04/10/2021 às 12h38min - Atualizada em 04/10/2021 às 12h30min

Juízos de valores transcendentais: Auto análise, devir e resiliência segundo a filosofia de Epiteto!


PASCHOALETTO[1], Alberto C.
 
     INTRODUÇÃO: O ALVORECER DA CONSCIÊNCIA
     Na abordagem filosófica a vida em sua concepção animal, mamífero dotado de mãos prenseis e cérebro volumoso (humana) pode ser vista em dois aspectos: Material, quando analisada na ótica da Existência corporificada que emerge para o exterior de Si mesmo e de outro lado a sua antítese que é a Essência, que representa a profundeza interior desse Ser, dotado de sentimentos e emoções únicas. Pois bem, nobre leitor, vamos supor, em tese a priori, que viver significa transcender a essência de Si mesmo para uma dimensão material: expansão do ser em sua plenitude total do Corpo + Alma, e isso quer dizer que esse ser está vivendo graças a sua homeostasia corporal e sua mente com o sopro intelectual da curiosidade, alegria, orgulho, piedade, prazer, sabor, estranheza, vergonha, amor, arrependimento, gozo e tantas outras sensações,  pois vivemos no mundo sensorial; a mente pode ainda estar cheia de ideais, imaginações, superstições, dúvidas, suposições, interrogações, induções, deduções, análise, introspecções; ou pode ser impulsionada pelo desejo de poder, reconhecimento social, riqueza, liberdade, posição, fama, glória, conhecimento; enfim, a maravilha da existência humana é que somos ao mesmo tempo anjos, quando resistimos a testes e provações e demônios, quando tomamos decisões atrevidas ou entramos em competição com os outros e, expressamos opiniões obstinadas, ou inclusive quando falhamos através dos pecados capitais. Todas estas coisas e outras similares são simplesmente manifestações das três principais funções da alma, que são a emoção, a mente e a vontade. A vida não se arruma predominantemente destas coisas? Mas nunca poderão levar à regeneração plena, sem a resiliência. Conceito herdado da Física, especificamente da Mecânica, para se referir à resistência dos materiais ao choque e à deformação e ao seu retorno ao estado anterior.
OBS.: Para se aprofundar mais, click no link e leia esse outro texto: 
https://portaltribunadoguacu.com.br/coluna/29/vies-de-consciencia-etica-o-devir-dos-juizos-esteticos-e-da-vergonha-na-cara
 
     O MUNDO COMO ILUSÃO REPRESENTATIVA
     Isso parece absurdo, contraditório e ilógico: deseje apenas o que está dentro de você. Basicamente, buscamos coisas que não estão em nós. Desejo significa querer coisas que não possuímos. Se já está em nós, então perde-se o desafio da conquista, afinal por que precisa desejá-lo se já o possui? Acontece que isso se transforma num ciclo vicioso entre desejar e possuir como algo que sempre está fora e com isso sempre queremos mais. Ninguém quer ser autêntico por ele mesmo, afinal no mundo das objetivações é mais fácil ser rotulado pelos valores simbólicos das coisas  e dessa forma não há necessidade de pensar no conteúdo, afinal a essência é como perfume. Você já é isso, nada está perdido. Você quer o que está faltando. Dos escritos teosóficos sobre o que está dentro de você - há muitos motivos para repensar como a Fênix . Primeiro, se você quiser algo que não está em seu coração, você pode conseguir, mas nunca será seu. Não pode ser. Na verdade, você nunca pode se tornar seu mestre, você apenas se tornará um escravo. O possuidor está sempre na posse de sua propriedade. Quanto mais coisas você tem, maior é a escravidão criada. Você está possuído por sua propriedade e quer ser o mestre mas não passa de um servidor. Neste ponto uma sensação de  frustração começa, porque todas as suas alegrias da conquista são rapidamente frustradas. Trata-se de uma certa forma de banalização de si mesmo pois as coisas no qual se desejava já estão presentes e realizadas mas como já não és mais o Senhor das coisas, mas o servo em meio ao reino dos sonhos que se parece ter tornado uma prisão, e tudo o que se possui, ou pensa possuir, não serve para alcançar nenhum tipo de satisfação. Filosoficamente a morte é o juízo crítico para julgar se realmente possui alguma coisa ou se é possuído. Julgue em sua consciência levando em consideração os dois pontos extremos: Vida e Morte, e veja se você ainda possuirá suas coisas após a morte e faça uma profunda reflexão: “Se a morte tomar suas posses, então você nunca as possuiu e era apenas uma ilusão, enfim um oásis no deserto. Há algo que a morte não lhe pode tirar?
OBS.: Para se aprofundar mais, click no link e leia esse outro texto: 
https://portaltribunadoguacu.com.br/coluna/12/a-cigarra-e-as-tres-ecologias-da-vida-e-morte--severina-transformacao-resignacao-e-ressignificacao
 
      UM PROPÓSITO DE VIDA: BUSQUE O CAMINHO PARA DENTRO DE SI
     Interessante proposta filosófica: desejar apenas o que está dentro de você, pois o que está fora pertence ao mundo exterior e ficará após sua passagem para a dimensão espiritual. Deseje alcançar sempre seu Eu mais profundo, deseje possuir a sua própria essência do qual se esqueceu, ou então virou as costas completamente para aquela criança que ficou para trás. Questão Provocativa: Por que o homem se esquece de si mesmo? Pensar nisso é remeter ao mito da Fênix que em sua clássica figura grega da ave que se incendeia e se regenera das próprias cinzas, eis aqui a máxima expressão simbólica do termo Resiliência. Do ponto de vista da resiliência de Epiteto, que se baseou na sua vida traumática para a formulação da sua filosofia da resiliência.  Considerado como escravo filósofo, Epiteto nasceu escravo no ano de 55 D.C., na cidade de Hierápolis, situada no atual território da Turquia. O seu nome significava comprado. Alguns relatos sugerem que o seu primeiro dono o espancava e torturava, e que uma das suas pernas foi partida e ficou coxo para o resto da vida. Mas independentemente do que lhe tenha causado a deficiência, o fato é que passou a maior parte da vida coxo, indigente e sem família. Naquela época um escravo podia ser espancado, torturado ou executado a qualquer momento, e, nesse cenário nosso filósofo estoico, também enfrentava a perspectiva constante da prisão ou da execução. Como era possível um estoico manter-se calmo e mentalmente forte, no meio de tanta incerteza e repressão, quando via a sua capacidade de controlar o seu próprio destino tão limitada? Como podia sequer esperar manter-se senhor da sua própria alma? A estratégia de Epiteto consistiu em lembrar-se constantemente de que havia coisas que podia controlar e outras que não. Esse pensamento, hoje, em sua abordagem filosófica humanista é designado pela capacidade do autocontrole interior para enfrentar frustrações e ao estresse, quando exposto a situações adversas ou indutoras de grande ansiedade. Ainda, segundo Epiteto, temos de aprender a exercer o nosso poder sobre a zona dos nossos pensamentos e crenças. Esse é o nosso reino. Em nosso interior, somos reis, e podemos decidir exercer nossa majestade. Temos sempre a possibilidade de escolher aquilo em que pensamos e em que acreditamos. Os estoicos insistiam que nunca ninguém poderá obrigar-nos a acreditar no que quer que seja contra a nossa vontade. Ninguém conseguirá fazer-nos escravos se soubermos como resistir. Como disse Epiteto: “O ladrão do vosso livre-arbítrio não existe”.
OBS.: Para se aprofundar mais, click no link e leia esse outro texto: 
https://portaltribunadoguacu.com.br/coluna/48/livre-arbitrio-conheca-a-si-mesmo-e-encontrara-a-paz-e-aceite-a-morte-e-descobrira-a-vida
 
     SEM ESSA DE FINAIS FELIZES
    Contudo, temos que aceitar que não temos poder absoluto sobre a morte e sobre tudo que está ou que é exterior a nós. Na verdade, temos controle muito limitado sobre o que acontece no mundo — e temos de aceitar esta realidade, caso contrário passaremos a maior parte da vida sem foco, irritados, assustados e a sentirmo-nos miseráveis e condenados à eterna angústia de ser um pequeno ponto em nossas histórias pois a única certeza é que morreremos, um dia...
“Severino, retirante, deixe agora que lhe diga: eu não sei bem a resposta da pergunta que fazia, se não vale mais saltar fora da ponte e da vida nem conheço essa resposta, se quer mesmo que lhe diga é difícil defender, só com palavras, a vida, ainda mais quando ela é esta que vê, severina mas se responder não pude à pergunta que fazia, ela, a vida, a respondeu com sua presença viva”.
Do livro "Morte e Vida Severina" que é uma obra-prima do poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto (1920-1999).
... Oxalá, saibam os deuses quando será!
OBS.: Para se aprofundar mais, click no link e leia esse outro texto: 
https://portaltribunadoguacu.com.br/coluna/34/setembro-chegando-e-indagar-o-sentido-da-primavera-como-exemplo-do-ciclo-da-vida-e-coerente-para-voce-
 
 Pensemos, todos, nisso!
Alberto Carlos Paschoaletto
Coluna: (CONS)CIÊNCIA & VIDA
Caminho Livre pelo Pensar Filosófico
 
[1] Professor Universitário, com graduação em Ciências Jurídicas e Sociais; pós-graduação em Gestão Empresarial, Psicologia Organizacional e do Trabalho; Mestrando em Desenvolvimento Sustentável e Qualidade de Vida.
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(CONS)CIÊNCIA & VIDA

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Alberto Carlos Paschoaletto é Professor Universitário, graduado em Ciências Jurídicas e Sociais; pós-graduação em Gestão Empresarial, Psicologia.

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