06/05/2021 às 20h38min - Atualizada em 06/05/2021 às 20h38min

- (CONS)CIÊNCIA & VIDA -

Alberto Carlos Paschoaletto
Nobre leitor de CONSCIÊNCIA & VIDA esse é um singelo texto que elaborei para explicar o contemporâneo através da lente filosófica para abordar, em análise crítica, a influência da filosofia no chamado pensamento Iluminista até o nosso tempo. Primeiro: O tema pós modernismo já não é exatamente uma novidade. Há um consenso entre muitos estudiosos e observadores sociais de que o mundo ocidental está em meio a profundas transformações: DA MODERNIDADE À PÓS-MODERNIDADE: Na realidade tudo indica que estamos passando por um deslocamento sociocultural só comparável as inovações que marcaram a revolução industrial e estamos fazendo a travessia da era moderna para a pós-moderna. TEMPO DE MUDANÇA - Vivemos de que essas alterações monumentais estão abrangendo todos os aspectos da cultura contemporânea. O termo pós-moderno foi utilizado pela primeira vez em meados da década de 30, para se referir a uma importante transição histórica que estava em andamento. Muitos historiadores fixam o período do nascimento da era moderna no alvorecer do iluminismo, logo após a Guerra dos Trinta Anos, num cenário da Renascença, que emergira a humanidade das trevas para a luz da realidade racional. Precursor dessa nova perspectiva foi na visão de Francis Bacon, de que os homens podiam dominar a natureza se descobrissem segredos... assim, o pensamento iluminista elevou o indivíduo ao centro do mundo: ANTROPOCENTRISMO! Com René Descartes foram lançadas as bases filosóficas, concluindo uma existência do ser pensante: foi a primeira verdade que não podia ser negada pela dúvida - um princípio formulado pela máxima de Agostinho: Cogito ergo sum (Penso, logo sou!); Descartes, definiu a natureza humana como substância pensante e a pessoa humana como um sujeito racional e autônomo. Mais adiante Isaac Newton deu à modernidade um embasamento científico ao propor um mundo físico como uma máquina cujas leis e regularidade podiam ser metodologicamente apreendidas pela mente humana: substância autônoma e racional!

Cabe aqui destacar uma reflexão: Qual o sentido da vida? Será que ela tem mesmo um sentido para justificar um significado existencial? Para muitos o contemporâneo trouxe em seu bojo o fim das longas narrativas e dos discursos e retóricas cada vez mais complexos, em contraponto. Ninguém mais está com tempo para dar milho aos pombos ou aproveitar momentos de ócio criativo. Nem para a própria família estamos sendo acessíveis. Questiono aqui a miserável condição humana em que a pós-modernidade mistura ficção com realidade e acabamos simulando os próprios sonhos. A questão é: Como construir um projeto de vida sólido, numa época em que tudo é disforme como o líquido que se desfaz em nossas mãos? Discutir a relevância da vida é mais do que uma simples questão de escolha, como fazemos quando compramos um celular ou trocamos um equipamento eletrônico. Pensar na relevância da vida implica na superação da própria existência e romper o ciclo trabalho X sobrevivência para se elevar no Sucesso através do significado do próprio projeto de vida. Nesse sentido, pergunto: Por que a filosofia é importante? Em primeiro lugar, vamos propor afastar da opinião (doxa) e do pensamento do verdadeiro (contemplativo), para nos levar por este caminho onde aprendemos a ousar um passo no pensamento em direção ao infinito, fazendo do pensamento uma grande aventura das causas justificadoras daquilo que é verdadeiro. Quiçá queremos mais do que simplesmente opinar e contemplar, não é? Mas não é tão simples assim. Isto posto se podemos dizer que o pensamento filosófico não é apenas contemplar, nem refletir, nem sair aí falando. Então, implica na desconstrução do velho, no enfrentamento com o novo e isso só pode ser em nível de criação gênese das novas maneiras de pensar e viver. Em outras palavras, é necessário que as ideias voltem a ser perigosas e voltem a clamar por novos modos de vida, por isso que filosofar pressupõe o entristecer, o indignar-se com a mediocridade que a zona de conforto castra a capacidade de enfrentamento!

Com esse efeito, eis a intenção de Deleuze e Guattari quando delimitam a filosofia deixando clara que se trata do enfrentar o caos, que a tudo caotiza e retirar dele a consistência necessária para uma vida intensa e isso é dolorido, nobre leitor. Ainda nesta dupla de pensadores que propõe formas de enfrentá-lo: primeiramente a filosofia cria conceitos; enquanto a ciência cria funções e a arte cria sensações. Desta maneira, nenhuma delas se sobrepõe às outras, mas podem entrar em relação de entrelaçamento para tecer uma trama das partes que formam o todo, por isso cada uma destas possibilidades de recorte, extrai do caos dessa visão particulada para ser devidamente explorada no amplo horizonte do todo ondo o pensamento se coloca livre dos recortes e distorções  dogmáticas que levam ao sofisma de forma que o juízo seja suficientemente esclarecido, livre das prisões psicológicas dos paradigmas.

Ei o ponto central do nosso texto, sobretudo, queremos pensar as possibilidades da filosofia em suas ligações com a vida cotidiana em plena PANDEMIA da Covid-19 não da forma fragmentada em suas diversas partes mas quando se põe para buscar a compreensão do fenômeno em análise crítica delimitada pelos juízos de valores éticos e estético para se projetar além do pensamento simplista, pois trata-se de uma complexa relação sistêmica das partes dos outros campos do conhecimento que vão muito além do que simplesmente uma ou duas perspectivas como questão que se está colocando na maioria dos textos que tenho lido: Saúde e Economia. Oras bolas, já que o pensamento é singular e único  filosofar é não estar preocupado com os limites desta premissa binária, pois sua relação muito além dessa abordagem simplista (para não dizer simplória) frente ao complexo conjunto das variáveis que afetam o ecossistema universal; então tudo o que cabe no pensamento crítico que se quer criar, inventar, construir conceitos para explicar com medidas simplistas e fragmentadas, proponho aqui rejeitar. Em suma, esta é a finalidade da filosofia: criação de novos modos de vida e empoderamento da atitude para um posicionamento de enfrentamento, cuja consequência certamente será diferente das opções escapistas do calar-se diante dos absurdos que estamos convivendo diariamente no Brasil, sem pretensão de dialogar com tais fatos pois que já estão sendo exaustivamente explorados pela mídia. Queremos permear outros aspectos que não os políticos pois não é nosso propósito que é pensarmos em nível de reflexão pessoal.  

Meu caro leitor, pergunto ainda: Sua vida tem sentido? Para você o que é a felicidade? Você consegue ser feliz plenamente todos os dias? Mas, para quê ser feliz? Já pensou nisso? Em relação ao seu projeto de vida o que você tem feito pela felicidade sua e das pessoas próximas? O que é coragem? Em sua opinião qual é o seu oposto? Seria a covardia? Mas, não terá uma boa dose de coragem o indivíduo que assume sua covardia? Ontologicamente faz sentido relacionar o oposto de coragem com apatia, enfim, daquele que não tem mais atitude em fazer e assumir. E, finalmente: qual o sentido da morte? Já parou para pensar nisso? Nascemos póstumos e carregamos um caixão nas costas. E, partindo do pressuposto que todos morreremos um dia faz a vida parecer sem sentido, mas, de que maneira o pressuposto contrário melhoraria nossa miserável condição humana? E o divino: quem é? Como é? E finalmente uma última pergunta, que não quer calar: Qual a sua relação com o divino que habita seu ser interior?  Não precisa me responder, afinal, o silêncio muitas vezes fala mais do que muitas palavras... Atribui-se a Martin Luther King uma frase de valor inquestionável neste nosso texto: “O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons”.

Perfeitamente contextual ao que estamos vivendo, é sob o silêncio daqueles que se colocam cúmplices dos diversos crimes e falta de juízo ético e estético destes que estão dando corda para que aos poucos um estado autoritário esteja sendo perpetrado pelas bordas; Finalmente, nobre leitor, o projeto de modernidade formulado pelos filósofos do iluminismo consiste num desenvolvimento implacável das ciências objetivas, com bases universalistas de moralidade e libertação dos potenciais cognitivos através da organização racional da condição de vida e das relações sociais. Embora os componentes do iluminismo se apresentaram numa expectativa extravagante, trazendo luz ao período anterior das trevas, propondo uma compreensão do ser e do mundo, o progresso moral, a justiça nas instituições sociais e uma nova forma de interpretar a felicidade humana! Olha, quer saber da última? Começo a pensar que Deus, em sua infinita Glória, está reescrevendo uma nova concepção de humanidade pós pandemia. Acredito que os jurássicos indivíduos consumistas que constroem suas identidades pela coisificação das coisas e suas marcas e seus respectivos mantenedores capitalistas que espoliam o planeta, rapidamente entrarão em processo de extinção em massa. Restará uma nova concepção de juízos de valores, éticos e estéticos para uma nova humanidade mais colaborativa e orientada para o Planeta....e, para fecharmos a questão: Quem estará na lanterna dos afogados? Bom, para o imortal Martin Luther King “Nossas vidas começam a acabar no dia em que nos calamos sobre as coisas que importam”.
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Alberto Carlos Paschoaletto é Professor Universitário, graduado em Ciências Jurídicas e Sociais; pós-graduação em Gestão Empresarial, Psicologia.

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