04/09/2021 às 12h53min - Atualizada em 04/09/2021 às 12h50min

Perfeito é ser imperfeito: Ensejando o agonista frente ao espelho do cárcere interior

(CONS)CIÊNCIA & VIDA

(CONS)CIÊNCIA & VIDA

Alberto Carlos Paschoaletto é Professor Universitário, graduado em Ciências Jurídicas e Sociais; pós-graduação em Gestão Empresarial, Psicologia.

Foto: internet
 
PASCHOALETTO[1], Alberto C.

   Nobre leitor de (CONS)CIÊNCIA & VIDA o termo agonista vem do grego “agonistés” e do latim “agonista" que representa o competidor equivalente a uma pessoa engajada em um conflito, desafio ou competição ao seu oponente denominado “antagonista”. Calma, estamos só no começo e como diria o esquartejador vamos por partes, nobre leitor.
    Continuando em nossa linha de argumentação filosófica na acepção da bioquímica e farmacodinâmica um agente agonista se refere a substância química que interage com um receptor de membrana, o ativa e inicia uma reação. A reação pode ser um aumento ou diminuição na atividade de uma determinada célula associada ao receptor. Ainda em nossa argumentação quando a molécula da substância agonista interage com o receptor por meio de ligações covalentes apropriada para causar alterações celulares que pode ou não ter uma resposta fisiológica. As substâncias agonistas são comumente usadas em eletrofisiologia para ativar especificamente as correntes iônicas. Ocorre que na relação cartesiana as coisas se manifestam em forças dualistas, contrárias, assim sendo o agonista tem seu oponente de força contrária denominado antagonista que significa o que age em sentido oposto; opositor ou aquele que é contra alguém ou contra alguma coisa; adversário, enfim um vilão que é um personagem, um grupo de personagens ou uma instituição que representa uma oposição contraria ao do agonista. Em outras palavras, é uma pessoa, ou um grupo de pessoas gerando força de resistência em oposição por um princípio cartesiano. Isto posto, cabe aqui uma reflexão: Como se a vida fosse um relógio de corda que mecanicamente se expirará nas próximas vinte e quatro horas após seu contato com esse texto... sim, agora contaremos com sua capacidade de subjetivação para compreender a nossa proposta argumentativa para sensibilizá-lo a ponto de pensar sua vida, como alguém frente ao espelho. Chegamos ao núcleo intencional do nosso texto reflexivo. Pois bem, com nossa ideia central baseada na autorreflexão queremos acordá-lo da robotização e piloto automático pelo qual damos conta dos compromissos, profissionais, pessoais, sociais, e tantos outros. Não nos demos conta que vivemos uma sociedade do espetáculo capitalista que desde os anos cinquenta sustenta-se num ciclo de produção linear sustentada no consumo com uma tendência histórica de moldar suas campanhas publicitárias no esvaziamento existencial que gera uma necessidade de compensação através do consumo o que alimenta a história dessa categoria de produtores de bens, cada vez mais concentrados em conglomerados industriais. Essa tendência foi levada ao extremo e criou um problema: a sociedade tornou-se tão consumista na demanda pela produção de mercadorias que muitos aspectos da vida foram moldados pelas atividades humanas e, ao mesmo tempo, o controle da distribuição das atividades tornou-se mais alienado. E alienado mais do que nunca. O resultado é uma nova forma de conflito: porque a automação pode garantir a satisfação das necessidades de sobrevivência sem depender de trabalho contratado, a pobreza de subsistência está substituindo a pobreza material, e o conflito social decisivo não é mais entre o trabalho e o capital em si, mas essas pessoas estão vazias por dentro, e compulsivamente vão as compras para compensar a dor desse esvaziamento de valores e são mais fontes de  demandas sobre a vida e aqueles que tentam manter o sistema atual, não podem mais parar como se fossem um trem desgovernado e sem freios. Dessa forma cada dia passa no piloto automático, pois descreve os estágios iniciais da evolução do poder alienado como uma forma da própria paisagem desfigurada pela velocidade. Vez em quando um sinal de alerta do corpo, outra vez o sinal de alerta chega através de uma ruptura de vida e morte. Pois então nobre leitor, viver está cada vez mais complicado e não é para ser assim. Afinal, somos criaturas idealizadas pelo criador para ser sua imagem e semelhança e portanto importantíssimo que sejamos ao mesmo tempo obra de arte como também o criador mas retornando a ideia central do texto é lembra-lo de que no tic tac das horas o entra/sai ano está fluindo onde cada ano  tem seu período cíclico de 365 dias solares e 6 horas está aí novinho para preenchermos o dia-a-dia com atividades existenciais. Lembre-se, não vivemos no ano, mês, quinzena ou semana, mas, no dia a dia é que conjugaremos as ações do tempo presente; Embora o ano nos dê uma sensação de futuro pois que está lá em 31 de dezembro seu final mas é logo no começo de cada dia do ano que surge o sinal do Início em continuidade ao velho ciclo/processo e vigorará em seu curso atual, engolindo os dias, rapidamente. É necessário substituir os velhos hábitos e costumes, que já estão ultrapassados para deixar espaço ao novo. Sentimento para perceber, sentir e conhecer as coisas, para se colocar aberto ao novo e sensível ao fenômeno da vida afetiva e das emoções da mudança de hábito. Esperança: para ver os hábitos e vícios e perceber a profundidade e o tamanho da prisão existencial que estamos cavando e, para concentrar o sentimento e enxergar como possível da realização daquilo que se deseja melhorar por sua qualidade, caráter, valor, importância, que é superior ao que lhe é comparado. Queremos propor que você limite seu campo de visão para um dia, como sendo único, enfim... se pelo menos pensares assim ao ler o texto já alcançaremos nosso objetivo reflexivo.
    Assim, caso não consigamos elevar nosso nível espiritual do inconsciente para o consciente, estaremos como a algoz de si mesmo que se coloca obreiro em cavar calabouços aos vícios enquanto ao mesmo tempo levanta templos à virtude e sabe-se lá à quais divindades pode-se considerar como válidas, atualmente. Embora quando se espera uma prática da espiritualidade consciente a intencionalidade da prática do bem não deve ser apenas dita em palavras e discursos, pois se assim for não passa somente para servir como simbolismo e acaba sendo vivido no piloto automático, portanto, inconsciente. A questão aqui neste texto, se quisermos, realmente, que um ano novo seja com sentimento de esperança e melhoria, precisamos fazer alguma coisa para dar o primeiro passo no sentido de reconhecer as próprias falhas e admitir a necessidade da ajuda do outro. Assim, não basta saudarmos alguém desejando um ótimo final de ano nem muito menos um bom ano novo, se continuarmos presos aos velhos hábitos de fazer o errado (efeito) perpetuar-se como causa primária.  
    O vício/hábito da nossa prisão existencial pode ser o cigarro, álcool, sedentarismo, gula, luxúria, vaidade, orgulho, soberba, sovina, jogo, e outros considerados tudo aquilo que causa dependência física, mental ou psíquica e que diretamente fazem com que nosso organismo deixe de funcionar biologicamente como foi programado pelo Grande Arquiteto do Universo ou, gerando um desequilíbrio no campo de vibrações do destino. Faça uma pergunta para você, caro leitor, ainda hoje e de preferência agora mesmo:
"O que fizeste tu, de tua vida nesse ano?"
Tem uma frase muito interessante para pensarmos em conclusão, um trecho adaptado do poema de Victor Hugo – “Desejo, outrossim, que você tenha um ego forte, porque é preciso ter força e coragem. E, que pelo menos uma vez por ano você tenha coragem para colocar ele (ego) na sua frente e diga: Você é meu! Só para que fique bem claro quem é o dono de quem”.
Adaptado do poema “Desejos”, o belíssimo poema de Victor Hugo que inspirou Frejat em sua clássica música Para recomeçar, que segue na íntegra:
 
Eu te desejo não parar tão cedo
Pois toda idade tem prazer e medo
E com os que erram feio e bastante
Que você consiga ser tolerante
Quando você ficar triste que seja por um dia e não o ano inteiro
E que você descubra que rir é bom
Mas que rir de tudo é desespero
Desejo que você tenha a quem amar
E quando estiver bem cansado
Ainda, exista amor para recomeçar

Eu te desejo muitos amigos
Mas que em um você possa confiar
E que tenha até inimigos
Para você não deixar de duvidar
Quando você ficar triste que seja por um dia e não o ano inteiro
E que você descubra que rir é bom
Mas que rir de tudo é desespero
Desejo que você tenha a quem amar
E quando estiver bem cansado
Ainda, exista amor para recomeçar
Para recomeçar eu desejo…

     Vivemos uma relação paradoxal do tempo, pois se de um lado vivemos uma sociedade com muitas oportunidades para o consumo, afinal tudo está disponível para consumo imediato através dos cartões de crédito que geram uma riqueza “artificial” e por outro lado, cada vez mais os acessos ao consumo, implica no esvaziamento do eu interior uma vez que sem tempo para pensar a própria vida “Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem dinheiro para recuperar a saúde. E por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem do presente de tal forma que acabam por não viver nem o presente nem o futuro, e vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se nunca tivessem vivido” como já muito bem disse Dalai Lama. Também cabe uma outra reflexão: O Esvaziamento da essência está gerando uma coisificação da existência humana ao mesmo tempo em que humaniza as coisas. E, não estamos com tempo para pensar a questão do trabalho em seu aspecto disruptivo onde as máquinas estão assumindo as tarefas do humano, enfim mais uma questão reflexiva: A robotização de algumas atividades laborais pode otimizar a gestão humana e a produtividade, contrariando as preocupações existentes de sermos substituídos pelo progresso tecnológico, sendo este o verdadeiro desafio para se conseguir uma simbiose homem/máquina de maneira que seja perfeita. Essa é a chamada "economia criativa", e as obras criativas exigem o uso de habilidades cognitivas que somente os humanos possuem. Na pesquisa de inteligência artificial, algumas pessoas falam sobre a existência de funções cognitivas humanas que não podem ser simuladas, mas não estamos nos dando conta em pensar que  estando no piloto automático estamos desperdiçando o nosso bem mais precioso, o tempo!
    Pois então, nobre leitor, não basta querer, mas, é preciso ser um homem Justo e Perfeito para colocar-se à postos e à ordem para servir em vez de querer ser servido ao que cabe aqui provocar uma reflexão final para que sejamos humildes ao colocar-se como obreiro à lapidar a pedra bruta existente em nossos corações e que servirá ao final para lacrar o cárcere existencial. Neste sentido nosso texto é um sinal de alerta para que você se olhe no espelho na busca de alcançar a consciência e que possa perceber que a verdadeira mudança é aquela que chega de dentro para fora, e, cada um escolherá o final de sua própria história...
    ... Pensemos, todos, nisso!
 
[1] Professor Universitário, com graduação em Ciências Jurídicas e Sociais; pós-graduação em Gestão Empresarial, Psicologia Organizacional e do Trabalho; Mestrando em Desenvolvimento Sustentável e Qualidade de Vida.
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