13/06/2022 às 09h50min - Atualizada em 13/06/2022 às 09h45min

O véu do conhecimento e a teoria das formas: Uma nova concepção do Mito da Caverna

(CONS)CIÊNCIA & VIDA

(CONS)CIÊNCIA & VIDA

Alberto Carlos Paschoaletto é Professor Universitário, graduado em Ciências Jurídicas e Sociais; pós-graduação em Gestão Empresarial, Psicologia.

 
PASCHOALETTO[1], Alberto C.

Revelando o propósito do texto
No texto desta semana vamos discorrer a filosofia numa abordagem muito além de ser compreendida como disciplina curricular dos conteúdos teóricos e palavras de difícil compreensão onde seus praticantes vivem isolados da realidade do cotidiano de vida real. Pretendemos, então, propor uma abordagem da filosofia que surge então como mediadora das questões atuais que estão aí no mundo a fora, cada vez mais exigindo um olhar atento e juízos esclarecidos com alcance além do censo crítico do senso comum para um nível de saber esclarecido, para que assim seja compreendida como ciência do pensamento, com a finalidade de contribuir no desenvolvimento de um potencial muito além do que se pode esperar de pessoas comuns, pois possibilita alcançar um nível de consciência sobre o conhecimento e seus objetos para compreender que  filosofar é deixar levar ou elevar o pensamento pelo puro prazer de ouvir a própria voz da consciência para contribuir na construção de um pensamento livre e esclarecido frente ao não saber ou da ilusão de pensar saber ou estar esclarecido simplesmente por estar informado: Lembre-se que Informação não é conhecimento!
OBS.: Para se aprofundar mais, click no link e leia esse outro texto: https://portaltribunadoguacu.com.br/coluna/51/em-busca-da-genese-filosofica-para-elucidar-o-inevitavel-acaso-do-ser
 
Revivemos, assim como cegos, o mito da caverna...
A concepção platônica sobre o conhecimento utilizando-se do chamado mito da caverna, que aparece no volume 7 da República, obra basilar sobre o que seria o Estado Ideal e seu governante, o rei filósofo. Platão, nesta obra apoiou-se no estudo da verdade como justificativa do conhecimento para fundamentar que as crenças devem ser fundamentadas pela luz das imagens do mundo exterior, utilizando-se da alegoria do clássico mito conhecido como “caverna de Platão”.
Se tomarmos a caverna como metáfora da ignorância, a sombra projetada na parede é nossa fantasia ou imaginação superficial da realidade. O prisioneiro que sai da caverna e vê a luz é o filósofo que busca o conhecimento como forma de libertação da ignorância (do não saber). Em nosso texto, então, filósofos não precisam ser entendidos apenas como pessoas que fazem um trabalho filosófico direto com a cátedra acadêmica, mas como pessoas que refletem sobre o que leem e desenvolvem o pensamento crítico na medida em que compreendem a si mesmo e cosmovisão do mundo ao seu redor. José Saramago declarou em entrevista: "Hoje vivemos na verdade na caverna de Platão, porque as imagens da realidade que nos são apresentadas de alguma forma substituem a realidade". O escritor português critica a linguagem audiovisual que domina a época contemporânea. Se não tivermos o cuidado de filtrar o que vemos, podemos acabar acreditando na sombra de um objeto e ficar presos em uma caverna. Se não tentarmos ler, debater, refletir e ouvir diferentes perspectivas, ficaremos confinados à escuridão das cavernas mitológicas da Grécia de outrora.
 
A teoria das formas para explicar o mundo
Se de um lado o saber pressupõe a ruptura da ignorância do não saber, contudo  também implica reconhecer que ao saber assumimos responsabilidades frente ao mundo pois não podemos mais voltar as costas para as coisas e causas com as quais todos nós deveríamos nos preocupar ou então, assumir uma posição negligente frente aos erros e enganos do senso comum. Isto posto, o objetivo deste texto é trazer uma luz como o Sol para propor a você leitor um momento para explorar essas questões provocativas que seguem em nosso texto desta semana e pensar um pouco além do que os trinta segundos que estão cada vez mais marcando a característica do déficit do foco de atenção das pessoas, como um dos fenômenos observados com o advento do TikTok, Kwai e tantos outros streamings de vídeos onde nada além de trinta segundos prende atenção do indivíduo.
Pesquisas advertem que tempo demais na internet tem relação com o acréscimo dos casos de ansiedade e depressão, e, as redes sociais embora sejam uma das causas também têm implicações positivas. Entender o mundo em momento de profunda transformação implica reconhecer que a mudança de comportamento global causada por diversas causas para que se possa compreender, filosoficamente, como usá-las para o bem em vez de ficar feito cego em tiroteio ou então, bobo da corte.
OBS.: Para se aprofundar mais, click no link e leia esse outro texto: https://portaltribunadoguacu.com.br/coluna/36/a-busca-de-si-mesmo-no-caminho-estetico-da-prosperidade-existem-sistema-de-sinais
 
O conhecimento do senso comum é só uma fresta de luz
Compreender a epistemologia que é uma área da filosofia orientada para a exploração do conhecimento em sua máxima expressão de crença verdadeira justificada onde o saber se faz quando identifica as condições que devem estar presente na ruptura do não saber desta forma concebida como uma metáfora do sair para fora da caverna e encontrar a luz do Sol que assim como no mito da Caverna, simboliza o conhecimento como uma resposta que demonstra a capacidade cognitiva do indivíduo para compreender as causas que deram origem aos fenômenos observados e pretendidos saber. Todo aquele que busca compreender a verdade além das amarras ideológicas ou então dos paradigmas culturais pode ser compreendido, neste texto como um ser orientado pelo senso filosófico. O que insinua até pensar que sabemos muitas coisas, afinal a vida também é uma grande escola mas como podemos defender essa afirmação se nada além das incertezas pelo qual podemos apresentar em respostas a aos aspectos da vida no tempo presente. desta forma nosso suposto conhecimento não passa de uma ilusão quando não alucinação ou paranoia frente aos cenários de um mundo cada vez mais disforme e liquefeito feito água, e, como já alertou José Saramago estamos vivendo novamente a concepção de Platão sobre a sua caverna escura.
OBS.: Para se aprofundar mais, click no link e leia esse outro texto: https://portaltribunadoguacu.com.br/coluna/60/os-contornos-literarios-e-as-significacoes-filosoficas-da-metafisica-ontologica-um-atributo-ao-ser
 
Conclusão: Vamos sair da caverna
A Literatura e as Letras são libertadoras do mito da Caverna uma vez que é uma forma de ler e sentir o mundo. Na mesma entrevista, Saramago destacou a importância de fazer pausas para respirar, como olhar as flores e vê-las crescer. Em um mundo onde somos bombardeados com todo tipo de informação e obrigados a realizar as mais diversas tarefas, diante de uma rotina dinâmica e muitas vezes chata, corremos o risco de perder nossas emoções mais preciosas e nossas ideias mais instigantes. Sem tempo para devaneios "inúteis", corremos um sério risco de perder a sensibilidade e o discernimento de uma vez por todas. Tornamo-nos máquinas, criaturas passivas, crentes, obedientes, apáticas. A literatura ajuda a salvar nossa humanidade latente. Somos façanhas da longa trajetória da História da Humanidade. Temos semelhanças, independentemente da nacionalidade em que habitamos nosso Planeta, feitos de carne, osso e  mãos prenseis e cérebro volumoso dotado de pensamento e não é justo desperdiçar nosso potencial vivendo das sombras do que poderíamos vir a ser. Portanto, se ainda não somos quem gostaríamos de ser resta a dica de que a espiritualidade é a porta de abertura para o mundo interior (autoconhecimento) e Literatura e Letras são caminhos para desenvolver o conhecimento e juízos esclarecidos do mundo exterior e, afinal você provavelmente já sabia disso, mas é justamente aí que entra a proposta da filosofia: Bater com marreta em latas vazias para ver se acordamos para a vida em sua plenitude máxima!
REFERÊNCIAS
AYRES, Nicole. Saramago e a pergunta: vivemos hoje o mito da caverna? Artigo disponível em https://homoliteratus.com/ Publicado em 06 de fevereiro 2014 : acesso em 11 de junho de 22
DUPRÉ, Ben. 50 Ideias de Filosofia que você precisa conhecer. Tradução de Rosemarie Ziegelmaier. – 1ª ed. - São Paulo: Planeta, 2015.
BLUEVISION, BRASKEN. Home, Desenvolvimento Humano; artigo: Como o uso de redes sociais impacta nossa saúde mental? Disponível em https://bluevisionbraskem.com/desenvolvimento-humano/como-o-uso-de-redes-sociais-impacta-nossa-saude-mental/ Acesso em 12 de junho de 22.
 
Alberto Carlos Paschoaletto
Coluna: (CONS)CIÊNCIA & VIDA
                                                                                                       Caminho Livre pelo Pensar Filosófico.
                                                                                                          Jornal Tribuna do Guaçu
 
[1] Professor Universitário, com graduação em Ciências Jurídicas e Sociais; pós-graduação em Gestão Empresarial, Psicologia Organizacional e do Trabalho; Mestrando em Desenvolvimento Sustentável e Qualidade de Vida.
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