16/07/2021 às 09h26min - Atualizada em 16/07/2021 às 09h23min

O imperativo do diferente nos constructos identitários – Eis a grande condenação do Ser: Assumir sua Liberdade na relação com o outro.


PASCHOALETTO[1], Alberto C.

Em nossa temática filosófica dessa semana, abordaremos a dimensão da insignificância do ser em relação ao tamanho do Universo e a importância do Outro nos processos identitários. Primeiro que somos gregários, na essência, visto a interdependência do EU + TU onde abordaremos ao longo desse texto a necessidade de um projeto de vida edificado em terra firme, e, isso significa uma família, uma comunidade e uma crença de que existe uma causa primária, Deus, ou então uma inteligência suprema do Universo que empresta em cada um de nós a essência (espírito). Não é nossa intenção propor uma abordagem criacionista em detrimento a cientificidade, porém, existe um design inteligente na cadeia da vida (DNA) que se replica e produz proteínas num infinito ciclo através da hereditariedade. Pois então, nobre leitor, a essa causa primária podemos dar um nome:  Deus, Yahweh, Jehovah, Abbá, Adonay, Eloah, Allah, Krishna, Brahma, Vishnu, Shiva, Shangdi, Mawu, Olorum, Zambi, Guaraci, Guaraci, GADU e tantos outros nomes, mas qualquer que seja mencionado, será sempre um caminho extremamente complicado para compreendê-lo no campo da filosofia. Porém, a questão é de que para que um indivíduo se constitua nascido de uma cópula macho/fêmea, primeiramente são complexos processos que acontecem milhões ou até bilhões de vezes em seu corpo todos os dias. O processo deve ser o mais perfeito e sincronizado possível. Se houver um erro, células cancerosas serão produzidas e, se não for eliminado a tempo, causará um grande dano. Certo está que a ciência nos ajuda a entender como o mundo é complexo e são apenas alguns dos processos mais simples encontrados até agora em relação a vida em si mesmo, como a conhecemos. Porém, quanto mais aprendemos ciência, mais podemos descobrir a complexidade e a grandeza do universo e daquilo que compreendemos não saber. Em muitos casos, ao pensar sobre tamanha grandeza, chegamos à conclusão de que o universo não poderia ser criado aleatoriamente, e a maior sabedoria está em perceber a finitude do ser frente a infinitude do Universo Inteiro. Pois então, partindo dessa premissa filosófica que para ser sábio, não é preciso saber todo o Universo, basta saber o tamanho da nossa finitude, frente ao universo de possibilidades, ponto central da filosofia pois que essa consciência molda o mundo e todas as suas existências, atuando em harmonia e equilíbrio com a causa primária, que é justamente a homeostasia de todas as complexas conexões entre cada átomo até chegar no mais complexo Ser acabado, nascido e vivo para projetar ser quem queira ser. Complexo, não? Mas, perder essa referência espiritual é expor-se ao mundo de forma alienada e seduzidos pela ótica do consumo onde impera a Humanização das coisas, e, para atenuar tamanho caos nossa sociedade coisifica o Humano, através da compensação material dos hábitos consumistas financiados pelas bandeiras dos cartões de crédito para humanizar a coisa (o objeto de consumo). Parece-nos que o sentido do nosso dialogo, logo de começo, é uma provocação para pensarmos e repensarmos as metas e objetivos que projetamos para esse ano, e, nesse sentido proponho percorrermos, ao longo dessa nova série, nos labirintos da objetividade com que Ricoeur pensou o problema da alteridade e do reconhecimento do outro, e, dialogarmos projeto de vida através das ideias de H. ROHDEN, em sua clássica abordagem filosófica univérsica, para então, a partir daí possamos compreender alguns conceitos que buscam analisar a questão central da campanha da Fraternidade desse ano, através de uma abordagem filosófica. Muita calma nessa hora, e, vamos lá. Como vejo o outro? O que podemos analisar nesse tema? Para começo de conversa, é preciso entender o alcance entre o moral e a moral. Vejamos: Enquanto o respeito ao moral alcança o mal que poderia ser feito ao outro, a partir de uma convenção social vigente, para punir o outro, a moral (feminino) abrange a solicitude que permite ir ao encontro do outro, por uma luz interior que ilumina a visão para suas necessidades e dá o impulso em auxiliá-lo. Pois então, existe uma diferente concepção entre o moral (masculino) e a moral (no feminino). Fiquemos atentos nisso e ainda mais, segundo Ricoeur, o respeito a moral desperta a questão do reconhecimento, pois contribui para que a “não violência” faça parte da nossa história de vida. Descortinaremos ao longo do tema que a casa pode ser o planeta, e o próprio Universo em sua concepção infinita, como também pode ser o próprio pensamento. É preciso então, analisar nossa responsabilidade e as consequências das ações que impactarão ambas quando não agimos com respeito e moderação. Fazendo um contraponto em Ricoeur que vão garantir uma forma autêntica de reconhecimento do outro e que foge às alternativas da luta e da violência.
Paul Ricoeur, que notoriamente foi um grande filósofo e pensador que desenvolveu suas ideias no período que se seguiu à Segunda Guerra Mundial (nasceu em 27 de fevereiro de 1913 em Valence, França e faleceu em 20 de maio de 2005, em Châtenay, França).  Após essas considerações iniciais concentraremos nosso foco no estudo de duas obras de sua autoria: “O si mesmo como um outro” com Tradução de Lucy Moreira Cesar. Campinas: Papirus, 1991 e “Percurso do reconhecimento”, obra com Tradução de Nicolás Nyimi Campanário. São Paulo: Loyola, 2006. Pois bem, uma vez esclarecido as referências que seja, então, o nosso grande desafio: - Tomar como partida que todas as pessoas são regidas por algo que faça sentido em suas vidas, isto é, buscam conhecer a si mesmas e o mundo ao seu redor o tempo todo e, buscando o autocontrole alternam em ciclos, ansiedade e depressão, enfim, não conseguem a plenitude da Paz e Bem e a vida é rebaixada para um nível inferior e simplesmente sobrevivem! Nesse caso, mesmo com a prosperidade, o simbólico da queda é inevitável, do tipo: Para subir, ele desceu! Ou, ainda “Ele caiu pra cima” Um ótimo exemplo do que estou explicando é o pensamento oriental expresso na fábula do cultivar os jardins: “Se queres borboletas, ocupe-se em não as perseguir, pois se assim o fizer serão rivais em sua “caça”. A grande sabedoria, nesse caso, está em ocupar-se lavrando a terra e cultivando o jardim, pois assim sua alma encontrará a Paz e Bem, e, neste contexto as borboletas lhe serão amigas, marcarão presença habitual e costumeira neste jardim”. É preciso deixar que a casa floresça, seja ela na dimensão do Planeta ou do Pensamento.
Caro leitor: Temos o livre arbítrio e a vida é feita de escolhas, porém, para fazer escolhas é preciso aprender a lidar com as incertezas do verbo viver. A vida caminha de braços e abraços com a morte, sua única companheira em todos os momentos. Nossa única certeza, graças a Deus! A única coisa que sabemos, desde quando nascemos, é que a morte um dia chegará, e, simbolicamente cada ser carrega em si o berço e o caixão, numa andança semelhante ao povo na fuga do Egito que sobre os ombros, carregavam o fardo do berço/caixão, assim como no mito de Sísifo, carregando o peso do mundo em seus ombros e escalando eternamente a montanha dos problemas com a pedra que teima em rolar ladeira abaixo assim que alcança o cume mais elevado. Assim, como Sísifo, muitos não se encontram dentro de si mesmo ou se perdem na própria construção da identidade, na eterna condenação à liberdade do qual perdem junto a paz, e sem ela vivem uma eterna lavra de escalada penosa que em vão se desfazem junto com as pedras que rolam ladeira abaixo.  Para concluir: O verdadeiro problema do ser não se resolve por meio da síntese do pensamento ricoeuriano, mas quiçá Hegel explica por meio de escolhas dramáticas, onde para orientar a própria vida, pode-se escolher princípios estéticos, éticos ou religiosos. Viver de acordo com os princípios da estética é tentar coletar coisas interessantes no sentido da beleza (subjetivação) em diferentes momentos da vida, e descartar a coisa medíocre, trivial daquilo que é um fardo (Objetividades). As pessoas de juízos estéticos evitam sempre sugerir repetições monótonas e retiram o interessante dos eventos mais promissores no sentido da subjetivação da razão crítica. O protótipo do esteticismo é como o discurso sedutor de Don Juan. Por outro lado, escolher princípios puramente éticos é tentar se adaptar à "consciência” e aos princípios religiosos para lidar com o sofrimento, com o pecado original e carregar a pedra na escalada da montanha. Portanto, render-se aos princípios religiosos dentro de uma ótica da razão crítica alienada é o mesmo que sucumbir frente ao mito de Sísifo. Essa entrega, quando é sustentada somente pela razão do conhecimento dogmático ao contrário do que parece, não traz paz, porque Deus também é absolutamente real e absolutamente incompreensível. É por isso que não podemos falar sobre Deus de maneira teológica, pois que está numa complexa cadeia do DNA, ou seja: Um Grande Arquiteto, conhecedor de todas as causas e efeitos das complexas relações entre as partes que formam o todo, olho que tudo vê nos confins da imensidão do Universo, do qual somos um átomo.
Pensemos, todos nisso!
 
 

[1] Professor Universitário, com graduação em Ciências Jurídicas e Sociais; pós-graduação em Gestão Empresarial, Psicologia Organizacional e do Trabalho; Mestrando em Desenvolvimento Sustentável e Qualidade de Vida.
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Alberto Carlos Paschoaletto é Professor Universitário, graduado em Ciências Jurídicas e Sociais; pós-graduação em Gestão Empresarial, Psicologia.

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