23/06/2021 às 09h04min - Atualizada em 23/06/2021 às 08h56min

Movimento dos componentes que se completam na harmonia do Ser por inteiro: Paradoxo de Sorites!

A vida não nos dá a oportunidade de retornar ao passado, portanto precisamos aproveitar cada minuto, como se fosse o último.
 
PASCHOALETTO[1], Alberto C.
 
    No dia a dia muitas vezes usamos palavras e expressões ambíguas ou até mesmo aparentemente “sem sentido” principalmente quando deixamos fluir o pensamento livre das amarras mentais ao que surpreendemos nossos interlocutores pois são características de ambiguidade, nos quais os atributos de valores podem não ser tão claros ou percebidos, principalmente quando os interlocutores da comunicação estão em assimetrias originadas por padrões de pensamento na dicotomia entre Objetividade/Subjetividade. Esses predicados são determinados por uma diferente relação entre semântica/comportamento, ou seja, entre perceber o sentido da coisa e não agir ou agir sem qualquer sentimento da coisa o que torna difícil esclarecer a expansão do próprio pensamento para que o outro compreenda a comunicação sem obstáculos.
     O principal objetivo deste texto é avaliar a interface entre linguística e lógica nas relações de convivência entre pessoas com padrões mentais em diferentes graus de objetivação (racionalismo puro e instrumental com ausência de qualquer elemento sensorial) e subjetivação, quando indivíduos passam a repensar sua relação com o mundo, seus papéis, e assumir uma postura criativa ou reativa frente à realidade social, atribuindo um sentido para suas vidas na qual assumem uma postura construtiva frente aos acontecimentos do mundo ao monitorar a própria conduta em relação a esses acontecimentos. No entanto, a noção subjetivada de sujeito leva a prática dessa reflexividade num determinado sentido no qual indivíduos estão se tornando reflexivos, estão se engajando no conflito pelos direitos humanos (universais e específicos) através da criação cultural.
     Por causa da obscuridade observada nesses dois tipos de domínios do conhecimento dos fatos e como os padrões mentais respondem de maneira diferente. Logicamente, este texto não é fruto de uma pesquisa científica, porém é resultado de uma leitura crítica (revisão bibliográfica) sobre o assunto que motivou escrever esse texto: A Copa América, oficialmente CONMEBOL e conhecida até 1975 como Campeonato Sul-Americano de Futebol e que é a principal competição entre as seleções de futebol das nações da CONMEBOL. Bom, até aí é um fato analisável e observável, porém como serão impactados os indivíduos sobre esses mesmos fatos, porém com diferentes comportamentos. Aí é que está o nosso desafio pois de um lado, no campo das objetividades existe razões para que sustentem acompanhar o futebol, vibrar com as partidas e os resultados sem qualquer percepção e empatia do que está no mundo ao entorno. Também vamos pensar o seguinte: A partir de quantos grãos perdidos uma montanha de areia deixará de ser uma montanha? Trazendo agora para a ancoragem mental subjetivada podemos associar essa reflexão muito além do bem e do mal, podemos então se projetar sensível frente ao todo desta questão, ao que esse próprio exemplo da qualidade de uma montanha de areia contribuiu para o desenvolvimento do chamado paradoxo de Sorites, cujo argumento pode ser estabelecido ligando premissas por indução matemática. A semântica das condições de verdade já são mais do que tempo suficiente para entendermos que somos, então, amantes da sabedoria de vida quando estamos em padrões mentais subjetivados, e, nessa jornada descobrimos, cedo ou tarde, que o importante é a própria jornada e não o destino das nossas vidas. Descobrimos que não é com a relação quantitativa dos anos vividos que podemos então concluir que Viver transcende a mediocridade de quem não prioriza os bons momentos da vida e da própria historicidade que é escrita entre as pessoas com quem convivemos.  Afinal somos protagonistas e plateia o tempo todo! Cabe a nós pensarmos que cada dia se apresenta como oportunidade de participar desse espetáculo que é a vida, e, descobrir um jeito para colocar-se em sintonia com o Deus Interior. Descobri, então, com os meus 56 anos de vida que pilotar uma máquina (motocicleta) serpenteando pelas estradas interrompe o fluxo do pensamento e possibilita um foco único e convergente para a pista; não se assuste caro leitor: faço isso com consciência e vida, e, caso também goste de motociclismo, qualquer dia desses a gente tromba (jargão utilizado) por aí. Porém, desde março de 2020 não estou “serpenteando” com a minha máquina, justamente porque não vejo sentido estar serpenteando enquanto muitos estão sequer conseguindo respirar nas UTI´s. Considero como principal aspecto da vida que leva uma pessoa para um nível superior de bem-estar para ser instrumento da Paz e Bem é quando se tem presente Deus no Coração (Interior) pois que sendo assim, sempre serás sempre gentil e amável com o mundo ao redor. Então, percebe que assistir um jogo e ficar fazendo a maior festa se ao redor seus vizinhos estão chorando a perda de um ente querido. É importante que se ame a liberdade, mas a sua própria e a do outro também! A vida não nos dá a oportunidade de retornar ao passado, portanto precisamos aproveitar cada minuto, como se fosse o último. Então, talvez seja interessante pensar que precisamos cuidar da nossa tríade: corpo, mente e espírito. Ser feliz e ter sempre suas idas e vindas abençoadas pelo Grande Arquiteto do Universo, ao que se denomina Egrégoras (que acho interessante para dialogar futuramente).
 
    Todo aquele que vive, não está morto, óbvio. Porém a vida é um aprendizado contínuo, e, podemos deixar morrer quando fechamos o pensamento para o novo para os desafios de ser apenas aprendizes e estamos aqui quando chegamos, sem absolutamente nada e também teremos outra única certeza que deixaremos aqui, novamente sem absolutamente nada, e para provocar o pensamento crítico: E você vai se dar o luxo de não se sujeitar a possíveis erros?  bem socrático mesmo: - “Só sei que nada sei!”.
    Existem aqueles que fazem da vida uma existência de coisas humanizadas, o que para mim perde a graça, pois não vejo sentido em humanizar o que já é humano, como vimos no texto da semana anterior. Carregamos anjos e demônios dentro do pensamento e do coração, pois é assim que o Criador desse desenho espetacular fez. Enfim, é preciso coragem para assumir o lado humano na concepção do pensamento de Nietzsche, da vontade de poder, de assumir e projetar a vida como ela é... Enfim, “cada ser carrega em si o dom de ser capaz de ser feliz” (Almir Satter). Assim, quando saio com minha motocicleta na estrada, aos finais de semana, é para enfrentar o eterno duelo entre as forças opostas dos anjos e demônios.  Frisa-se vencedor ao final, aquele que for mais alimentado, e, embora a essência do ser seja ambígua, somos todos iguais! Não importa os momentos delicados, a vida sempre vale a pena, depende de como olhamos pra ela. Um dia por vez, já é o bastante. Assim, viver a plenitude do ser na sua totalidade, pressupõe perceber suas metades. ... nesse sentido, vamos para esse lindo poema que é o exemplo perfeito da nossa pensata:
 
Osvaldo Montenegro, em Metade:

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
A outra metade é silêncio
 
Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que amo seja pra sempre amada. Mesmo que distante
Pois metade de mim é partida
A outra metade é saudade
 
Que as palavras que falo
Não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas como a única coisa
Que resta a um homem inundado de sentimentos
Pois metade de mim é o que ouço
A outra metade é o que calo
 
Que a minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que mereço
Que a tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que penso
A outra metade um vulcão
Que o medo da solidão se afaste
E o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
Que o espelho reflita meu rosto num doce sorriso
Que me lembro ter dado na infância
Pois metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade não sei
 
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o seu silêncio me fale cada vez mais
Pois metade de mim é abrigo
A outra metade é cansaço
 
Que a arte me aponte uma resposta
Mesmo que ela mesma não saiba
E que ninguém a tente complicar
Pois é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Pois metade de mim é plateia
A outra metade é canção
Que a minha loucura seja perdoada
Pois metade de mim é amor
E a outra metade... também!
 
 Pois bem, caro leitor: Nem anjo, nem demônio, acreditamos ser suficiente que seja apenas VOCÊ MESMO. Parece que é suficiente pensarmos que estar atento e sensível ao movimento do mundo fora do próprio umbigo já é um bom começo! E, melhor ainda se conseguir perceber que a vida vale a pena ser vivida, quando subjetivamos e nos sentimos responsáveis em querer ser a mudança que esperamos do mundo. Enfim, como cantou Gonzaguinha, quando dizia ficar com a beleza e a pureza das crianças e cantar no gogó que a vida é bonita...propomos encerrar o nosso texto dessa semana com duas frases para pensarmos a vida na ótica das subjetivações:
 
Chique é ser feliz. Elegante é ser honesto. Bonito é ser caridoso. Sábio é saber ser grato. O resto é inversão de valores”. (Glória Kalil); “Pergunte a si mesmo o que é realmente importante. Então, tenha coragem e sabedoria para construir a sua vida dentro da sua resposta”. (Lee Jampolsky).
Alberto Carlos Paschoaletto
Coluna: (CONS)CIÊNCIA & VIDA
                                                                                 
 
[1] Professor Universitário, com graduação em Ciências Jurídicas e Sociais; pós-graduação em Gestão Empresarial, Psicologia Organizacional e do Trabalho; Mestrando em Desenvolvimento Sustentável e Qualidade de Vida.
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Alberto Carlos Paschoaletto é Professor Universitário, graduado em Ciências Jurídicas e Sociais; pós-graduação em Gestão Empresarial, Psicologia.

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