12/06/2021 às 10h55min - Atualizada em 12/06/2021 às 10h47min

Abordagem da Educação e Cultura no conjunto das partes que formam o todo sistêmico da Hipermodernidade.

Relacionamentos foram banalizados na modernidade liquida. (Foto:Ilustrativa)

PASCHOALETTO[1], Alberto C.

    Nobre leitor de CONSCIÊNCIA & VIDA, a expressão Approach segundo o dicionário Michaelis disponível na versão on line UOL significa “Modo específico de lidar com algo, seja um problema, situação ou circunstância; enfim, uma abordagem, ou seja, enfoque: Um approach lógico da questão”. Bom, então podemos deduzir como abertura da nossa abordagem reflexiva dessa semana que o nosso tema traz uma abordagem da educação como processo que visa ao desenvolvimento físico, intelectual e moral do ser humano, através da aplicação de métodos próprios para o repertório de conhecimentos necessários ao letramento e desenvolvimento intelectual do cidadão, com o intuito de assegurar-lhe a integração social e a formação da cidadania e da Cultura como Conjunto de conhecimentos, costumes, crenças, padrões de comportamento, adquiridos e transmitidos socialmente, que caracterizam um grupo social, pois então estamos entre duas balizas: Intelectualidade/moral X padrões/costumes de uma sociedade, num espaço e tempo do qual pretendemos discorrer em nosso viés da hipermodernidade, conceito criado pelo filósofo francês Gilles Lipovetsky para delimitar o momento atual da sociedade humana. O termo “hiper” é utilizado em referência a uma exacerbação dos valores criados na Modernidade, atualmente elevados de forma exponencial. e é assim que começaremos nosso novo tema reflexivo. Para quebrar qualquer mera semelhança com o título, vou aproveitar o início de uma nova abordagem que nos convida logo mais a viver: Um novo normal das coisas e da vida, enfim de agora em diante precisamos entender que a hipermodernidade virou peça de museu, enfim um T-REX!
    Se vivíamos até meados de março desse ano, nos ditos tempos de outrora, o mito de Narciso como na visão lipovetszyana a abordagem da existência do caráter corroído pela ansiedade, onde o receio se impõe ao gozo e a angústia, à libertação. Pois bem, caro leitor, discorreremos esse texto a partir do livro Os tempos hipermodernos, resultado dos estudos de Gilles Lipovetsky sobre a sociedade Hipermoderna. Fica claro que nossa sociedade, atualmente, se caracteriza pela busca e prática do hedonismo, do imediatismo, do consumismo que virou constructo de identidade. Mas, não é apenas isso. Juntamente com Sébastien Charles (que articula o conteúdo do primeiro capítulo nosso livro em referência, fazendo suas apreciações sobre os estudos de Lipovetzky) aproveitaremos aqui para discorrer o tema aqui proposto também enriquecido contextualmente pelo filme: A Fogueira das Vaidades (título original The Bonfire of the Vanities), que é um filme norte-americano, dirigido por Brian De Palma em 1990, com argumento de Michael Cristofer e baseado em novela de Tom Wolfe. OBS.: Como pude observar em pesquisa na Wikipédia, para o crítico brasileiro Renzo Mora este filme integra um dos 25 piores de todos os tempos. Com uma história que relata que ao o personagem central, magnata de Wall Street, em viagem com sua amante para Manhattan erra o caminho e acaba indo parar no Bronx. Ao longo da história o enredo central concentra num acidente e num jornalista que espera sua grande chance, e, que mudarão para sempre a vida do milionário. Bom, nessa altura do texto já resta claro para o leitor que percorreremos por labirintos do fenômeno do "hiper" e das suas contradições, enfim, desnudaremos a contemporaneidade para entender que estamos transformando todos nós em Narcisos de uma Era Hipermoderna, e, embora o sujeito hipermoderno centre-se no culto ao "Eu" da vaidade e do ego inflado, que busca o sucesso, sempre, e, ao mesmo tempo no contraponto, pela satisfação de seu próprio gozo, pois nunca se viu tanto desenvolvimento nos direitos humanos, no voluntariado e na consciência ambiental com vistas à vida futura.
    Ao ler o livro achei muito interessante o paradoxo visualizado. Para Gilles Lipovetsky, a pós-modernidade deu espaço para o estado cultural do que ele chama de hipermodernidade. Nesta nova concepção, a ordem social e econômica, com a cultura, está pautada em um senso de consumo em massa que substitui o referencial da identidade construída para uma nova identidade de produção em massa, e, uma hegemonia daquilo que o autor nomeia como “sociedade-moda”, que toma o lugar da sociedade rigorísticamente disciplinarizada pela crítica racional.
    Pergunto impertinente, disparadora da reflexão: Será, então, a moda uma nova instituição social, capaz de satisfazer os egos narcísicos? Na abordagem de Lipovetsky não trata a moda somente como um produto da sociedade de consumo em massa, mas como uma instituição social. A moda é parte da definição da sociedade, é parte de seu funcionamento. A sociedade embasada na moda é a sociedade neofílica, tarada pelo novo, em constante inovação e que tem como pressuposto essa incessante inovação. A moda é aquilo que seduz para o consumo e que faz do consumo uma parte fundamental da constituição da identidade do sujeito hipermoderno. E se as sociedades tradicionais eram pautadas numa repetição de um modelo do passado, de um modelo mais ou menos pedestalizado, em que nossa sociedade atual está orientada pelo sistema da moda que é regida pela transformação rápida, e às vezes até desesperada. Isto posto a regra passa, ao invés da repetição de um modelo, mais ou menos projetado, para a repetição da transformação. A regra é a inovação. O modelo que se repete é não ter um modelo para se repetir e não tem forma, ou melhor, ganha a forma líquida.
    Pois então, surge a necessidade de formular uma nova questão reflexiva: Modernidade líquida, afinal, o que é isso? Recomendo que leiam também o livro Amor líquido, de Zygmunt Bauman o que será, certamente, abordagem para uma nova série de textos filosóficos, para não perdermos aqui o foco da nossa questão reflexiva atual.  As lutas por uma liberdade como um fim em si, sem um projeto de vida construído, como nas lutas contra a autoridade do fim da década de 60, trouxe à sociedade dos anos 70 uma noção temporal de um eterno presente de liberdade irrestrita e burlescamente espetacularizada. De um consumo exorbitante e inconsequente, sempre resguardado pelas políticas de bem-estar social, entretanto, já nos anos 90, a emergência do modelo neoliberal e as crises do modelo de bem-estar social foram também parte de uma mudança mais drástica: o autor nega que o niilismo em torno da pós-modernidade, classificada como uma época do presente contínuo, fruto de um hedonismo consumista, por isso que seja estendido como  hipermodernidade. Para Lipovetsky, a sociedade atual ainda tem sua visão do futuro, que é expressa na insegurança. Mas, pergunto: O que é Futuro? Qual será esse novo Normal? Pois bem, a insegurança em relação ao futuro e a proliferação de estudos, pesquisas e desenvolvimentos de medicamentos e terapias são uma prova da preocupação que a sociedade hipermoderna tem com o futuro, incluindo a questão ecológica e ambiental.
    Não se trata de uma sociedade que vive um eterno presente, mas sim de uma sociedade que tem medo do que pode ocorrer no futuro, e por isso formula práticas para a sobrevivência das próximas gerações. Entretanto, essas práticas são formuladas para serem exercidas individualmente, já que as instituições coletivas e as imposições estatais perderam seu lugar. Os indivíduos vivem cada vez mais embebidos de tensões e preocupações com o futuro: uma característica da hipermodernidade é sua reflexividade temporal. Se observam o presente e se pensa no futuro, ou seja, o que está por vir é uma preocupação cotidiana e constitutiva impregnada no presente vivido. E, mais ainda o fato de que, o "futuro" transformou-se em objeto de consumo, onde o hipermodernismo é um fenômeno, e, se assim podemos dizer – o futuro tornou-se atemporal, quebrando as barreiras do tempo. Lipovetsky enfatiza a desfragmentação do sujeito hipermoderno, na mesma linha da proposta de Bauman, que não conta mais com a segurança das estruturas coletivas - família, escola, religião, Estado - e, esta intensa individualização teria acarretado um sentimento de insegurança que levaria os sujeitos ao estresse, à ansiedade, depressão, suicídios e claro, o consumismo como remédio para a satisfação do vazio existencial... E, de fato, nunca se viu tantos excessos: bulimia, anorexia, culto ao corpo através de inúmeras intervenções plásticas, enfim, compulsões derivadas do culto ao efêmero. Achei as considerações bastante pertinentes à Era em que vivemos.Lipovetsky compara tais sujeitos com Narcisos - menos enamorados de si mesmos, e mais amedrontados com o futuro que se delineia e o ambiente em que vivem: - violência, caos, desemprego, doença e velhice. É como se o homem do passado, subitamente, houvesse aberto a caixa de Pandora. Sem saber o que fazer com o que libertou dali, tende aos excessos. Mas, resta sempre a esperança. É ler para entender as divagações e tecer suas próprias conclusões.  Enfim, caro leitor, é uma obra que deve ser lida e relida para seu pleno entendimento. Bom, por enquanto é isso e desejo que tenhamos, todos nós, uma hiper leitura desse hipertexto com direito a um hiper fim de semana, e, confesso espantado por tantos amigos e conhecidos que estão sendo levados para o leito hospitalar, e, alguns infelizmente que estão morrendo, em meio a cenários turbulentos no jeito brasileiro de enfrentamento do caos que virou a vida com o COVID-19. Enfim, que sejamos, todos, mais sensíveis às coisas que realmente tem valor e saibamos sempre que entre os números das análises estatísticas, estão nossos amigos que nos deixaram e que tristemente foram abreviados em suas vidas por conta de pessoas causadoras e fomentadoras de situações que geram todo esse mal estar dos tempos atuais, que já é por si mesma ruim, mas que somando essas ações mal intencionadas ou até mesmo por negligência aos protocolos sanitários, do qual quero frisar minha profunda repugnância aos indivíduos que vejo brincando com a dor do outro ou em posições de deboche da situação! Um dia, tudo isso passará, e espero que tenham mais Consciência, pois sem ela, faltará sempre a VIDA!  

Alberto Carlos Paschoaletto
Coluna: (CONS)CIÊNCIA & VIDA
                                                                      Caminho Livre pelo Pensar Filosófico.
                                                                             Jornal Tribuna do Guaçu
 
[1] Educador!
Link
(CONS)CIÊNCIA & VIDA

(CONS)CIÊNCIA & VIDA

Alberto Carlos Paschoaletto é Professor Universitário, graduado em Ciências Jurídicas e Sociais; pós-graduação em Gestão Empresarial, Psicologia.

Relacionadas »
Fale pelo Whatsapp
Atendimento
Precisa de ajuda? fale conosco pelo Whatsapp