01/08/2022 às 10h02min - Atualizada em 01/08/2022 às 09h56min

Consciência & Vida: Desafio do Ser; ansiedade e depressão na Vida Moderna

(CONS)CIÊNCIA & VIDA

(CONS)CIÊNCIA & VIDA

Alberto Carlos Paschoaletto é Professor Universitário, graduado em Ciências Jurídicas e Sociais; pós-graduação em Gestão Empresarial, Psicologia.

 
PASCHOALETTO[1], Alberto C.

Nota explicativa
O presente texto é um position paper (pensata) escrito especificamente para atender ao gentil convite da Professora Ivana Bernardi, Coordenadora Responsável do Projeto recebido para contribuir na na pauta de programação de Agosto de 2022 do CAFÉ CULTURAL promovido pela Secretaria de Cultura de Mogi Guaçu. Cabe ainda ressaltar o Café Cultural, acontece nas quintas-feiras como ações sistêmicas deste projeto cujo objetivo é tratar de temas importantes para a nossa sociedade, contando com a participação de profissionais de diversas áreas para conduzir os eventos semanais. Com a coordenação da professora Ivana Bernardi, o Café Cultural acontece na Biblioteca “João XXIII” com agenda fixa em todas as quintas-feiras, das 13h30 às 16h30. É importante ressaltar que a Biblioteca municipal fica no Centro Cultural “José Fantinato”, localizado na Avenida dos Trabalhadores, 2.651, Jardim Camargo. Pois bem, nobre leitor, esse texto discorrerá como conteúdo de apoio do tema da Oficina Cultural do próximo dia 11 de agosto, ocasião em que estarei como convidado, conduzindo o tema Consciência & Vida: Desafio do Ser; ansiedade e depressão na Vida Moderna. Agradeço, também a costumeira atenção de todos os colaboradores da BILBIOTECA, sempre prestativos e solícitos em excelente nível de atendimento e também, em especial, agradecer minha amiga das Letras Regina Gondim Silva pelo apoio e solicitude, sempre admirável. Cabe destacar, também, meus parceiros apoiadores com seus veículos jornalísticos do qual sem eles não haveria as COLUNAS FILOSÓFICAS: Consciência & Vida, da equipe do PORTALTRIBUNADOGUAÇU.COM.BR representada pelo querido Amigo Paulo; Caminho da Coragem, através da equipe GUAÇUNOTÍCIAS.COM.BR, representado pelo querido Amigo Fernando. Pois então, iniciemos o texto para alcançarmos o sublime abraço ao contexto que é justamente aí meu especial agradecimento a você, nobre leitor pois o texto são palavras e letrinhas assim como o Sino que toca, mas sem vocês, não aconteceria o mágico encontro com o contexto! Pensemos, todos, nisso e vamos lá!
 
Compreender a existência implica reconhecer o essencial
A definição de autoconhecimento na cultura ocidental é habitual para indicar o objetivo da espiritualidade. No entanto, nos textos tradicionais do oriente, principalmente, não vemos este termo estampado com a mesma conotação que tem no mundo ocidental. Autoconhecimento neste texto é um dos termos usados, e se visto sozinho pode causar confusão.
A palavra self tem vários significados em inglês, incluindo eu, sozinho, e algo que é feito sozinho. É provável que o termo autoconhecimento tenha surgido como uma tradução da frase “autoconhecimento”, mas na verdade o autoconhecimento também tem múltiplos significados, incluindo conhecimento de si mesmo e conhecimento sobre si mesmo.
A palavra self tem muitas interpretações em inglês; em português, a tradução da palavra só aumenta as possíveis interpretações. O self pode ser interpretado como natural, como em autodefesa, ou automático, como em uma porta com travamento automático.. À medida que o indivíduo desenvolve o autoconhecimento, ele se conscientiza de seus objetivos, desejos, metas e propósitos, repensa sua atitude, fortalece suas qualidades, ergue a cabeça para possíveis mudanças, repensa sua atitude, fortalece a coragem, reconhece e aceita a sua. emoções negativas e trabalhar para que sejam modificadas. Todo esse processo permite que os indivíduos cresçam e compreendam quem são, alcancem melhor qualidade de vida e bem-estar e ganhem autonomia sobre sua própria vida, história e objetivos. "A busca pelo autoconhecimento é uma forma de crescimento pessoal e profissional." (“A importância do autoconhecimento profissional e pessoal”) (“A importância do autoconhecimento profissional e pessoal”) O mais importante é estabelecer metas e objetivos e estar disposto a enfrentar o que for preciso para alcançar os sonhos que deseja. Outro destaque é que você tem que focar no positivo e saber que se você acreditar e trabalhar duro para torná-lo realidade, é possível vencê-lo.
 
Consciência & Vida: Desafio do Ser nos tempos atuais
Autoconhecimento por si só acaba significando um termo universal, um rótulo que pode ser empregado a esclarecer a importância do espiritualismo.  É por isso que se robustece em tão alto grau a necessidade do professor e da tradição de ensinamento, pois não podemos abster-se de explicar as Letras a luz da visão da nossa cultura e podemos nos embaraçar em assuntos extraordinários que é o significado do viver como algo além do meramente existir. Buscar pelo autoconhecimento é uma forma de crescimento pessoal para elevar-se além da vida como existência em campo de batalha onde cada dia é mais um no árduo desafio da sobrevivência. No autoconhecimento o  mais importante é determinar os objetivos e metas para a vida e estar disposto a enfrentar tudo que for necessário para alcançar essa meta desejada. Outro ponto de destaque é que não podemos, também sair do campo de batalha do nível de sobrevivência para um patamar do ego, do sucesso que envaidece e entorpece. Aqui entra como essencial ter foco no pensamento positivo de quem sei quem sou como lastro de significado para saber quem não sou e nem quero vir a ser.
No patamar de uma existência com significado é possível conquistá-lo quando se orienta para dentro e não para fora, mas para que se possa trabalhar para transformar metas em  realidade e é justamente aí que entra o poder do autoconhecimento como base fundamental para conseguir resultados extraordinários na vida e alcançar um conhecimento cada vez mais profundo em sua própria essência, realizando assim, seus próprios objetivos tomando como fundamento a eterna condenação do homem à própria liberdade.
 
Anatomia da Ansiedade e depressão: Em busca de sentido
A logoterapia é abordada como enfrentamento psicoterapêutico, em vez de técnicas escapistas, e, foi criada por Viktor Frankl, psiquiatra que após sua experiência em campos de concentração, durante a Segunda Guerra Mundial, focou seu conhecimento na ideia de que somos motivados pela busca de significado e, que a falta de sentido em nossas vidas é a principal fonte do estresse, bem como da ansiedade e posteriormente à depressão. Portanto, trata-se de abordagem que pode ajudar as pessoas a alcançarem seu significado (essência), fio condutor para a autorrealização através do autoconhecimento.
Frankl descreve no livro “Em busca de sentido” sua experiência e o contato com outros prisioneiros do regime nazista da Alemanha durante a segunda guerra mundial. Além de observar para si mesmo a confiança de que a vida tinha sentido mesmo sob as dificuldades extremas que viveu, mesmo em meio ao tenebroso dia a dia de fome, miséria e crueldade extrema conseguiu alcançar conhecimento, através da própria observação participante como personagem de um filme de terror de que as pessoas que tinham esperanças de reencontrar quem amavam e que em algum momento tudo acabaria e poderiam sair de lá, foram justamente as pessoas que aguentaram mais a agonia frente as atrocidades semelhantes ao inferno.
Para Frankl, tudo pode ser privado do homem, tais como: dinheiro, pertences pessoais, honra, moral, perdas familiares mas exceto a última das escolhas humanas, que é a coragem de escolher sua atitude, seja qual for a situação ou  em qualquer circunstância que a vida possa emoldurar dentro dos limites das bordas de uma tela de pintura tenebrosamente infernal, mas existindo a coragem (no sentido de agir pelo coração) para enfrentar as possibilidades dadas a ele, mesmo nas circunstâncias mais difíceis haverá um fio de esperança para alcançar uma luz no fim deste túnel. Como um método psicológico projetado para ajudá-lo a encontrar sentido em sua vida, que é diferente para todos, você deve observar o que é significativo para você. Não existe uma fórmula única, mas existem três maneiras de aprofundar o significado em si:
  1. Criar valor é tudo o que fazemos para o mundo através do nosso trabalho. Isto é, quando entendemos sua importância.
  2. Valores vivenciais, que se relacionam com o que recebemos do mundo, como assistir filmes, passar tempo com os amigos, conviver com a família, a prática diária de amar e ser amado.
  3. Valores de atitude, que se relacionam com respostas à dor, culpa e morte. Aqui, a compreensão de algumas situações independe da nossa vontade.
 
Considerações finais: a logoterapia do ponto de vista filosófico
A logoterapia valoriza o momento presente, o passado: escola da vida; o futuro: oxalá a Deus pertence, então só resta o presente: o aqui e agora pois é nele que a realidade é vivida e experienciada em suas diversas dimensões. Ressalta as probabilidades do humano e as disposições dele em suas diversas partes que formam o todo: assim a vida é organizada de maneira complexa em seus  diversos componentes (biológico; psicológico; social e espiritual) ao mesmo tempo em que geram múltiplas relações a qual não temos condições de responder, assumindo a responsabilidade da nossa própria existência. Victor Frankl esclarece ainda que uma dificuldade abre a necessidade de ser resolvida a partir do momento em que tomamos consciência de que cabe a nós contrapor a ela. E a resposta não, necessariamente, obedece aos extremos do ativismo ou do conformismo uma vez que ela é existencial, assume a forma adequada ao indivíduo naquela ocasião “aqui e agora”.
Isto posto nos parece que a base conceitual de sua abordagem se refere ao equilíbrio das complexas partes (biopsicossocial) com a totalidade e não as partes, visto que o equilíbrio  representado pela vida e suas possibilidades correspondem à liberdade o que implica ser livre mas com responsabilidade.
Na conexão liberdade-responsabilidade se manifestam intencionalmente ações e decisões para capturar e conferir forma científica na ideia segundo a qual existe um fluxo de conhecimentos que transita entre múltiplas dimensões, sejam elas ônticas ou ontológicas e humana, fluxo este equivalente aos movimentos do pensamento que em filosofia, especialmente na abordagem de Heidegger e Kant, o ôntico diz respeito ao ente, ao imanente, ao fenomênico (fenômeno: do grego fanós, aquilo que aparece), àquilo que os sentidos nos mostram.
O ôntico é o superficial que fundamenta o conhecimento do senso comum, é o que todo mundo vê (tomemos como exemplo o iceberg na parte visível aos olhos do observador que está acima do nível da água) e ainda nesta analogia é a coisa observada pela sua característica observável aos olhos); já o ontológico diz respeito ao ser e pressupõe sair do senso comum para buscar enxergar o que nem todo mundo vê, ou seja no exemplo da parte oculta do iceberg das coisas que estão sob as águas. Ir além do ôntico significa mergulhar na busca das causas (parte submersa do iceberg) para buscar compreender as causas, primária e intermediárias, de tudo o que acontece no que se chama "realidade esclarecida a luz do conhecimento das causas".
A proposta deste texto é apresentar minhas reflexões e visões que vão além das coisas observáveis ao senso comum para provocar discussões e apresentações de pontos de vista ("todo ponto de vista já é a visão de um ponto") para enriquecer a compreensão do real sentido do tema proposto no Café Cultural de 11 de agosto como detalhado em Nota explicativa introdutória. (meu grifo)
 
Conclusão, será que existe uma?
Pois bem nobre Leitor, com o objetivo de tentar resgatar o valor do homem como pessoa e não como criatura, caberá ao nosso encontro no Café Cultural estimular a troca de ideias e possibilitar reflexões causadas a partir do fio condutor temático para aprofundarmos além das coisas que se apresentam visíveis aos olhos, nas perspectivas de cosmovisão individuais dos participantes desse evento, lembrando que cada “Ser” carrega em si um universo inteiro de possibilidades e percepções sobre um mesmo tema o que de antemão  prenuncia um canal de comunicação fluída e convergente para um mesmo tema sem pretensões e hierarquização interna de valores e verdades pessoais, pois entendemos que basta estarmos juntos para torná-los inteligíveis na roda de conversa e, portanto, acessíveis a todos os participantes sem a necessidade de chegar a uma conclusão, já basta em si a realização deste espaço de comunhão de valores e visões de mundo e é exatamente isso o que se espera da liberdade e da vontade de escolha que nos moverá a buscarmos compartilhar saberes, impressões e percepções que deem mais sentido de vida, mesmo que seja pelo menos em tese. Isto posto, aguardo vocês no evento para socializarmos o tema do nosso encontro Cultural deste dia. Cabe aqui registrar minhas considerações de elevado apreço pelo apoio, sempre admirável, da Regina Gondim Silva e Ivana Bernardi, e agradecimentos à Secretaria de Cultura de Mogi Guaçu pela oportunidade.
At.te
Alberto Carlos Paschoaletto
 
REFERÊNCIAS
 
FRANKL, Viktor E. Em Busca de Sentido - Um Psicólogo no Campo de Concentração. Nome original – Trotzdem Ja zum Leben sagen – Ein Psychologe erlebt das Konzentrationslager. Tradução de Carlos C. Aveline. São Leopoldo – RS, Editora Sinodal, 1.984.
HOLANDA, Adriano Furtado; At All. O paradoxo do sentido: da unidade do real para a tensão Liberdade-Responsabilidade na Logoterapia. PsicoFAE, Pluralidades em Saúde Mental. Curitiba, v. 2, n. 2, p. 9-26, 2013. Disponível em <https://revistapsicofae.fae.edu/psico/article/view/21> . acesso em 30 de Jul.22
KROEFF, Paulo. Logoterapia: uma visão da psicoterapia. Rev. abordagem gestalt.,  Goiânia ,  v. 17, n. 1, p. 68-74, jun.  2011 .   Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1809-68672011000100010&lng=pt&nrm=iso>. acessos em  31  jul.  2022.
SILVEIRA, D. R.; MAHFOUD, M. Contribuições de Viktor Emil Frankl ao conceito de resiliência. Estudos em Psicologia, Campinas, v. 25, n. 4, p. 567-576, out./dez. 2008 . acesso em 31 de jul.22
 
 
 
 
 

[1] Professor Universitário, com graduação em Ciências Jurídicas e Sociais; pós-graduado em Gestão Empresarial, Mestrando em Desenvolvimento Sustentável e Qualidade de Vida e, especialista em Filosofia e Autoconhecimento e Pós graduando em A Moderna Educação: Metodologias, Tendências e Foco no Aluno..
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