27/08/2021 às 12h09min - Atualizada em 27/08/2021 às 12h01min

A vida como obra de arte e o espiritualismo como Batuta de Regência do Amor

Foto: internet
PASCHOALETTO[1], Alberto C.

     Nobre leitor desta Coluna filosófica: (CONS)CIÊNCIA & VIDA.: Podemos afirmar que a Espiritualidade é a crença na parte imaterial do ser humano; na mente, no pensamento, no senso de orientação de conduta e do significado existencial do conhecimento, visto que por definição o Homem é um ser vivo, mamífero, bípede, dotado de mãos prenseis, cérebro volumoso, sentimentos e uma inteligência. Gerenciar a carreira no enfoque da espiritualidade significa entender a complexa natureza humana, nas partes que forma um todo ético: Indivíduo / Espécie / Sociedade. Uma questão preliminar: Na era da informação vivemos uma sociedade do conhecimento. Mas, afinal: O que é o conhecimento? É aí que faz sentido a frase de Jean Paul Sartre: A imagem não é uma coisa, um ato de Consciência. A Imagem que se forma a partir do conhecimento é a compreensão da Verdade (de uma coisa) Justificada (por uma causa). Assim, gerenciar uma carreira implica no Homem reflexivo, do ser que pensa e repensa sua existência e sua essência, sabe que performance profissional depende do equilíbrio de forças da autoestima e autorrealização. Cabe, também, ressaltar que nosso título traz a questão de uma epistemologia do amor, mas o que podemos explicar sobre isso? Pois bem, podemos entender epistemologia como “reflexão geral em torno da natureza, etapas e limites do conhecimento humano, esp. nas relações que se estabelecem entre o sujeito indagativo e o objeto inerte, as duas polaridades tradicionais do processo cognitivo; teoria do conhecimento” (na acepção filosófica). Podemos, então, compreender uma crença (valores expressos pela subjetivação), verdadeira (um fenômeno observável), justificado (à luz da ruptura do senso comum, portanto, letrado pelo racionalismo, portanto objetivado). Com isso, quando da ruptura (que é a compreensão do fenômeno e suas causas) podemos nos socorrer em Jean P. Sartre em sua “A imagem (conhecimento) não é uma coisa (fenômeno observável), um ato de consciência (crença e valores intrinsecamente subjetivados para alcançar a objetivação do conhecimento das causas, portanto racional). Neste ponto, percebo uma grande manifestação da subjetividade existencial, que procura a realização pessoal, integrando vida e trabalho, harmoniosamente. Porém, a objetividade proposta pela crença no objeto de análise (currículo) acaba constituindo a referência ao pensar repetitivo, mecanicista até. Ainda que eu falasse a língua dos anjos, sem amor, nada seria... (Renato Russo, cantando carta de Paulo aos Coríntios, 13) que nos remete usar a fenomenologia das emoções e dos valores (Max Scheler) como ponto de partida para uma proposta reflexiva no entorno filosófico a respeito do método da compreensão da verdade e suas causas e rompendo o conhecimento popular e do senso comum através da episteme que na filosofia grega de Platão, compreendida como o conhecimento verdadeiro, de natureza científica, em oposição à opinião infundada ou irrefletida). Mas, o que adianta conhecer o Universo inteiro se a própria essência ainda é desconhecida? Sartre propõe uma angústia pela eterna condenação a liberdade, ou seja, enquanto não encontrar seu verdadeiro motivo (causa primária da tua própria essência) serás um ser que viverá pela metade perdido em sua própria angústia existencial. Com isso, podemos afirmar que sendo autêntico (verdadeiro para si mesmo) o Homem será feliz independentemente das causas exteriores.  
       Bom, com isso podemos nos socorrer na fenomenologia das emoções e dos valores (Max Scheler) como ponto de partir para uma reflexão filosófica a respeito do amor, pois amando o que conhecemos (eu interior) estaremos abertos para uma relação amorosa com o mundo exterior. Podemos afirmar que o amor é uma atitude básica de rendição ao mundo com implicações que implicam na teoria do conhecimento. Portanto, o amor na fase infantil, ainda que não possamos encontrar palavras para demonstrar que a atitude do amor e da rendição da criança nos jardins (mágicos do próprio pensamento) é maravilhosamente rico, pois que no mundo do “faz de conta” da criança os jardins são mágicos e maravilhosamente convidativos para explorações em aventuras imaginativas com as rosas e insetos do próprio jardim (o mundo exterior) onde sempre encontra significado e valor no mundo, pois que se transformou em uma criança, como se o próprio mundo fosse feito para ela. Por isso o mundo da criança tem máxima expressão estética, como se o mundo fosse uma pintura feita para ser contemplada por ela própria. Isto posto, olhai para elas (as crianças) pois que serão as herdeiras do céu (pois que o mundo imaginativo do carinho que se entrega em correspondência pois que a criança está na escuta ativa do mundo, com carinho) pois que essa escuta é do Coração (Cor) e a ação (agem) é o florescer para o mundo, como uma própria flor do jardim.. e, nesse mundo é imperativo o carinho, pois que o mundo se coloca para a criança como um todo harmônico no qual cada componente (pequena partícula) e cada sujeito (ente) terão se devido lugar que o Grande Arquiteto previu como um porto seguro para cada uma das suas criaturas em seu plano universal.
 
Pois bem, o amor é essencialmente uma relação ascendente que eleva tanto coisas (fenômenos) como pessoas, de modo que o valor mais alto se revela nas coisas simples... incrível, não?  
 
Quando o indivíduo não possui autoconhecimento, estranho de si mesmo, esse caso, o trabalho torna-se um fardo que será carregado ao longo da vida. Portanto, aqui entende-se que a espiritualidade na gestão da carreira é a transcendência do conhecimento para a materialização de projetos de vida sustentáveis e de autorrealização do Homem que pensa. Ao pensar aprimora-se sua força de busca, aprende-se a promover o nascimento da realidade: pensar é ser espiritualista e significa permanecer junto ao pensamento, pronto para mudança de atitudes, a partir de uma verdade que se justifica. O pensamento então gera atitude e o Homem com atitude é um vencedor nato, pois que sua tabula rasa será preenchida senão pela subjetividade modeladora da realidade e constata-se a transcendência de todos os limites da objetividade dos “Milagres”. Gerenciar a própria carreira centrado no modelo espiritual significa entender as partes que formam o todo da complexa visão holística da natureza humana e compreender que Homens são muito mais do que máquinas, como já dizia Charles Chaplin:
 
“Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas duas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido”.
 
Conhecer seus próprios limites é uma fronteira do altruísmo. Quando digo primeiro pense em você, não parece Egoísta? Vejamos que a caridade pode ter o status de virtude moral, mas certamente não é uma virtude epistemológica pois a lacuna ontológica ente o Ser e o Mundo natural em seus diversos contextos mas a proposta é explicar que  o comportamento sustentado pelo altruísmo virá como consequência do conhecimento de si mesmo, para ajudar o próximo. Então o altruísmo será simplesmente a natureza realizadora do autoconhecimento. Mas, o que é o autoconhecimento?
 
Com o passar dos anos, percebi que o autoconhecimento começa pela compreensão e aceitação de si mesmo e viver significa Ser e estar por inteiro, enfim completo para conduzir a vida. Tem por objetivo o bem estar e a força de espírito para superar o desígnio de fragmentação do eu em diversos compartimentos (biopsicossocial) desconexos; sê inteiro e pleno da própria essência para refletir sobre o Ser, o humano em sua inteira totalidade de sentido e conexão sistêmica com o todo (causa primaria de todas as coisas) ao perfeitamente inteligível com Fernando Pessoa: Minha alma é uma orquestra oculta; não sei que instrumentos tange e range, cordas e harpas, timbales e tambores, dentro de mim. Só me conheço como sinfonia.
 
Parece interessante o uso do símbolo musical, pois quando realizamos a obra da vida em sua sagrada tarefa de ser uma parte o viver se assemelha ao espetáculo não de indivíduos isolados, mas como uma orquestra onde sujeitos se integram no todo, como uma orquestra no espetáculo da vida. Tenho a convicção de que os membros dessa sagrada escola que é a vida dominam seus instrumentos musicais onde cada um conhece bem suas respectivas partituras. No entanto, o espírito dessa escola gregária vai além dessa dimensão: não basta termos excelentes solistas e bons musicistas em nossa consagrada orquestra “Viva” visto que também é preciso ter um regente, olho que tudo vê e ouvido que tudo escuta, e conta com o apoio do spalla (ombro, em italiano... mais adequado se fosse angelo custodie ou anjo da guarda) função que é desempenhada por um primeiro-violino, que é o braço direito do maestro. Se fosse no esporte seria equivalente ao capitão do time, com acento garantido na primeira cadeira à esquerda do regente, responsável por conferir a afinação da orquestra.. E esse conjunto, músicos, solista, regente e spalla se desenvolve numa cadência de tempo e movimento num aprendizado coletivo, gradativo e permanente no Concerto do espetáculo chamado VIDA LIVRE onde cada integrante se funde com a plateia como uma obra única intitulada Filosofia de vida e autoconhecimento, do qual o resultado de milênios de história ancestral e aperfeiçoamento da ópera simbólica “Humanidade”. Cabe aqui uma observação... nossos textos não são religiosos, nem pretende defender uma ou outra crença. CONSCIÊNCIA & VIDA tem uma amplitude além de qualquer rótulo, seja ele religioso ou dogmático, afinal qualquer pensamento que se prende aos padrões mentais travestidos nas ideologias são prisões. A religião deve ser entendida como a premissa menor da Espiritualidade que deve ser vinculada à manifestação do pensamento livre e esclarecido, autônomo e independente das prisões mentais da idolatria aos cultos, rituais e outras formas de adestramento mental do ser inferior frente ao superior, mandatário da fé. Longe disso, pretendemos constituir uma Filosofia de CONSCIÊNCIA & VIDA para capacitar o indivíduo a não se sentir inferior, mesmo que esteja diante de DEUS; a filosofia é para possibilitar força e ousadia intelectual para fazer sentir-se pleno entre corpo/alma, um projeto perfeitamente acabado e que deve ser compreendido em sua dimensão constitutiva humana, caracterizada pela intimidade do ser humano com algo maior, e se for para falar com Deus, que seja de igual para igual – NAMASTÊ! A grande diferença entre Espiritualidade (premissa maior) e Religiosidade (premissa menor) está no ponto de vista epistemológico que na Espiritualidade está a autonomia do Ser em sua mais ampla concepção de autoconhecimento que  não deixa vazão para sentimento de culpa e da necessidade de espiar os pecados através de caminhos árduos que purifica o Homem, como prega a religião; Do ponto de vista deste texto queremos propor que estar completo em si mesmo é o primeiro passo alcançarmos DEUS ou seja lá o nome que queira dar, simples assim. Em considerações finais, Kim e Alison McMillen: Quando me amei de verdade, poema com autoria erroneamente atribuída a Charles Chaplin que serve para concluirmos nossa proposta reflexiva dessa semana:
 
Quando me amei de verdade, compreendi que, em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento preciso.
E, então, pude relaxar. Hoje sei que isso tem nome… AUTOESTIMA.
Quando me amei de verdade, pude perceber que minha angústia e meu sofrimento emocional não são, senão, sinais de que estou indo contra minhas próprias verdades.
Hoje sei que isso é… AUTENTICIDADE.
Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento.
Hoje chamo isso de… AMADURECIMENTO.
Quando me amei de verdade, comecei a perceber por que é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa (talvez eu mesmo) não está preparada.
Hoje sei que o nome disso é… RESPEITO.
Quando me amei de verdade, comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável: pessoas e situações, toda e qualquer coisa que me pusesse para baixo. De início, minha razão chamou essa atitude de egoísmo. Hoje sei que se chama… AMOR PRÓPRIO.
Quando me amei de verdade, deixei de me preocupar por não ter tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os megaprojetos de futuro. Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo. Hoje sei que isso é… SIMPLICIDADE.
Quando me amei de verdade, desisti de querer sempre ter a razão e, com isso, errei muitas menos vezes. Hoje descobri a… HUMILDADE.
Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de me preocupar com o futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece. Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é… PLENITUDE.
Quando me amei de verdade, compreendi que minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas, quando eu a coloco a serviço do meu coração, é uma valiosa aliada.
E isso é… SABER VIVER!
Não devemos ter medo de nos questionarmos… afinal até os astros se chocam e do caos desse encontro nascem as estrelas. Guardada as devidas proporções é da subjetivação em confrontação com as coisas objetivadas que elevamos a vida para um patamar de obra de arte, pois, no modo como se dá este confronto e caos, depende da força motriz da filosofia e espiritualidade, com íntima relação entre sujeito e verdade ao que Foucault identificou a diferença fundamental entre ambas: A espiritualidade postula que a verdade jamais é dada de pleno direito ao sujeito. ... Pois, tal como ele é, não é capaz de verdade. Que pensemos então no papel da filosofia pois que a resposta está dada em sua mais ampla e profunda relação enigmática e genuinamente filosófica.
Alberto Carlos Paschoaletto
Coluna: (CONS)CIÊNCIA & VIDA
                                                                                                  Caminho Livre pelo Pensar Filosófico.
                                                                                                     Jornal Tribuna do Guaçu
 
 

[1] Professor Universitário, com graduação em Ciências Jurídicas e Sociais; pós-graduação em Gestão Empresarial, Psicologia Organizacional e do Trabalho; Mestrando em Desenvolvimento Sustentável e Qualidade de Vida.
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Alberto Carlos Paschoaletto é Professor Universitário, graduado em Ciências Jurídicas e Sociais; pós-graduação em Gestão Empresarial, Psicologia.

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