21/08/2021 às 10h47min - Atualizada em 21/08/2021 às 10h32min

Concepção teórico filosófica da gerontologia como devir do Envelhecer com Sabedoria!


PASCHOALETTO[1], Alberto C.

     Nobre leitor, Identificar e analisar aspectos que sirvam de elementos expressos da filosofia como basilar para alcançar elementos básicos da constituição de um projeto de vida capaz de desenvolver novas perspectivas sobre o devir, como projeto de vida para o envelhecimento como fenômeno de observação longitudinal participante, ou seja: Todos nós, ao longo da vida, somos pesquisadores da escola da vida e num fluxo contínuo com rupturas constantes da experiência do não saber para o saber, até porque a vida é uma grande escola e viver é manifestação pragmática do devir (processo de mudanças efetivas pelas quais todo Ser passa... ao ser em si mesmo; fazer por si mesmo; existir por si mesmo; tornar-se ou transformar-se por si mesmo uma intenção futura onde se projeta os sonhos do vir a ser, do latim devenire). Até aí, tudo bem, mas tomemos como base a centelha motivacional para a procura de si mesmo e a partir da autodescoberta de si mesmo, outra base motivacional para ir ao  encontro do outro. Esse é o ponto central da angústia do Ser: O autoconhecimento deve ser conjugado da primeira pessoa no singular, para a segunda pessoa no singular e depois a terceira pessoa no plural das singularidades do EU e TU. Portanto, o autoconhecimento é o pilar de sustentação da vida; criar um estilo de vida eternamente baseado na juventude, pode ser um autoengano pois que cada ciclo tem suas características próprias no espaço/tempo e, viver a generalização linear desses dois grandes eixos, espaço/tempo é condição para redução da velhice e do envelhecimento como barreiras que levam à doença, vício, dor e morte, e priorizam os problemas que surgem, até porque tudo tem seu espaço na linha do tempo. Parece interessante abordagem escapista encontrar válvulas para aliviar a angústia do ser o que não se quer ser que gera força de atrito entre o envelhecimento e a velhice que está relacionada ao espaço/tempo, ao aprendizado e à fraqueza. Esse método de autoconhecimento é base para filosófica que permite a aproximação e combinação de diferentes ideias e a tese central de qualquer ser que se propõe buscar a possibilidade de uma vida que transcende modelos e tempos de pensamento, relações vida / aprendizagem, padrões e modos de fragilidade / idade. De certa forma, cada um de nós conduzimos experimentos para confirmar a diversidade e o possível futuro do envelhecimento,  quando então raciocinávamos sobre a felicidade como uma meta de vida, principalmente quando o novo normal (PANDEMIA) nos impõe pensar o envelhecer como um projeto de vida alcançável e nossa ênfase de hoje é: ENVELHECER COM OTIMISMO, É POSSÍVEL? Para tanto, não valorizaremos qualquer comentário inerente ao COVID-19 mas começaremos analisando a música “Envelhecer” de Arnaldo Antunes, versão acústica, com vídeo disponível no youtube. “A coisa mais moderna que existe nessa vida é envelhecer; A barba vai descendo e os cabelos vão caindo pra cabeça aparecer; Os filhos vão crescendo e o tempo vai dizendo que agora é pra valer; Os outros vão morrendo e a gente aprendendo a esquecer; Não quero morrer pois quero ver como será que deve ser envelhecer; Eu quero é viver pra ver qual é; E dizer venha pra o que vai acontecer; Eu quero que o tapete voe no meio da sala de estar; Eu quero que a panela de pressão pressione e que a pia comece a pingar; Eu quero que a sirene soe e me faça levantar do sofá; eu quero pôr Rita Pavone no ringtone do meu celular; Eu quero estar no meio do ciclone pra poder aproveitar; e quando eu esquecer meu próprio nome que me chamem de velho gagá; Pois ser eternamente adolescente nada é mais démodé com uns ralos fios de cabelo sobre a testa que não para de crescer; Não sei por que essa gente vira a cara pro presente e esquece de aprender que felizmente ou infelizmente sempre o tempo vai correr; Não quero morrer pois quero ver como será que deve ser envelhecer; Eu quero é viver pra ver qual é e dizer venha pra o que vai acontecer”. Vale aqui retomar algumas considerações em torno do conceito sartreano de liberdade individual. A noção de sujeito (pessoa) abarcada na filosofia sartreano pressupõe uma liberdade fruto de uma consciência autônoma para escolher, ou seja, o envelhecer é intencional. Dessa forma, o sujeito livre é o sujeito moderno elaborado na esteira da filosofia cartesiana com liberdade (livre arbítrio) do pensar e da consciência individual. Nessa perspectiva declara Sartre no Existencialismo é um Humanismo e, como ponto de partida, não pode existir outra verdade senão esta: “penso, logo existo” pois compreende a verdade absoluta da consciência que apreende em si mesma. Nas próprias palavras de Sartre: “Qualquer teoria que considere o homem fora desse momento em que ele se apreende a si mesmo é, de partida, uma teoria que suprime a verdade do cogito cartesiano, em que todos os objetos são apenas prováveis e uma doutrina de probabilidades que não esteja ancorada numa verdade desmorona no nada; para definir o provável temos de possuir o verdadeiro”. A liberdade aparece, então, como a condição primaria da angustia do indivíduo que aprende a si mesmo e compreende através da sua autonomia a sua inquietude face ao envelhecer com a liberdade de projetar-se na realização do próprio projeto de vida, fundamento de todas as essências, onde o homem desvela a essência humanista ao transcender o mundo rumo às suas possibilidades próprias. Ou seja, o homem é homem pela sua condição de ser livre e faz-se afirmando suas escolhas livres, assim, o homem é produto de sua liberdade existencial, pois é na ação livre que o homem escolhe seu ser, que se constrói enquanto sujeito. Podemos, então, por outro lado, admitir que no mundo da natureza (reino animal) não há liberdade, mas o determinismo dos instintos; assim, falar no mundo do humano, do envelhecer na ótica sartreana, é falar num ser que quotidianamente escolhe as ações que faz e dessa forma, toda ação, escolha, objetivo ou condição de vida são produtos da liberdade humana. Assim, a liberdade deixa de ser uma conquista humana, para, segundo Sartre, ser uma condição da existência humana. Para Sartre, o exercício dessa liberdade nas ações de escolher o que fazer e como envelhecer é sempre intencional, portanto movido por uma vontade consciente dos princípios norteadores dessa escolha e dos fins e consequências dessa ação. Na ação livre, o homem é consciente dos princípios de sua ação, porém, e isto é fundamental na obra sartreana, não existem princípios prontos que sirvam de guia para a escolha humana, em outras palavras, não existem valores morais nos quais se possa fundar a ação humana para tecermos qualquer juízo de valor sobre as escolhas de alguém, seja lá quem for, pois a realidade humana não poderia julgar seus fins, projeto de vida, como vimos, nem de fora nem de uma ‘pretensa’ natureza interior visto que as escolhas sofrerão as forças do princípio físico de ação e reação, e, por essa escolha, confere-lhes uma existência transcendente de seus projetos de vidas. Portanto, sempre será o posicionamento de meus fins que caracterizarão meu ser e identificar-se-á ao brotar originário da liberdade que é individual da existência que colherá o que prantou. Enfim, trocando em palavras do dito popular: poderemos pensar que o envelhecer é muito mais um meio do que um fim, visto que o fim será uma essência etérea e utópica, e, se esse fim já está posicionado, o que falta decidir a cada instante é a maneira como conduzir a vida em relação a eles, ou, dito de outro modo, a atitude que vou tomar diante dos desafios existenciais. Serei racional ou emocional? Quem pode decidir senão eu? Dessa forma, podemos muito bem devolver para qualquer indignação ou comentário de juízo de valor o seguinte: Sou, Fiz, Comi, e dai? O que você tem com minha vida? Assim o fim da conduta humana e o mais fundamental para o juízo vem aqui como interrogação, e com ela todos os problemas subjacentes e inquietantes do pondo de vista da maturidade sartreana: os fins justificam os meios? Para atingir um objetivo é bacana usar o que for necessário para esse fim? Para subir na vida, por exemplo, é correto utilizar de meios violentos sobre o outro? Assim, podemos escolher livremente o que fazer da vida e suportar as consequências as ações livres do homem que deverá escolher seus valores e responder por eles, começando pelas consequências dessas escolhas para si mesmo. E, para fecharmos o assunto ficamos aqui com a clássica resposta de Dalai Lama quando perguntado sobre o que mais te surpreende na humanidade, respondeu com lucidez profética: "Os Homens... porque perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem dinheiro para recuperar a saúde. E por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem o presente, de tal forma, que acabam por não viver, nem o presente, nem o futuro. E vivem como se nunca fossem morrer... e morrem como se nunca tivessem vivido". E você, caro leitor, como agiria frente ao espelho...
     Ao mesmo tempo que fora de nós há um infinito não há outro dentro de nós? Esses dois infinitos (que horroroso plural!) não se sobrepõem um ao outro? Não é o segundo, por assim dizer, subjacente ao primeiro? Não é o seu espelho, o seu reflexo, o seu eco, um abismo concêntrico a outro abismo? (Victor Hugo)
 
...quem tem olhos que veja e quem tem ouvidos que ouça
por si mesmo: Pensemos, todos, nisso:
 
Alberto Carlos Paschoaletto
Coluna: (CONS)CIÊNCIA & VIDA
                                                                       Caminho Livre pelo Pensar Filosófico.
                                                                             Jornal Tribuna do Guaçu
 
[1] Professor Universitário, com graduação em Ciências Jurídicas e Sociais; pós-graduação em Gestão Empresarial, Psicologia Organizacional e do Trabalho; Mestrando em Desenvolvimento Sustentável e Qualidade de Vida.
Link
(CONS)CIÊNCIA & VIDA

(CONS)CIÊNCIA & VIDA

Alberto Carlos Paschoaletto é Professor Universitário, graduado em Ciências Jurídicas e Sociais; pós-graduação em Gestão Empresarial, Psicologia.

Relacionadas »
Fale pelo Whatsapp
Atendimento
Precisa de ajuda? fale conosco pelo Whatsapp