05/08/2021 às 13h30min - Atualizada em 05/08/2021 às 13h26min

Setembro chegando e indagar o sentido da primavera como exemplo do ciclo da vida é coerente para você?

PASCHOALETTO[1], Alberto C.

     Caríssimo leitor, neste texto que abre a primeira semana de agosto reservei para instigar um pensamento sobre os ciclos da vida, tomando como exemplo o inverno que está terminando e a próxima estação, a das flores, primavera, já vem chegando. Interessante, mas é a época em que as flores desabrocham e os pássaros começam a cantar. Essas manifestações naturais simbolizam que é o período de renovação e transformação. Se de um lado o inverno remeteu ao ir para dentro e recolhimento interior a nova estação (primavera) é anúncio de mudanças no ciclo natural da vida, tanto do clima quanto do comportamento animal.         Estação onde o dia fica mais longo que a noite e o calor aumentam gradualmente, com brisas de frescor ameno. Setembro é marcado pelos pássaros que se tornam mais ativos, afinal, eles iniciarão muito em breve mais um período de reprodução. Embora nem todo mundo comemore seu aniversário na primavera, esta é uma estação que marca o passar dos anos, afinal é comum perguntar quantas primaveras você viveu? Não é por acaso que a floresta seca se transforma em uma floresta verde e florida, onde a vida renasce nas mais diversas formas. É o período de reprodução que a natureza concentra e atravessa toda a temporada e invade o verão. O canto dos pássaros é extraordinário e o nascimento dos filhotes é a prova da renovação da vida. Só por isso, já faz sentido pensar na primavera como uma época que marca a passagem de um ano, e se essa passagem simboliza a renovação. Estação onde os passados voltam exibindo novas penas. Eles trocam as penas velhas entre o outono e o inverno. Esta parece ser uma condição da própria natureza como dispositivo para se renovar, é preciso renunciar ao que não é mais útil e abrir-se para o novo. Para viver, você precisa se renovar. Pois bem, setembro do nosso ponto de vista marca a estação da renovação e isso posto pensar em agosto para encontrarmos uma referência sobre qual o sentido da vida e o que implica explorar esse tema indigesto e desafiador principalmente neste ano onde avançamos em convivência restrita e novas demandas para um novo normal em nossas rotinas, mas, no entanto, tema central para a filosofia desde primórdios tempos de outrora. O que significa a vida é um ciclo? Os Ciclos de Vida se referem, por princípio, às fases nas quais se dividem os períodos de vida de um indivíduo. O ciclo se estende do nascimento até a morte. As principais etapas do ciclo da vida humana são: infância, adolescência, fase adulta e velhice. Há também as fases de transição entre as etapas da vida, como: Puberdade, Juventude e as mulheres que passam por uma fase chamada de climatério.        De maneira de cosmovisão ampla também pode ser entendido como o conjunto de transformações pelo qual passam todos os indivíduos de uma espécie para assegurar a sua continuidade. Na realidade, conhecem-se variados tipos de ciclos de vida e, em muitos casos, existe alternância, ou mesmo coexistência no mesmo indivíduo, de gerações sexuadas e assexuadas. Bom, isto posto frisamos que COMPREENDER que a vida é feita de ciclos, faz com que a gente fique em paz com as perdas e ganhos da vida, pois nem tudo fica a não ser a certeza de que viver é uma trajetória em um sentido de fluxo único, e como tudo que se vai no rio de águas turbulentas, também se vai a vida. Mas, pensemos que após o dia 17 de março de 2020, já passado mais de um ano vivemos uma crescente e alternada onda entre o racional e o emocional e que associa ideias que remetem ao holístico, ou seja, na visão dos seres humanos como uma pequena parte de um universo cósmico e de seu desígnio mais vasto na amplitude do divino, surge a pergunta disparadora do tema desta nova série “qual é o sentido da vida?” que parece pedir uma resposta religiosa ou metafísica. No entanto, grande parte das discussões filosóficas questiona a necessidade desta associação. Com uma atenção orientada à inevitabilidade da morte, parece muitas vezes tornar a questão do sentido da vida problemática, mas não é óbvio que a imortalidade pudesse fazer a diferença entre o sentido e a sua ausência de vida. Mas, será que faz sentido pensar num sentido para a vida? Pois bem, é o que buscaremos explorar nessa nova sequência temática desta coluna filosófica. Como bem sabemos, o tema do absurdo é recorrente nas discussões entre quem pensa que o universo é indiferente aos nossos destinos. Embora as nossas vidas não tenham sentido, pelo menos aparentemente, defendem que devemos viver como se tivessem o sentido, afinal o caos parece mais organizado do que imaginamos. Diante deste caos, muitos perdem seus valores e o sentimento de culpa subjuga o livre arbítrio, onde absurdamente alguns buscam o suicídio, outros a rebelião, outros ainda a ironia como reação. Também é possível virar as costas à questão do sentido cósmico e procurar um sentido para a vida em outros lugares, tais como na prática do hedonismo do consumo.  Mas, voltemos ao tema central: O que significa “o sentido da vida”? A pergunta “qual é o sentido da vida?” é provavelmente a que causa ao mesmo tempo mais desprezo e mais respeito pela filosofia.        Se por um lado é uma pergunta notoriamente vaga, seu ensejo acarreta muitos equívocos espetaculosos. Por outro, a necessidade de compreender o sentido da nossa existência é profunda e universal, apontando qualidades da mente que são possivelmente centrais para a existência humana. Uma dificuldade significativa que rodeia este tópico é a falta de clareza do próprio tema, e as comparações que podemos fazer com outros contextos nos quais procuramos encontrar um sentido tendem a aumentar a confusão. Quando procuramos o sentido de palavras ou frases tentamos averiguar a forma como normalmente são usadas para comunicar. Porém, a vida não é um elemento num sistema de comunicação. Nada indica que seja usada ou que sirva para representar alguma coisa para além de si própria. Em certas circunstâncias, também falamos sobre o sentido de elementos não linguísticos: as pegadas indicam a presença de alguém; as pintas vermelhas na pele de uma criança significam que tem sarampo. No entanto, as analogias com estes usos da palavra «sentido» não nos ajudam a responder à nossa pergunta. A religião aqui em seu contexto espiritual sem qualquer pretensão ideológica de uma ou outra religião proporciona o contexto natural para a questão do sentido da vida. Se acreditarmos que um ser divino criou o mundo de acordo com um plano grandioso, então a nossa pergunta procura saber qual é a finalidade desse plano ou qual é o lugar que a vida nele ocupa. No entanto, não se pode reduzir o tópico filosófico do sentido da vida — ou, melhor, o conjunto de tópicos interrelacionados que ao longo do tempo têm vindo a ser associados à nossa pergunta — a questões que só fazem sentido no âmbito da religião. As preocupações centrais que subjazem a este tópico incluem questões sobre a existência de um objetivo para a vida, sobre o valor da vida e sobre a existência de uma razão para viver, independentemente das circunstâncias e interesses individuais. Qualquer destas questões pode ser aplicada à vida, normalmente à vida humana, mas também às vidas individuais, particularmente às nossas próprias vidas. Podemos procurar motivações, razões e valores aceitáveis a partir de pontos de vista que nos são exteriores, ou podemos restringir a nossa atenção ao campo dos desejos e objetivos das nossas psiques ou das nossas comunidades, indiferentes a possíveis perspectivas que possam existir além da esfera humana. Embora a expressão “o sentido da vida” pareça pressupor apenas um sentido para a existência, podemos ser levados a rejeitar este pressuposto sem ser preciso concluir que a vida não tem sentido. Muitas vezes o próprio objeto da pergunta vai-se transformando ao longo do próprio processo de lhe dar uma resposta. Portanto, indagar sobre o sentido da vida é como envolvermo-nos numa busca em que só estamos certos daquilo que procuramos quando o encontramos. Qualquer tentativa de arranjar uma paráfrase inequívoca para a expressão “o sentido da vida” está sujeita, tal como a própria expressão, a excluir certas opções e suprimir caminhos de questionamento que não deveriam ser abandonados de antemão. A relevância da morte: O sentimento de que estamos perante um problema quando pomos a questão do sentido da vida é frequentemente induzido pela contemplação da morte. Na verdade, muitas vezes pensa-se — como Schopenhauer (1851) e Tolstoi (1886) — que a questão emerge precisamente do facto de as nossas vidas acabarem com a morte. No entanto, como alguns filósofos observaram, a ligação entre a nossa finitude e o sentido da vida é desconcertante.       Se o pressuposto de que todos morrerão um dia faz a vida parecer sem sentido, ou de outra maneira o pressuposto contrário — de que viveremos eternamente — seria essa a melhor a situação? Uma possível explicação para a ligação entre o pensamento da morte e o medo de que a vida não tenha sentido é que quando enfrentamos a nossa própria mortalidade destruímos os nossos ideais de felicidade. Se a felicidade plena fosse verosímil, ou mesmo possível, poderíamos não sentir a necessidade de encontrar um sentido — não precisamos ter, ou pelo menos buscar, uma razão para viver enquanto a vida é agradável, e o objetivo de atingir a felicidade plena, se esta fosse atingível, já seria suficiente. No entanto, para alguns, a ideia de que um dia morrerão torna a felicidade impossível. A filosofia de Huberto Rohden.  Ensinou-nos a arte do desapego, enfim, propôs que a felicidade autêntica não está na posse, aliás, propõe que não sejamos possuídos, mas possuidor das coisas. Dessa maneira o propósito da vida é visto de maneira diferente, pela perspectiva do reconhecimento da inevitabilidade da morte da nossa cultura e da nossa espécie, tal como de nós próprios, pode dar agora a ideia de que os interesses e os objetivos que tínhamos são destituídos de valor ou vãos. Uma vez mais, a crença num Deus pode aliviar estas preocupações, ou não. A promessa de uma vida após a morte, na qual pelo menos alguns atingem a felicidade eterna, renova a possibilidade de procurar obter a felicidade plena. Por si só, a existência de um ser eterno e superior que cuida de nós e através do qual pautamos as nossas vidas em seus valores e princípios universais serve de alívio em nossa preocupação com a insignificância dos nossos objetivos e da nossa conduta frente aos desígnios da Natureza, pois como vimos neste mais de um ano com o COVID-19. Não sei se ajuda, mas a única certeza que temos na vida é a morte, e, confesso que embora esta pandemia tenha encurtado muito o tempo de vida de tantos cidadãos, alguns conhecidos e muitos que se dissolveram nos dados estatísticos noticiados. Mas, é preciso entender que de um jeito ou de outro, ela (a morte) chegará na vida de todo mundo. Triste não? Mas é justamente esse o ponto central do sentido da vida, pois se entendermos seus ciclos compreenderemos que também é graças a ela (a morte) que nós estamos em constante busca para realizarmos nossos sonhos para vive-los ainda em vida. Afinal, nossa jornada na Terra não tem um roteiro definido como no cinema, na vida a qualquer momento tudo pode mudar, para melhor ou para o pior também. Pois então, fica aqui um convite para que você pense na oportunidade de celebrar a vida e confraternizar entre amigos ou família o máximo que for possível. Afinal são nas pequenas ações que estão os grandes resultados da reflexão séria e profunda desse nosso texto, pois pensar o sentido que estamos dando às nossas vidas e como estamos ajudando, uns aos outros.      Assim, finalmente podemos tirar conclusões interessantes deste nosso texto e a primeira delas, e talvez a mais importante, é que as conquistas materiais e objetivadas nas coisas não são a fonte da felicidade. Pense nisso pois é justamente aí que está o paradoxo da felicidade e é por isso que muitas pessoas, quando obtêm alguma coisa que desejavam muito, sentem o prazer na efemeridade e logo o desconforto que as levam a propor a si mesmas uma nova meta um novo alvo e dessa forma vivem como se nunca fossem morrer e morrem, sem jamais ter vivido a plenitude da própria vida, SAMSARA, o ciclo paradoxal e sem fim da vida assim como ela é. Pensemos, todos, nisso!
 
 

[1] Professor Universitário, com graduação em Ciências Jurídicas e Sociais; pós-graduação em Gestão Empresarial, Psicologia Organizacional e do Trabalho; Mestrando em Desenvolvimento Sustentável e Qualidade de Vida.
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Alberto Carlos Paschoaletto é Professor Universitário, graduado em Ciências Jurídicas e Sociais; pós-graduação em Gestão Empresarial, Psicologia.

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