir independente do Sol, como seria a análise da sua própria realidade? Parece então interessante analisar com base nessa tendência "narcisista" da razão que o conceito de pecado é como a luz da Lua. O pecado não é possível sem a ilusão revelada por si mesmo ou pela persona que assumiu o seu papel. Então, podemos admitir que seja impossível cometer um pecado sem a ilusão das alucinações que surgem da própria ignorância do ser que não tem luz própria. Assim, a inteligência é um meio e não uma finalidade em si mesma. Isto posto, é possível criar e manter esse tipo de atitude separatista entre Existência e Essência, embora a verdadeira divisão seja impossível sem aniquilação uma da outra. Objetivamente, todos estão integrados ao universo, mas subjetivamente os indivíduos podem se sentir separados do universo, e o universo é o todo que gera luz para os corpos que o rodeiam e que tomam por empréstimo um pouco dessa luz.
 
    CONCLUINDO: A VIDA É SIMPLES!
    Cada um de nós quando estamos juntos somos responsáveis por tudo que está acontecendo no planeta, pela evolução da humanidade e por tudo que implica no movimento da vida. Somos os cocriadores da própria realidade e a pergunta que se torna inevitável para concluir o texto: eu posso, enquanto indivíduo,  mudar o mundo? Só de admite um Sim ou um Não como resposta plausível. Pense que só você pode agir e colocar sua intenção e energia para que isso aconteça. Mas, não se esqueça disso: uma andorinha sozinha não faz verão! Precisamos, primeiro levar luz na  escuridão que habita em nossos corações, para depois alcançar outros corações. Mas, a sabedoria da resposta é que precisamos estar juntos, sem deixar ninguém de fora. Para que a transformação aconteça, precisamos engajar todos. E, caso ainda não tenha encontrado sua missão, saiba que precisa começar pelo começo: Sua Gênese é o Autoconhecimento! Lembre-se que somos seres que refletimos a Luz, assim como a Lua, e encarar sua própria escuridão já é um ótimo passo para enfrentar o medo, fraqueza, vitimismo, cólera e se errou que acolha em seu coração o  arrependimento e olhe para frente, afinal, somos seres que embora não possuímos luz própria, nascemos para procurar, feito girassóis, pela luz do ASTRO REI! 
OBS.: Para se aprofundar mais, click no link e leia esse outro texto: 
https://portaltribunadoguacu.com.br/coluna/12/a-cigarra-e-as-tres-ecologias-da-vida-e-morte--severina-transformacao-resignacao-e-ressignificacao
 
 
REFERÊNCIAS
Feuerbach, Ludwig. Princípios da Filosofia do Futuro - Tradutor: Artur Morão. Colecção: Textos Clássicos de Filosofia : Universidade da Beira Interior : LusoFia Press :  Covilhã, 2008.
______.  Preleções sobre a essência da Religião – Tradução e notas de José da Silva Brandão. Campinas, SP : Papirus, 1989.

Pensemos, todos, nisso!
Alberto Carlos Paschoaletto
Coluna: (CONS)CIÊNCIA & VIDA
                                                                                                   Caminho Livre pelo Pensar Filosófico
                                                                                                      Jornal Tribuna do Guaçu
 
[1] Professor Universitário, com graduação em Ciências Jurídicas e Sociais; pós-graduação em Gestão Empresarial, Psicologia Organizacional e do Trabalho; Mestrando em Desenvolvimento Sustentável e Qualidade de Vida.
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(CONS)CIÊNCIA & VIDA

(CONS)CIÊNCIA & VIDA

Alberto Carlos Paschoaletto é Professor Universitário, graduado em Ciências Jurídicas e Sociais; pós-graduação em Gestão Empresarial, Psicologia.

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