15/05/2022 às 08h24min - Atualizada em 15/05/2022 às 08h19min

ALOCANDO OS JUÍZOS À SERVIÇO DA LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE.

(CONS)CIÊNCIA & VIDA

(CONS)CIÊNCIA & VIDA

Alberto Carlos Paschoaletto é Professor Universitário, graduado em Ciências Jurídicas e Sociais; pós-graduação em Gestão Empresarial, Psicologia.

PASCHOALETTO[1], Alberto C.
 
Estamos equilibristas entre tênue linha divisória: Ser / Ter
 
Trata-se, o texto dessa semana, position paper, com a proposta de pensata filosófica onde discorreremos o tema em novos rumos para vivermos a plenitude da existência serena e realizada em seu significado de vida, porém, requer refletirmos as especificidades filosóficas entre objetos e sujeito que compõem o corpo do título desse texto e que parece simples jogo de palavras, mas, carregam em si mesmo um sinal metafórico da capacidade cognitiva humana, enfim, exige antes de continuar sua leitura um pensar na realidade do contemporâneo, enfim, na linha divisória entre dois mundos, entre o mundo horizontal do ter e o mundo vertical do ser; entre aquilo que o homem tem ou pode ter, fora de si – e aquilo que o homem é ou deve ser, dentro de si. Todos os meus sentimentos de vida se acentuam ao longo dos atuais cinquenta anos, onde mais de dois terços vividos em nossa querida cidade, onde passei minha juventude, não esquecendo Jaboticabal (onde nasci), Conchal (onde me iniciei na escola), São Paulo (onde consolidei minha carreira) e Jundiaí (onde ressignifiquei minha vida).
 
Percebo quando me coloco reflexivo sobre os caminhos e decisões a seguir, que todos os meus sentimentos giram, direta ou indiretamente, em torno desse momentoso problema do “ser” e do “ter”, daquilo que o homem é ou deve ser, e daquilo que o homem apenas tem ou deseja ter. O homem comum que não desenvolve seu projeto de vida, significativo, é como aquele João Cabral em Morte e Vida Severina, morre de velhice antes dos trinta, pois vive como sobrevivente e cada dia deve ser vivido como se fosse o ultimo, e, nesse caso o dia se resume numa longa jornada que ao final merece uma compensação, seja ela na bebida ou em qualquer momento de consumo compulsivo, pois nesse caso, o sobrevivente só se interessa pelas regalias do “ter”, expresso pelas quantidades – ao passo que o homem mais avançado, com um projeto de vida significativo, esse se entusiasma pelo “ser”, pelas qualidades e cada dia é leve, e, repleto de realizações.
 
OBS.: Para se aprofundar mais: https://portaltribunadoguacu.com.br/coluna/21/movimento-dos-componentes-que-se-completam-na-harmonia-do-ser-por-inteiro-paradoxo-de-sorites-
 
O mundo como um Teatro e a vida como representação de si mesma
 
"Pode-se mesmo afirmar que tanto mais educado e culto é um homem quanto mais faz prevalecer, em sua vida, o mundo qualitativo do “ser” sobre o mundo quantitativo do “ter”." (“Huberto Rohden - Novos Rumos para a Educação”)  Sendo abre espaço para perceber cada ato maravilhoso de cada criatura, enfim, o simples bater de asas de uma borboleta, um simples cantar do pássaro, afinal, sendo um “ser” vivo repleto de energia e amor, o homem descobre que a felicidade está sempre, a um paço de si mesmo, pois está ao seu próprio redor o tempo todo. E, acho que Ter é muito chato, “Ser” é melhor. Sendo um professor, por exemplo, tenho aulas para “dar”, pense nisso caro leitor antes de prosseguir neste texto, pois ao longo desta nossa nova série temática, visto que analisaremos pelo seu próprio título possível educação para a vida plena do existencialismo humanista. Ensinou-nos o Mestre Huberto Rohden, filósofo brasileiro, que o verdadeiro educador deve ser um homem altamente “realizado”; deve ter realizado em si os seus mais profundos valores humanos; só assim poderá servir de guia e mentor a outros, não tanto pelo que diz ou faz, mas, sobretudo pelo que é. Deve ser plenamente educado, para que possa educar. (“Huberto Rohden - Novos Rumos para a Educação”)
 
Podemos, com isso, deduzir que “Ser” educado não que dizer apenas ter bons modos sociais; quer dizer (como insinua a própria etimologia da palavra) que o bom educador deve ter despertado em si os verdadeiros valores da natureza humana. “Educar” vem do verbo latino educare, derivado de educere, que quer dizer “eduzir”, conduzir para fora, ou seja, despertar no homem aqueles elementos positivos que nele se achavam dormentes, como seja, verdade, justiça, amor benevolência, solidariedade etc. O educador é um “edutor”, alguém que “eduz” do seu educando o que nele dormita de melhor e mais puro. Educar não é injetar, embutir, mas sim eduzir e desenvolver o que já existe na alma do educando, assim como a luz solar desperta e desenvolve na semente a planta que nela existe potencialmente. Por isso mesmo que sempre refiro ao aluno como educando, pois aluno é aquele “Ser” que se encontra ausente da luz, enfim, vive alienado nas escuras cavernas da ignorância.
 
Para o educador suíço, Johann Heinrich Pestalozzi (1746-1827), as emoções têm o poder de despertar o processo de aprendizagem e encorajamento para a autonomia da criança. Em linhas educacionais, contemporâneas, de pensamento sobre o impacto do amor, que embora pode não ser a primeira palavra que vem à mente do leitor quando se fala de ciência, método ou teoria mas cabe ressaltar que a emoção desempenhou um papel central no trabalho de Pestalozzi como basilar da pedagogia moderna, valorizando o amor como conceito de movimento de uma Escola Nova onde a função primordial do ensino, em sua abordagem, é orientar as crianças a desenvolver suas habilidades naturais e inatas sendo que para ele o amor inicia o processo de autoeducação, base da autonomia do indivíduo, cada vez mais compreendido como uma das habilidades da pessoa na reconfiguração do mundo atual, como já diversas vezes discorremos em nossos textos desta coluna filosófica.
 
 
 Um novo mundo implica uma nova escola: Mas, quem é o novo Homem?
 
Para iniciar um novo rumo, enfim, pensarmos na educação que se abre como atual e orientada para todos os caminhos do contemporâneo torna-se indispensável que o educador tenha noção exata da natureza humana e da compreensão da vida e do contemporâneo, enfim, que saiba distinguir as periferias existenciais do educando, do centro essencial do mesmo; e, acima de tudo, requer-se que o educador, além de versado na teoria, também viva praticamente essa verdade.
 
Não é possível realizar uma educação eficiente sem ter uma visão unitária do homem. "O ser humano é uma unidade harmoniosa, mas que, na sua superfície, aparece, quase sempre, desarmonizada." (“Huberto Rohden - Novos Rumos para a Educação”) Quem é que estabelece divergência e infidelidade entre o interno ser e o externo agir do homem, frustrando assim a grande obra da educação? Esta pergunta nos põe no início de nossa primeira grande encruzilhada, ao longo do texto, pois onde se bifurcam os caminhos da velha educação e da nova filosofia. Mas, o que é o Novo? Se puder morrer de velhice, antes dos trinta, como pensarmos no que é novo? Parece-me sem fundamento pensarmos uma concepção de mundo atual. Não, nesse sentido é preciso entender o papel do pensar e fazer filosofia, pois é a filosofia perene de todos os séculos e milênios, tão antiga como a própria humanidade que nos mostra os diversos caminhos, desde primórdios; mas pensar através da filosofia é privilégio de uns poucos iniciados, ao passo que é mais fácil profanar as tradições e solapar a própria história do pensamento humano, para seguir os dogmas de uma teologia (pensamento holístico do equilíbrio das partes com o todo) dualista e dispersiva, que não permite uma educação eficiente e racional. O que a velha teologia (dogmatismo) consegue é impor-se ao homem, assim como o ditador se impõe a seus súditos.
 
"A verdadeira educação, porém, não é nem pode ser um regime ditatorial; e cada vez menos é possível considerar o educando um autômato cujo único dever seja cumprir ordens emanadas de uma autoridade suprema, externa." (“Huberto rohden novos rumos para a educação”) O homem de hoje não quer apenas cumprir ordens, quer saber das últimas razões por que deve fazer isto e deixar de fazer aquilo. Não quer agir em virtude de uma compulsão externa, mas sim em virtude de uma compreensão interna.
 
OBS.: Para se aprofundar mais: https://portaltribunadoguacu.com.br/coluna/12/a-cigarra-e-as-tres-ecologias-da-vida-e-morte--severina-transformacao-resignacao-e-ressignificacao
 
Considerações finais – Será o novo, Cósmico?
 
A divisão usual do homem é entre corpo e alma. A palavra corpo é tomada como idêntica à matéria, e, sobre o vocábulo alma existem tantas sentenças quantas cabeças. É doutrina quase geral que é a alma que peca (uns chegam ao absurdo de atribuir pecabilidade até ao corpo); acham que é a alma que se torna má e antidivina, e que, se não se converter, vai ser eternamente condenada ao sofrimento.
 
E o ilogismo culmina no absurdo de que, um dia, o próprio corpo, esse corpo-matéria, ressuscitará e participará do eterno sofrimento da alma, e que Deus, esse Deus Amor, se deliciará eternamente com os sofrimentos de milhões e milhões de filhos seus. Por enquanto, pensemos nisso que na próxima semana prosseguiremos em nossos caminhos reflexivos com nosso novo tema.
 
 O novo estágio evolutivo humano da humanidade, que virou a página do homem-animal, passando pelo homem humano e agora caminha para um homem Cósmico do universalismo representativo dos avatares. O homem cósmico conhece os mistérios de Deus através da ética do homem na estética da natureza - então ele sabe e desfruta que todos os objetos do universo estão sob seu controle porque ele mesmo se sente como uma parte inseparável do universo. será diferente de um mundo governado pela autoconsciência, assim como os humanos de hoje são diferentes dos humanos pré-históricos antes da inteligência. O brilho silencioso do sol é diferente da tênue fosforescência dos vaga-lumes no meio da noite.
 
Conclusão: quando o homem semiconsciente de hoje, no MUNDO BANI, seguindo a linha de pensamento do Livro A Nova Humanidade, onde Rohden analisa a origem do homem na Terra, rejeita tanto a ideologia teológica (Adão e Eva) como também a teoria da descendência animal fruto da evolução do macaco. Entendemos, então, como conclusão o que o próprio Rohden apresenta em perspectiva: O homem apareceu na Terra como criatura pronta e acabada, embora apenas imperfeito mas potencialmente preparado para sua verdadeira natureza hominal da Potência Cósmica da Fonte primária do Universo que fluiu todas as potencialidades necessárias para chegar e ficar no mundo, plenamente consciente do homem cósmico, que no alvorecer da transição planetária que estamos vivendo ele será visto, em algum tempo no futuro, oxalá saibam os Deuses quando, mas será como uma tela pintada de museu, onde hoje observamos nossos ancestrais de frente para o fogo nos afrescos rupestres de outrora.... e, quem tem olhos que veja e ouvidos que ouça, quiçá sejamos reis e ainda não compreendemos a própria majestade!
 
Para saber mais: https://portaltribunadoguacu.com.br/coluna/33/a-literatura-e-seu-papel-de-construtora-de-juizos-esteticos-e-intercessora-da-totalidade-do-humano
 
REFERÊNCIAS
 
FERRARI, Márcio. Pestalozzi, o teórico que incorporou o afeto à sala de aula. Artigo publicado e disponível em https://novaescola.org.br/ Acesso em 12 de maio/22
 
PESTALOZZI, Johann Heinrich; Soëtard, Michel. Mis investigaciones sobre el curso de la naturaleza en la evolución de la humanidade. Tradução: Martha Aparecida Santana Marcondes, Pedro Marcondes, Ciriello Mazzetto; organização: João Luis Gasparin, Martha Aparecida Santana Marcondes. – Recife: Fundação Joaquim Nabuco, Editora Massangana, 2010. 112 p.: il. – (Coleção Educadores)
 
ROHDEN, Huberto. A Nova humanidade - Estágios evolutivos do homem, desde o homem animal, através do homem hominal até o homem crístico. Martin Claret; 3ª edição (2002).
 
 
________________. Novos rumos para a educação. Martin Claret, 2005. 1ª Edição (2005).
 
 
 
Alberto Carlos Paschoaletto
Coluna: (CONS)CIÊNCIA & VIDA
                                                                               Caminho Livre pelo Pensar Filosófico.
                                                                                  Jornal Tribuna do Guaçu
 
[1] Professor Universitário, com graduação em Ciências Jurídicas e Sociais; pós-graduação em Gestão Empresarial, Psicologia Organizacional e do Trabalho; Mestrando em Desenvolvimento Sustentável e Qualidade de Vida.
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